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Uma nova publicação de arquivos relacionados ao falecido financiador e criminoso sexual Jeffrey Epstein, liberada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, trouxe à tona alegações de extrema violência e ocultismo que, se verdadeiras, mergulhariam o caso em um abismo ainda mais sombrio. Os documentos incluem cerca de 2.000 vídeos e 180.000 imagens relacionados às investigações.
Entre os milhares de páginas, um documento em particular, identificado como EFTA00147661, chama a atenção. Nele, o FBI relata a entrevista com uma suposta vítima que fez acusações chocantes. Segundo este relato:
Outros trechos dos arquivos citam comunicações que sugerem uma banalização sinistra. Em um e-mail de 2009, a publicista Peggy Siegal, ao comentar uma viagem ao Quênia, teria escrito a Epstein: "Posso te trazer um bebê pequeno… ou dois. Meninos ou meninas?". Um outro e-mail, atribuído a um homem chamado Bryan Miller, acusa o Príncipe Andrew da Inglaterra de ter sido cúmplice na morte de uma mulher que teria sido recrutada como "escrava sexual".
É fundamental contextualizar a natureza dessas informações. O próprio Departamento de Justiça dos EUA emitiu um alerta junto à liberação dos arquivos, destacando que o material "pode incluir imagens, documentos ou vídeos falsos ou apresentados de forma fraudulenta". Muitas das alegações mais brutais vêm de depoimentos anônimos e não verificados, coletados pelo FBI durante sua investigação, e não constituem provas ou conclusões factuais por parte da agência. Especialistas apontam que a inclusão de um relato nos arquivos do FBI significa apenas que ele foi coletado, não que sua veracidade foi comprovada.
Para além dessas alegações específicas, os documentos reforçam o que já se sabia sobre a operação de Epstein: ele cultivou meticulosamente uma rede entre as elites do poder. Nomes de figuras proeminentes aparecem em listas de contatos, convites e registros de viagens, incluindo:
A presença desses nomes nos arquivos, em sua maioria, não os vincula diretamente a atividades criminosas, e muitos negaram qualquer conhecimento ou envolvimento com os abusos de Epstein. No entanto, ilustra como Epstein se movia com impunidade nos círculos mais altos da sociedade, mesmo após sua primeira condenação em 2008.
O caso Epstein é, na avaliação de pesquisadores, um "caso clássico" de tráfico sexual, que segue um padrão observável: o predador é geralmente um homem branco com riqueza e poder; as vítimas são menores vulneráveis, muitas vezes desumanizadas e culpadas; e os criminosos usam sua influência para se proteger de acusações graves, fechando acordos judiciais benéficos. Foi exatamente o que aconteceu com Epstein em 2008, quando ele aceitou um acordo de não persecução (NPA) e se declarou culpado de acusações menores de prostituição na Flórida, evitando processos federais por tráfico sexual infantil.
A persistente demanda pública pela liberação total dos "arquivos Epstein" reflete uma busca por transparência e justiça, especialmente por parte das vítimas. Para elas, o caso não se encerrou com a morte de Epstein ou a condenação de sua associada Ghislaine Maxwell. Elas buscam responsabilizar todos os envolvidos em uma operação que, segundo a investigação, não poderia ter funcionado sem uma rede de cumplicidades. As alegações mais grotescas nos novos documentos, ainda que não verificadas, alimentam essa narrativa de um abismo de depravação protegido pelo poder e pelo sigilo.
Com informações de: BBC, Cubadebate, El Universal, The Philadelphia Tribune, NPR, PBS ■