Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Trump anuncia Cuba como próxima vítima de ataque
Presidente dos EUA pede que mídia “desconsidere” declaração em meio a crise energética na ilha e negociações em andamento
America do Norte
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRQA1zU2tpbpmtyko7uN2AhE050aC46G2lY6g&s
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 28/03/2026

Em um discurso que acendeu alertas na comunidade internacional e gerou repercussão imediata na geopolítica da região, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na última sexta-feira (27 de março de 2026) que Cuba é a próxima a ser alvo de ações norte-americanas. A fala ocorreu durante a conferência Future Investment Initiative (FII), realizada em Miami, Flórida, um evento com forte presença de investidores globais e patrocínio da Arábia Saudita.

A declaração foi feita momentos após Trump elogiar as operações militares recentes conduzidas pelos EUA, destacando a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro e o início dos ataques conjuntos contra o Irã em fevereiro. "Eu construí esse grande exército. Eu disse que vocês nunca teriam que usá-lo, mas às vezes vocês têm que usá-lo. E Cuba é a próxima, a propósito", afirmou o presidente, que rapidamente tentou minimizar o próprio comentário. "Mas finjam que eu não disse isso. Finjam que eu não disse. Por favor, por favor, por favor, mídia, por favor, desconsiderem essa declaração. Muito obrigado. Cuba é a próxima".

As falas, que foram recebidas com risos por parte do público presente, representam uma escalada no tom beligerante da administração Trump em relação ao governo de Miguel Díaz-Canel, intensificando a pressão sobre a ilha caribenha que já enfrenta uma das piores crises econômicas e energéticas de sua história.

Contexto de tensão e ações militares anteriores
A ameaça de Trump não surge isoladamente, mas como parte de um padrão de ações agressivas dos Estados Unidos no início de 2026. Em 3 de janeiro, forças militares dos EUA invadiram a Venezuela, capturando Nicolás Maduro em uma operação que resultou na morte de dezenas de cubanos que faziam parte da equipe de segurança do presidente venezuelano. Em 28 de fevereiro, os EUA se uniram a Israel em uma ofensiva massiva contra o Irã, desencadeando uma crise no Oriente Médio que já dura cinco semanas.

Ao elencar essas operações como "sucessos" e imediatamente mencionar Cuba, o presidente sinalizou que a ilha pode ser o próximo ponto de conflito, alinhando-se a ameaças anteriores feitas por ele. No início de março, Trump já havia dito que Cuba iria "cair muito em breve" e, em 16 de março, afirmou que teria a "honra de tomar Cuba" de alguma forma, declarando: "Quer dizer, se eu a libertar, tomá-la... Eu acho que posso fazer qualquer coisa que eu quiser com ela".

A crise em Cuba e o bloqueio energético
A fala de Trump ocorre em um momento de extrema fragilidade para Cuba. A ilha enfrenta uma grave crise de energia e combustível, agravada significativamente pela interrupção das remessas de petróleo venezuelano, que eram vitais para o país. Desde a queda de Maduro, os EUA impuseram um bloqueio de facto sobre o petróleo destinado a Cuba, ameaçando sanções a qualquer nação que tente abastecer a ilha.

As consequências são imediatas e devastadoras. A população cubana tem enfrentado apagões diários, incluindo dois blecautes nacionais em uma única semana. A escassez de combustível levou ao racionamento, hospitais tiveram que suspender cirurgias eletivas, escolas reduziram o funcionamento e o preço da gasolina no mercado negro atingiu cerca de 35 dólares por galão. Segundo o vice-ministro de Energia e Minas de Cuba, Argelio Abad Vigo, o país passou três meses sem receber suprimentos de óleo combustível, diesel, GLP, gasolina ou querosene de aviação. O governo cubano tem classificado a política de Washington como uma "asfixia energética".

Diplomacia paralela e ambiguidade estratégica
Apesar das ameaças contundentes, há um movimento paralelo de negociação entre Washington e Havana. O presidente Miguel Díaz-Canel confirmou que estão em curso conversas com a administração Trump na tentativa de evitar uma confrontação militar direta. Autoridades dos EUA indicam que o objetivo seria "a conformidade do regime, não a mudança de regime", sugerindo uma estratégia complexa que combina pressão máxima com canais diplomáticos abertos.

O secretário de Estado, Marco Rubio, cuja família é de origem cubana, tem sido peça-chave nesse processo. Horas antes da fala de Trump, Rubio discutiu a situação de Cuba com seus colegas do G7 em Paris e declarou que a economia da ilha "precisa mudar", vinculando isso a uma alteração no sistema de governo. Em suas redes sociais, Rubio também criticou o modelo econômico cubano, classificando-o como "fracassado".

Reações e o que está em jogo
A declaração de Trump gerou ondas de preocupação entre analistas e governos da região. A ambiguidade proposital do presidente — ameaçar e imediatamente pedir para "desconsiderar" — é vista como uma tática para manter a pressão enquanto explora todas as opções, desde uma intervenção militar até uma "tomada amigável", conceito mencionado por ele anteriormente.

Enquanto isso, o governo cubano reafirma sua posição de resistência. Díaz-Canel declarou recentemente que qualquer agressor externo enfrentará uma "resistência inquebrantável". O vice-chanceler cubano, Carlos Fernández de Cossío, destacou a resiliência histórica do país, lembrando que os EUA, "a nação mais poderosa do mundo, dedicou quase sete décadas para tentar destruir o sistema de governo de Cuba e ainda assim falhou".

A situação na ilha, no entanto, continua a se deteriorar rapidamente. Projeções indicam que o PIB cubano pode cair mais 7,2% em 2026, aprofundando uma recessão que já dura anos. A combinação de sanções renovadas, a perda do aliado venezuelano e a crescente pressão retórica da Casa Branca coloca o governo cubano diante de seu maior desafio em décadas, enquanto a população sofre as consequências diárias da escassez.

Histórico de tensões
As relações entre EUA e Cuba têm sido marcadas por hostilidade desde a revolução cubana de 1959, que levou Fidel Castro ao poder. O embargo econômico imposto pelos EUA é um dos mais longos da história moderna. Após um breve período de distensão durante o governo Barack Obama, com a reabertura de embaixadas em 2015, a relação voltou a se deteriorar no primeiro mandato de Trump, que endureceu sanções e redesignou Cuba como estado patrocinador do terrorismo. No atual segundo mandato, o presidente intensificou essas medidas, incluindo novas sanções ao setor de turismo, que era uma das poucas fontes de divisas para o país.

A ameaça de "Cuba é a próxima", portanto, não apenas representa um novo capítulo nessa longa história de confrontos, mas também sinaliza uma mudança tática: o uso da força militar como ferramenta primária de política externa nas Américas, seguindo o modelo aplicado recentemente na Venezuela e no Oriente Médio.

Com informações de Xinhua, Newsweek, Vanguard News, Bhaskar English, Hindustan Times, Pune Times Mirror, The Indian Express, JIJI PRESS, Scroll.in ■

Mais Notícias