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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (7) uma ordem executiva determinando a retirada do país de 66 organizações internacionais, em um movimento massivo que marca o ápice de sua doutrina de "America First" (América Primeiro) e representa um recuo sem precedentes da cooperação global. A Casa Branca justificou a medida afirmando que essas entidades "já não servem aos interesses" nacionais ou operam de forma "contrária à segurança, prosperidade econômica ou soberania" dos EUA.
A lista, resultado de uma revisão ordenada pelo governo, abrange 31 entidades vinculadas às Nações Unidas e 35 organizações fora do sistema ONU. Embora a lista completa não tenha sido divulgada publicamente, informações de comunicados e fontes jornalísticas revelam que entre os alvos estão algumas das principais agências multilaterais do mundo.
As retiradas abrangem um leque vasto de temas, desde mudança climática e direitos humanos até cooperação científica e antiterrorismo. As mais significativas incluem:
Esta ação não é um fato isolado, mas a cristalização de uma política externa que Trump vem implementando desde o início de seu segundo mandato e que já era perceptível em sua primeira gestão (2017-2021). Analistas descrevem a abordagem como "'ou do meu jeito ou nada feito'... que busca a cooperação internacional exclusivamente nos termos de Washington". Nos últimos meses, o governo Trump já havia:
A retirada, em especial do tratado climático, gera consequências profundas e imediatas:
1. Liderança Climática Abandonada: Especialistas alertam que a ação "joga fora décadas de liderança americana em mudança climática". Gina McCarthy, ex-assessora climática da Casa Branca, chamou a decisão de "miope, embaraçosa e tola". Sem os EUA, um dos maiores emissores do mundo, os esforços globais para reduzir gases de efeito estufa podem ser seriamente prejudicados, e outras nações podem usar a saída americana como desculpa para adiar suas próprias ações.
2. Isolamento e Vantagem Geopolítica: O ex-secretário de Estado John Kerry afirmou que o movimento é "um presente para a China", permitindo que o rival geopolítico dos EUA assuma a liderança na definição das regras globais para a economia de energia limpa. Além disso, "dá a outros países uma desculpa para atrasar suas próprias ações e compromissos".
3. Dúvida Jurídica e Legado Duradouro: Como o UNFCCC foi ratificado pelo Senado americano em 1992, há uma zona cinzenta legal sobre se o presidente pode retirar o país unilateralmente. Se bem-sucedida, a retirada pode dificultar que um futuro presidente reingresse no Acordo de Paris, já que este foi firmado sob a égide do tratado do qual os EUA teriam saído.
4. Efeito Cascata nas Organizações: A perda do financiamento e da participação política dos EUA, historicamente um dos maiores contribuintes, deve forçar cortes de pessoal e programas em várias agências da ONU, afetando operações em áreas como saúde global, assistência humanitária e proteção a refugiados.
Em comunicado, o governo Trump defendeu a medida como necessária para "restaurar a soberania americana" e acabar com o desperdício de dinheiro dos contribuintes em organizações que "promovem agendas globalistas" ou são "ineficientes, mal administradas ou capturadas por interesses contrários aos nossos". O Secretário de Estado Marco Rubio afirmou que os EUA "não continuarão a gastar recursos, capital diplomático e o peso legitimador de nossa participação em instituições irrelevantes ou em conflito com nossos interesses". A ordem executiva determina que todos os departamentos do governo tomem as medidas para efetivar as retiradas "o mais rápido possível".
Com informações de: Veja, The White House, PBS NewsHour, O Sul, CNN, Lawfare, Deutsche Welle (DW), Los Angeles Times, CNN Brasil, The New York Times ■