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PF investiga destruição de imagens em prédio de ex-presidente do Rioprevidência
Descoberta de um segundo apartamento usado pelos investigados e o apagamento seletivo de gravações foram decisivos para decretar as prisões temporárias na Operação Barco de Papel
Cidades
Foto: https://s2-g1.glbimg.com/S4mn6BiT262PNBfko3yUzFVFh44=/1600x0/filters:format(jpeg)/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/A/0/mT2yy4SOAlSu0BPw0oRA/rioprev-deivis-e-os-irmaos.jpeg
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■   Bernardo Cahue, 06/02/2026

A Polícia Federal (PF) investiga a destruição de imagens do circuito interno de câmeras do prédio onde reside o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, em Botafogo, Zona Sul do Rio. A perícia da PF conseguiu recuperar parte do material, que mostra uma intensa movimentação entre dois imóveis no mesmo edifício. Para a Justiça Federal, o apagamento representa uma clara tentativa de obstruir as investigações, o que foi um dos fundamentos para a prisão temporária de Antunes e de mais dois envolvidos.

As investigações são parte da Operação Barco de Papel, que apura crimes contra o sistema financeiro na gestão de recursos do fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro. Após uma busca e apreensão no apartamento de Deivis em 23 de janeiro, a PF retornou ao prédio no dia seguinte para recolher as gravações das câmeras de segurança. A análise revelou um grande problema: um HD que deveria conter 30 dias de imagens só possuía registros de dois dias de dezembro.

Os investigadores descobriram que o sistema de segurança continha três senhas de administrador que permitiam apagar as imagens, inclusive de forma remota. A PF apurou que, além da empresa responsável pelo serviço, o próprio Deivis Antunes e o porteiro do prédio tinham acesso ao dispositivo, algo considerado "bastante atípico" pelo responsável técnico.

Um elemento central para a decretação das prisões foi a descoberta de um segundo apartamento no mesmo prédio, alugado por Deivis. Aos vizinhos, ele teria dito que o imóvel serviria como "área de recreação para seu filho". Na realidade, a investigação apurou que o local era ocupado pelos irmãos gêmeos Rodrigo e Rafael Schmitz, que também foram presos. As imagens recuperadas pela perícia mostram os irmãos retirando itens desse apartamento e os levando para um veículo na garagem do prédio.

  • Movimentação suspeita: As gravações mostram trânsito intenso entre os dois apartamentos, incluindo a transferência de mochilas, papéis e uma caixa de arquivos. Em uma das cenas, um dos irmãos é flagrado saindo do imóvel alugado com uma mochila nas costas e um papel na mão, material que, para a PF, poderia auxiliar nas investigações.
  • Prisões: Deivis Antunes foi preso na terça-feira (3) na Via Dutra, próximo a Resende (RJ), ao retornar de uma viagem aos Estados Unidos. No mesmo dia, os irmãos Schmitz foram presos em Itapema, Santa Catarina. A prisão temporária foi decretada pela juíza federal Kátia Maria Maia de Oliveira, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio, que viu risco concreto de destruição de provas.

O cerne das investigações da Operação Barco de Papel são operações financeiras suspeitas envolvendo o Rioprevidência. A PF apura um conjunto de nove aplicações, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram no investimento de aproximadamente R$ 970 milhões do fundo previdenciário em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. O banco está em liquidação extrajudicial desde novembro de 2025, após o Banco Central apontar insolvência e suspeitas de fraude.

O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores estaduais e seus dependentes. A PF sustenta que as aplicações no Banco Master, consideradas de alto risco e sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), expuseram o patrimônio da autarquia a um "risco elevado e incompatível com sua finalidade".

Em nota, a defesa de Deivis Marcon Antunes afirmou que ele nega peremptoriamente ter promovido qualquer destruição de imagens, documentos ou provas. A defesa também declarou que o ex-presidente vem colaborando com as autoridades e que, ciente da operação policial, apresentou sua carta de renúncia ao cargo para afastar qualquer alegação de interferência nas provas. Sobre o segundo apartamento, Antunes disse em depoimento à PF que o imóvel era usado para receber parentes e amigos de Santa Catarina, seu estado natal, e que as malas retiradas pelos irmãos Schmitz continham apenas pertences pessoais deles.

Com informações de: G1, Agência Brasil, Agendapoder.com.br, Diário do Estado GO, Metrópoles, Povo na Rua, Veja, CBN Globo ■

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