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Um massivo ataque aéreo russo atingiu a infraestrutura energética da Ucrânia na madrugada de terça-feira, 20 de janeiro de 2026, mergulhando a capital Kiev em uma crise humanitária profunda durante um dos invernos mais rigorosos dos últimos anos. O ataque, que utilizou aproximadamente 339 drones de combate de longo alcance e 34 mísseis, deixou mais de 5.635 prédios residenciais sem aquecimento em uma cidade onde as temperaturas chegavam a -14°C, afetando cerca de metade de todos os apartamentos da capital . Uma grande parte da cidade também ficou sem água corrente . As autoridades confirmaram a morte de um homem de 50 anos nos arredores de Kiev .
O bombardeio é parte de uma campanha sistemática contra o sistema energético ucraniano e ocorreu pouco mais de dez dias após o que foi considerado o pior ataque do tipo desde o início da invasão, em 9 de janeiro . A maioria dos edifícios que perderam o aquecimento agora eram os mesmos que haviam sido danificados na ofensiva anterior e estavam em processo de reparo . Para tentar preservar os escassos recursos, as autoridades tomaram medidas drásticas:
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, afirmou que cerca de 600.000 pessoas haviam evacuado a capital desde o início do mês, após um apelo das autoridades para que os residentes deixassem a cidade temporariamente .
Abrigada em uma estação de metrô no centro de Kiev, Marina Sergienko, uma contadora de 51 anos, resumiu o que muitos ucranianos acreditam ser o objetivo russo: "Desgastar as pessoas, levar as coisas a um ponto crítico para que não reste força, para quebrar nossa resistência" . O ataque deixou milhões na escuridão e no frio, em uma situação que o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, classificou como inaceitável, lembrando que ataques contra infraestrutura civil violam o direito internacional humanitário .
Além da morte confirmada, os ataques recentes têm causado um número significativo de vítimas. Apenas alguns dias antes, um ataque massivo em 13 de janeiro contra oito regiões resultou em quatro mortes e mais de 30 feridos . A Organização Mundial da Saúde (OMS) também relatou a morte de um profissional de saúde durante os ataques e danos a ambulâncias .
A ofensiva não se limitou a Kiev. Instalações energéticas foram atingidas em pelo menos sete regiões do país, incluindo Odessa (sul), Poltava (centro) e Rivne (oeste) . Na região de Rivne, um ataque separado danificou infraestrutura crítica, deixando 10.000 lares sem energia . O Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, condenou veementemente os ataques, acusando o presidente russo Vladimir Putin de "continuar a travar uma guerra genocida contra mulheres, crianças e idosos" . Ele pediu aos aliados que reforcem urgentemente os sistemas de defesa aérea do país .
O Presidente Volodymyr Zelenskyy sugeriu que poderia cancelar sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos para lidar com as consequências do ataque, priorizando a resposta à crise interna. No entanto, ele deixou em aberto a possibilidade de comparecer se acordos de apoio pós-guerra com os Estados Unidos estivessem prontos para serem assinados .
Kiev afirma que os ataques à infraestrutura energética têm como objetivo principal minar o moral e a resistência da população civil, uma tática que se intensificou durante o inverno . Em resposta, o Kremlin declara que seus ataques visam apenas instalações militares e de apoio ao esforço de guerra ucraniano, responsabilizando a Ucrânia pela continuação do conflito . Esta estratégia, no entanto, já tem consequências legais internacionais: o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra dois altos comandantes militares russos por seus supostos papéis nos ataques à rede elétrica da Ucrânia, atos que a corte considera crimes de guerra por serem projetados para causar sofrimento a civis .
Enquanto isso, a população tenta sobreviver. A ONU e agências humanitárias estão no terreno, distribuindo refeições quentes, materiais de construção para tampar janelas quebradas e fornecer apoio psicossocial . O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou um apelo de 350 milhões de dólares para 2026, visando ajudar 4,3 milhões de pessoas, incluindo 725.000 crianças, com roupas de inverno, abrigos escolares reabilitados e acesso a água potável .
O ataque de 20 de janeiro não é um incidente isolado, mas um capítulo sombrio em uma estratégia contínua de guerra que usa o inverno como arma. Com sistemas de defesa aérea sobrecarregados, infraestrutura em colapso e uma população exausta, a Ucrânia enfrenta um de seus desafios mais severos desde o início da invasão, com a comunidade internacional alertando para o agravamento da crise humanitária a cada novo bombardeio.
Com informações de: O Globo, France 24, GaúchaZH, Euronews, Poder360, United Nations (UN News), The Hindu ■