Organizações como ALBA, MST e uma rede internacional de entidades convocam atos de solidariedade e repúdio à ofensiva dos EUA; paradeiro de Maduro é declarado desconhecido por autoridades venezuelanas
A ofensiva e a resposta imediata
Na madrugada de sábado, 3 de janeiro de 2026, ataques militares dos Estados Unidos atingiram alvos na Venezuela, incluindo bases militares, aeroportos e instalações civis, segundo comunicado do governo venezuelano. A vice-presidente Delcy Rodríguez declarou que o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores era desconhecido e exigiu uma "prova de vida imediata". O governo venezuelano rejeitou a "grave agressão militar", classificando-a como uma violação flagrante do direito internacional.
Movimentos sociais convocam resistência global
A reação de organizações e movimentos sociais foi rápida e contundente, com convocações para protestos em diversas partes do mundo:
- ALBA Movimentos: A plataforma da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) repudiou a "gravíssima agressão militar" e conclamou os movimentos populares a se manifestarem. Em nota, acusou os EUA de buscarem o controle dos recursos estratégicos venezuelanos, como petróleo e ouro, "por meio de uma lógica colonial de guerra, intervenção e mudança de regime".
- MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra): O movimento brasileiro emitiu nota classificando o ataque como o "ponto máximo de uma série de agressões à soberania da Venezuela". O MST denunciou o que chamou de "sequestro" de Maduro e informou que seus integrantes que estão no país estão em segurança. Convocou "todas as organizações populares do Brasil e do mundo a se somarem em solidariedade à Venezuela".
- Protestos na Europa: Organizações internacionalistas convocaram uma concentração para domingo, 4 de janeiro, em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Madrid, sob o lema "Contra a agressão imperialista. Por a paz e a soberania dos povos".
- Outras entidades brasileiras: O Movimento Brasil Popular, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) também emitiram notas de repúdio. A CUT afirmou que os ataques são "uma afronta direta à estabilidade democrática de toda a nossa região".
Reação internacional dividida
Enquanto movimentos sociais se mobilizam, a reação de governos nacionais evidencia uma profunda divisão geopolítica:
- Condenações: Rússia, China, Irã, Cuba, México, Chile, Espanha e Colômbia condenaram os ataques. A China os qualificou como "uso flagrante da força", e a Colômbia alertou para o risco de escalada na região. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou a ofensiva, definindo-a como uma "afronta gravíssima à soberania da Venezuela" e um "precedente extremamente perigoso".
- Cautela no Ocidente: A União Europeia, por meio de sua alta representante Kaja Kallas, reagiu com cautela, evitando uma condenação explícita e reiterando que não reconhece a legitimidade de Nicolás Maduro.
Contexto histórico de tensão crescente
Os ataques ocorrem após um longo período de aumento das tensões. Em dezembro de 2025, durante a XXV Cúmbre da ALBA, o presidente Maduro já propunha uma "resistência unida, popular, prolongada" dos países do bloco frente ao que chamou de "projeto colonizador". Na mesma reunião, foi condenado o "ato de pirataria" pela apreensão de um navio petroleiro venezuelano pelos EUA.
A relação histórica de alguns movimentos com a Venezuela também é profunda. O MST, por exemplo, mantém uma brigada internacionalista no país e desenvolve projetos conjuntos de soberania alimentar, o que explica sua resposta imediata e organizada.
Com informações de: Brasil de Fato, ALBATCP, EFE, Cubainformación, AbrilAbril ■