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Argentina entra com pedido formal de extradição de Nicolás Maduro aos Estados Unidos
País de Milei considera que presidente venezuelano responda localmente por acusações de crimes contra a humanidade
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 05/02/2026

A Justiça argentina solicitou formalmente aos Estados Unidos, nesta quarta-feira (4), a extradição do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. Ele está detido em Nova York desde 3 de janeiro, quando foi capturado durante uma operação militar americana em Caracas. O pedido, fundamentado no princípio da jurisdição universal, visa que Maduro responda na Argentina por acusações de crimes contra a humanidade.

"Em cumprimento à ordem emitida... será expedida carta rogatória internacional aos Estados Unidos da América solicitando a extradição de Nicolás Maduro", detalha a ordem judicial. A investigação na Argentina, iniciada em 2023 a partir de denúncias de organizações de direitos humanos e familiares de vítimas, aponta indícios de um plano sistemático de repressão na Venezuela que inclui desaparecimentos forçados, tortura e homicídios.

Contexto: A Captura e as Acusações nos EUA

A prisão de Maduro foi o desfecho da Operação Resolução Absoluta, uma incursão militar de grande escala e alto risco. Na madrugada de 3 de janeiro, mais de 150 aeronaves americanas, incluindo caças, bombardeiros e helicópteros de operações especiais, atacaram alvos na região de Caracas antes de uma equipe da força Delta desembarcar no complexo fortificado de Maduro no Fuerte Tiuna. Após um breve tiroteio, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e evacuados do país.

Nos Estados Unidos, Maduro enfrenta acusações graves por narcoterrorismo. Um grande júri do Distrito Sul de Nova York o indiciou por crimes como:

  • Conspiração para praticar narcoterrorismo
  • Conspiração para importar cocaína para os EUA
  • Uso de armas de guerra em crimes de tráfico

As acusações alegam que Maduro liderou o "Cartel dos Sóis", uma organização que usou instituições do Estado venezuelano para facilitar o tráfico de centenas de toneladas de cocaína. A pena para o crime de narcoterrorismo pode chegar a 20 anos de prisão.

As Acusações de Crimes Contra a Humanidade

O pedido argentino se soma a um amplo histórico de denúncias contra o governo de Maduro. Em setembro de 2024, uma Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos da ONU concluiu que autoridades venezuelanas cometeram crimes contra a humanidade para suprimir a oposição. O relatório documenta:

  • Repressão sistemática: Padrão de prisões arbitrárias, tortura e violência sexual contra opositores políticos.
  • Violência letal: Pelo menos 25 mortes documentadas em contexto de protestos, incluindo duas crianças.
  • Uso do sistema judicial: Perseguição a militares, jornalistas e defensores de direitos humanos com base em "teorias de conspiração".

A Justiça argentina já havia ordenado a prisão internacional de Maduro e de seu ministro do Interior, Diosdado Cabello, em 2024, com base nessas evidências.

Mudanças na Venezuela e Reações Internacionais

Desde a captura de Maduro, a Venezuela vive um período de transição sob o governo interino da ex-vice-presidente Delcy Rodríguez. O país testemunhou uma série de mudanças rápidas, muitas alinhadas com as demandas dos Estados Unidos:

  1. Abertura Petrolífera: Reforma da Lei de Hidrocarbonetos para permitir que empresas estrangeiras atuem sem joint ventures com a estatal PDVSA.
  2. Distensão Diplomática: Anúncio da reabertura da embaixada dos EUA em Caracas e início do restabelecimento de relações.
  3. Questões Humanitárias: Libertação de mais de 300 presos políticos e proposta de uma lei de anistia geral.

Internacionalmente, a ação militar americana dividiu opiniões. Enquanto o governo Trump a defendeu, países como Rússia e Cuba condenaram a "agressão armada". O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, alertou que os bombardeios "traspassam uma linha inaceptável" e representam um precedente perigoso. Especialistas em direito internacional questionam a legalidade da operação, argumentando que a extração forçada de um chefe de Estado em exercício cria um precedente preocupante.

Próximos Passos e um Futuro Incerto

O cenário jurídico e político agora é complexo. Maduro está preso nos EUA e tem uma audiência marcada para 17 de março em Nova York. Paralelamente, os Estados Unidos precisarão avaliar o pedido de extradição da Argentina, que coloca dois processos criminais distintos—narcotráfico e crimes contra a humanidade—na mesa. O desfecho pode depender de decisões políticas da administração americana.

Enquanto isso, a Venezuela, sob um governo interino que afirma buscar autonomia mas opera sob forte pressão externa, tenta navegar uma crise profunda que inclui uma economia devastada e um êxodo de quase um terço de sua população. A captura de Maduro, longe de ser um ponto final, inaugurou um novo capítulo de incertezas para o país e para as normas internacionais.

Com informações de: CNN Brasil, G1, United Nations, CNN Español, Estadão, Wikipedia, BBC ■

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