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Vítimas de golpe do falso emprego relatam extorsão e violência em entrevistas
Criminosos usam esperança de desempregados para aplicar crimes de extorsão com ameaças violentas
Cidades
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■   Bernardo Cahue, 05/02/2026

Criminosos estão se passando por recrutadores de empresas de recursos humanos para aplicar um golpe que começa com falsas promessas de emprego e pode terminar em extorsão e ameaças violentas. A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga casos em que desempregados são atraídos para entrevistas presenciais e, ao chegarem ao local, são pressionados a pagar taxas para participar de supostos processos seletivos.

O delegado Alan Luxardo, responsável por uma das investigações, resumiu a gravidade: “Foi um caso que começou como sendo estelionato, mas acabou evoluindo para extorsão”. As vítimas, em situação de vulnerabilidade financeira, sofrem ainda com profundos impactos emocionais após os golpes.

Ameaça com arma branca e pagamento sob coerção

Um dos casos mais graves envolve a engenheira civil Jenifer Brandão. Após meses desempregada, ela foi contatada por uma mulher que se identificou como Vanessa, de uma suposta empresa de RH chamada Fasano Gestão Profissional. A entrevista foi marcada em uma sala comercial no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio.

Durante a reunião, um homem que se apresentou como Marcelo Alves descreveu uma vaga atrativa em uma grande construtora. Em seguida, exigiu o pagamento de uma taxa, apresentando valores de "contratos" que variavam entre R$ 3 mil e R$ 4 mil. Ao se recusar a pagar e tentar sair, Jenifer foi impedida e ameaçada. “Ele levantou a camisa e me mostrou um canivete”, relatou. Sob coerção, ela fez um PIX de R$ 1 mil e só foi liberada após mais de três horas.

Golpes iniciados em plataformas de emprego online

A abordagem também ocorre pela internet. Karina Novaes, que busca emprego há um ano e meio, cadastrou seu currículo no site InfoJobs. Dois dias depois, recebeu uma mensagem pela própria plataforma informando que seu perfil havia sido selecionado. Após detalhes sobre a vaga, o suposto recrutador exigiu um PIX de R$ 424 para confirmar a candidatura.

“Uma linguagem muito informal, uma certeza, urgência”, descreveu Karina sobre a abordagem, que a fez desconfiar e bloquear o contato. Ela registrou boletim de ocorrência e alertou a plataforma, que posteriormente removeu a vaga falsa.

Padrão nacional de golpes que exploram a busca por emprego

Esse tipo de crime não é isolado no Rio de Janeiro e segue um padrão observado em outras regiões do Brasil:

  • No Paraná, uma quadrilha simulava entrevistas em coworkings para roubar os chips dos celulares dos candidatos. Enquanto as vítimas faziam uma prova, os criminosos substituíam os chips e usavam os dados pessoais para financiar veículos e abrir contas bancárias fraudulentas.
  • Em São Paulo, uma mulher investigada pela polícia usou uma falsa biometria facial para aplicar golpes. Criminosos convidavam candidatos para entrevistas, tiravam fotos deles e usavam a imagem para simular reconhecimento facial e financiar um carro de R$ 180 mil em nome da vítima.

Como identificar e se proteger do golpe

Especialistas em segurança digital e órgãos como o Serasa listam sinais de alerta e medidas de proteção:

  1. Desconfie de ofertas muito tentadoras, com salários e benefícios significativamente acima da média de mercado.
  2. Nenhuma empresa ou agência de emprego séria cobra taxas para que o candidato participe de um processo seletivo. Exames admissionais são custeados pela empresa.
  3. Pesquise a empresa. Verifique se ela existe de fato, tem site oficial, CNPJ e presença reconhecida no mercado.
  4. Não forneça documentos pessoais ou tire fotos para "cadastro" durante entrevistas iniciais. Documentos são tipicamente solicitados após a contratação.
  5. Em caso de desconfiança, interrompa o contato e denuncie imediatamente à plataforma onde a vaga foi anunciada e à polícia.

Posicionamentos oficiais e investigações

O Grupo Fasano (rede de hotéis) emitiu nota esclarecendo que “não possui qualquer relação com a empresa citada pelas vítimas” e que “não cobra, em nenhuma hipótese, pagamentos relacionados a processos seletivos”. A reportagem tentou contato com o condomínio Américas Avenue Business Square, onde uma entrevista ocorreu, e com a plataforma InfoJobs, mas não obteve resposta. A Polícia Civil segue investigando os casos para identificar e prender os integrantes da quadrilha.

Com informações de: G1 Globo, Diário do Estado GO, Projeto Comprova, UOL ■

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