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Manifestantes tomam as ruas nos EUA contra intervenção militar na Venezuela após captura de Maduro
Coalizão antibelicista ANSWER convoca protestos urgentes em múltiplas cidades americanas
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 03/01/2026

Neste sábado, 3 de janeiro de 2026, cidades dos Estados Unidos foram palco de manifestações simultâneas contra uma nova guerra, convocadas de forma urgente pela coalizão antibelicista ANSWER. Os protestos ocorrem em resposta à operação militar ordenada pelo presidente Donald Trump contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram retirados do país. Em um comunicado, a ANSWER classificou o ataque como "o começo de outra guerra, baseada completamente em mentiras".

O contexto imediato dos protestos são os ataques aéreos e a ação de forças especiais confirmados na madrugada deste sábado. Por volta das 02:00 (hora local), explosões foram registradas em Caracas e outras cidades venezolanas. O presidente Trump anunciou que Maduro e sua esposa foram "capturados e retirados do país" e estão a caminho de Nova York para enfrentar acusações por narcoterrorismo. O Departamento de Justiça americano afirma que eles "em breve enfrentarão a total ira da justiça americana em solo americano".

O Chamado aos Protestos e a Resposta nas Ruas

Sob o lema "¡No a la guerra contra Venezuela!", a ANSWER espera a adesão de milhares de pessoas. As mobilizações principais estão concentradas em frente à Casa Branca, em Washington D.C., e no icônico Times Square, em Nova York. No entanto, os protestos estão programados para ocorrer em dezenas de outras cidades, incluindo:

  • Anchorage, Alaska
  • Los Angeles, San Diego e San Francisco, Califórnia
  • Charlotte, Carolina do Norte
  • Atlanta, Savannah, Geórgia
  • Nova York, Nova York
  • Eugene, Oregon
  • Pittsburgh, Pensilvânia
  • Phoenix, Arizona
  • San Marcos, Texas

Os organizadores argumentam que o conflito não se trata de narcotráfico ou democracia, mas sim de "roubar o petróleo da Venezuela e dominar a América Latina". Eles também alertam que, em uma guerra total, "serão os jovens da classe trabalhadora quem serão enviados para matar e morrer, não os filhos dos executivos da ExxonMobil e da Lockheed Martin". A ANSWER afirma que mais de 70% do povo americano se opõe a uma nova guerra.

Reações Contrastantes: Celebração e Condenação

Enquanto os protestos da ANSWER tomam forma, a diáspora venezolana e a comunidade internacional apresentam reações profundamente divididas:

  • Celebração em South Florida: Em Doral, na Flórida, uma grande concentração de venezuelanos saiu às ruas ao amanhecer. Houve cânticos de "Libertad!", e as pessoas entoaram os hinos nacional da Venezuela e dos EUA, em um momento descrito por muitos como aguardado há décadas.
  • Posicionamento da Oposição Venezuelana: Maria Corina Machado, líder da oposição e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, não se manifestou imediatamente após a captura. Entretanto, em meados de dezembro, ela havia expressado apoio à estratégia de Trump, afirmando ser "muito grata" a ele e dizendo que bem-vinda era "mais e mais pressão para que Maduro entenda que tem que sair".
  • Condenação Internacional: A União Europeia pediu "contensão" e respeito ao direito internacional. A Rússia e o Irã condenaram veementemente os ataques, com Moscou os classificando como "um ato de agressão armada" e Teerã como uma "flagrante violação da soberania nacional".
  • Resposta do Chavismo: O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) emitiu um comunicado convocando a "mobilização imediata de toda a sua militancia" e exigindo a devolução "imediata" de Maduro. O Partido Comunista da Venezuela também condenou a "agressão imperialista". O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, declarou que o país "prevalecerá... não negociará... não desistirá".

Antecedentes de uma Crise em Escalada

A intervenção militar é o capítulo mais recente de uma crise que se intensificou ao longo de 2025. As ações preliminares incluíram:

  1. Deslocamento Militar: Desde agosto de 2025, os EUA enviaram diversos navios de guerra para o Caribe, incluindo o porta-aviões USS Gerald R. Ford.
  2. Ataques a Embarcações: A administração Trump conduziu uma série de ataques a mais de 30 barcos suspeitos de tráfico de drogas, causando dezenas de mortes, incluindo civis.
  3. Justificativa Legal: Em agosto, Trump assinou uma ordem executiva permitindo o uso de força militar contra cartéis de droga latino-americanos designados como organizações terroristas estrangeiras. O governo venezuelano e o Cartel de los Soles foram alvos dessa designação.
  4. Aumento da Recompensa: A recompensa por informações que levassem à captura de Maduro foi dobrada para US$ 50 milhões.

Esta sequência de eventos ecoa operações históricas dos EUA na região, como a invasão do Panamá em 1989 para capturar o líder Manuel Noriega – que, coincidentemente, se rendeu às forças americanas também em um 3 de janeiro, 36 anos atrás.

O Sentimento da Diáspora e o Caminho à Frente

A comunidade venezuelana nos EUA, estimada em mais de meio milhão de pessoas, não tem uma posição unificada. Entrevistas com venezuelano-americanos em Los Angeles revelam um espectro de opiniões: de Manuel, que apoia uma intervenção militar "com impacto mínimo nos civis" para restaurar a democracia, a Lorena, que após anos de oposição à força militar, tornou-se mais receptiva à pressão de Trump diante da estagnação política. Ambos, contudo, compartilham o desejo por um "rápido retorno à democracia".

Enquanto isso, o governo Trump já sinaliza seus interesses pós-operação. O presidente afirmou que os EUA estarão "fortemente envolvidos" na indústria petrolífera venezolana. Um senador republicano afirmou que o Secretário de Estado Marco Rubio antecipa "nenhuma ação adicional na Venezuela" agora que Maduro está sob custódia americana. O futuro imediato do país sul-americano, no entanto, permanece incerto, com o governo venezuelano exigindo provas de vida e a localização de seu presidente.

Com informações de: Prensa Latina, CBS News, Al Jazeera, Wikipedia, El Nuevo Diario, San Fernando Valley Sun, Prensa Latina ■

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