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Em uma nova virada no tenso cenário geopolítico do Caribe, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quinta-feira (1º) que está “pronto” para um acordo de combate ao narcotráfico com os Estados Unidos e para expandir investimentos americanos no setor petrolífero do país. A declaração, feita em entrevista ao canal estatal VTV, surge como um contraponto diplomático dias depois que o presidente Donald Trump confirmou um ataque militar dentro do território venezuelano – operação que, segundo o jornal The New York Times, foi conduzida pela CIA.
Maduro, no entanto, não mencionou o ataque ao porto venezuelano em suas declarações públicas, mantendo silêncio sobre o que especialistas consideram uma escalada sem precedentes na campanha de pressão de Washington contra seu governo. Enquanto isso, dois navios petroleiros teriam chegado à Venezuela recentemente, desafiando o bloqueio naval imposto pelos EUA.
Em suas declarações, o líder venezuelano delineou três áreas potenciais para negociação com Washington:
O presidente condicionou qualquer avanço à existência de “racionalidade e diplomacia” por parte do governo Trump.
Em contraste com a abertura verbal de Maduro, a ação militar dos EUA marcou um novo patamar no conflito. Na segunda-feira (29), Trump anunciou que forças americanas causaram “uma grande explosão na área do cais onde as drogas são carregadas nos navios” na Venezuela. Fontes do governo americano citadas pelo The New York Times detalharam que se tratou de um ataque conduzido pela CIA contra um porto utilizado pelo grupo criminoso Tren de Aragua para estocar narcóticos e preparar embarcações.
Este é considerado o primeiro ataque terrestre confirmado realizado pelos Estados Unidos dentro do território venezuelano desde o início da campanha militar no Caribe. Até o momento, o governo venezuelano não se pronunciou oficialmente sobre essa operação específica.
A oferta de diálogo ocorre em um momento de máxima pressão militar e econômica sobre Caracas:
A postura de Maduro é vista como um movimento tático para dividir a comunidade internacional e explorar possíveis fissuras na frente de pressão liderada por Washington. Seu silêncio sobre o ataque ao porto pode indicar uma tentativa de não inflamar ainda mais a situação militarmente ou de negociar em segredo.
Do lado americano, Trump continua a justificar as operações militares como parte de um “conflito armado” contra cartéis de drogas, alegando reduções drásticas no fluxo de narcóticos – afirmações feitas sem apresentar evidências públicas. O anúncio recente de que a CIA está autorizada a realizar operações secretas na Venezuela sugere que a campanha de pressão deve continuar, independentemente dos chamados para o diálogo.
A chegada de petroleiros, incluindo de bandeira chinesa, ao litoral venezuelano, desafiando o bloqueio, adiciona outra camada de complexidade ao conflito, potencialmente envolvendo outros atores globais.
Com informações de: CNN Brasil, G1, BBC, Democracy Now, ABC News, Swissinfo ■