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Em uma declaração a bordo do Air Force One no domingo (30), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que teve uma ligação telefônica com seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro. Sobre o teor da conversa, Trump foi evasivo: "Não diria que foi bem ou mal. Foi uma ligação telefônica". No entanto, a imprensa americana relata que a conversa, revelada inicialmente pelo New York Times e Wall Street Journal, pode ter envolvido um ultimato.
Segundo essas informações, Trump teria oferecido a Maduro e sua família passagem livre para deixar a Venezuela em troca de sua renúncia, proposta que encontraria eco em declarações de congressistas republicanos. Até o momento, nem Maduro nem membros de seu alto escalão comentaram publicamente sobre o diálogo.
A confirmação da ligação ocorreu no mesmo dia em que Nicolás Maduro reapareceu publicamente após dias sem aparições oficiais, que alimentaram rumores de que teria fugido do país. O presidente venezuelano participou de uma premiação de cafés nos arredores de Caracas, onde provou cafés e cumprimentou produtores, sem fazer qualquer menção à crise política ou aos Estados Unidos.
Esta foi sua segunda demonstração pública de normalidade em dias. Na sexta-feira (29), Maduro foi filmado dirigindo por uma avenida movimentada da capital, dizendo "Tudo está bem, como podem ver. A vida normal continua", em clara resposta às ameaças e aos boatos sobre seu paradeiro.
A delicada diplomacia se desenrola sobre um pano de fundo de extrema tensão militar. Os Estados Unidos mantêm uma operação antinarcóticos no Caribe desde setembro, com ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas que já resultaram na morte de pelo menos 80 pessoas. A Venezuela classifica esses ataques como "execuções extrajudiciais" e alega que as vítimas são pescadores.
Enquanto busca demonstrar firmeza internamente, Maduro acionou fóruns internacionais. Em uma carta à OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), denunciou a incursão militar dos EUA e afirmou que o objetivo Washington é se apoderar das vastas reservas de petróleo venezuelanas.
Na carta, ele detalhou que o destacamento americano inclui mais de 14 navios de guerra e 15 mil soldados, e pediu ajuda ao grupo para deter a "agressão". A ministra venezuelana Delcy Rodríguez foi mais direta: "Eles querem as reservas de petróleo e gás da Venezuela. De graça, sem pagar nada".
Porém, analisando o contexto regional, Maduro enfrenta um crescente isolamento político. A recente derrota eleitoral do primeiro-ministro aliado Ralph Gonsalves em São Vicente e Granadinas, após 25 anos no poder, é vista como um revés significativo para a influência chavista no Caribe. Tendências políticas similares em países como Argentina, Chile e Bolívia sugerem um enfraquecimento do eixo de governos alinhados a Caracas na América Latina.
A confirmação do contato direto entre Trump e Maduro abre uma frágil fresta para a diplomacia, mas ela é ofuscada pela retórica belicosa, movimentos militares e acusações graves de ambos os lados. O reaparecimento público de Maduro serve para afirmar sua autoridade perante o mundo e sua população, enquanto a oferta de exílio, se confirmada, mostra que os EUA consideram uma saída negociada para a crise. O caminho à frente permanece incerto, balançando entre a mesa de negociações e a iminência de um conflito aberto, com o petróleo venezuelano e o combate ao narcotráfico no centro da disputa.
Com informações de: CBN, Público, G1, Agência Brasil, Euronews, Anews, UOL, ABC ■