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EUA explodem mais um barco no Pacífico
Operação desta quinta-feira (5) matou duas pessoas; continuam as mesmas alegações de "controle do narcoterrorismo"
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 06/02/2026
O Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) anunciou nesta quinta-feira (5) a realização de um novo ataque "cinético" no leste do Oceano Pacífico contra uma embarcação que alegou estar envolvida no narcotráfico. A ação resultou na morte de duas pessoas, descritas pela força militar como "narcoterroristas".

De acordo com um comunicado oficial divulgado nas redes sociais, "informações de inteligência confirmaram que a embarcação estava transitando por rotas conhecidas de narcotráfico no Pacífico Oriental e estava envolvida em operações de narcotráfico". Um vídeo liberado pelo comando mostra um barco em movimento sendo atingido e explodindo em chamas. Nenhum militar americano foi ferido na operação.

Contexto da Campanha Militar

Este é o segundo ataque do tipo registrado em 2026 e faz parte de uma campanha mais ampla batizada de Operação Southern Spear (Lança do Sul), iniciada pelo governo do presidente Donald Trump em setembro de 2025. A justificativa da administração americana é a de que os Estados Unidos estão em um "conflito armado não internacional" com cartéis de drogas, visando conter o fluxo de narcóticos para seu território.

Desde o início da campanha, o saldo é de pelo menos 128 pessoas mortas em mais de 35 ataques a embarcações nas águas do Caribe e do Pacífico Oriental. As operações atingiram um pico de frequência no final de 2025, mas diminuíram após a captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças americanas em uma incursão em Caracas no dia 3 de janeiro.

Controvérsias e Críticas Internacionais

A campanha militar tem sido alvo de intensas críticas por parte de especialistas em direito internacional, organizações de direitos humanos e líderes regionais, que questionam sua legalidade e a falta de provas públicas.

  • Ausência de Provas e Execuções Extrajudiciais: O governo americano não apresentou evidências definitivas de que as embarcações alvejadas estivessem de fato traficando drogas. Especialistas classificam os ataques como execuções extrajudiciais, argumentando que não há um estado de conflito armado que justifique o uso de força letal em alto-mar contra civis que não representam uma ameaça imediata .
  • Posicionamento de Autoridades: Ben Saul, Relator Especial da ONU para direitos humanos no combate ao terrorismo, foi enfático: "Não há autoridade no direito internacional para usar força militar em alto-mar para matar suspeitos de tráfico de drogas ou gangues narcóticas" .
  • Ações Judiciais: Familiares de vítimas começaram a buscar responsabilização. A família de dois homens de Trinidad e Tobago mortos em um ataque em outubro de 2025 moveu um processo contra o governo dos EUA, qualificando a ação como um "crime de guerra" e parte de uma "campanha militar manifestamente ilegal". É o primeiro caso judicial público decorrente da operação.

Cenário Político e Regional

O ataque ocorre em um momento de tensões diplomáticas. Apenas dois dias antes, o presidente colombiano Gustavo Petro – que publicamente condenou os ataques anteriores, comparando-os a crimes de guerra – encontrou-se com Donald Trump na Casa Branca . Cidadãos colombianos já foram vítimas de ataques anteriores.

Horas antes do anúncio do ataque desta quinta-feira, o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou em suas redes sociais que "alguns dos principais traficantes de drogas de cartel da região decidiram cessar todas as operações de narcotráfico INDEFINIDAMENTE devido aos recentes ataques cinéticos (altamente eficazes) no Caribe" . No entanto, nem o Pentágono nem o SOUTHCOM forneceram detalhes ou evidências que sustentassem essa alegação.

Consequências e Próximos Passos

A continuidade da Operação Southern Spear coloca várias questões em evidência:

  1. Escalada Militar: A campanha, que começou com ataques a embarcações, já foi usada como justificativa para uma incursão terrestre que capturou um chefe de Estado estrangeiro (Maduro).
  2. Relações com a América Latina: Ações unilaterais dos EUA em águas internacionais próximas à costa de países como Colômbia e Venezuela geram atritos e condenações regionais.
  3. Precedente Legal: Os processos judiciais em andamento podem testar pela primeira vez a validade da justificativa legal apresentada pela administração Trump para essas operações.

Enquanto o governo americano insiste no caráter defensivo e necessário da campanha, a comunidade internacional aguarda a apresentação de provas concretas e observa com preocupação a expansão de operações letais justificadas pelo combate ao narcotráfico.

Com informações de: Al Jazeera, BBC, Military.com, NBC News, RTP, Times Brasil ■

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