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Ataques de Israel no Líbano matam paramédicos e jornalistas
Ofensiva israelense no sul do país atinge equipes de resgate e profissionais da imprensa, elevando o número de vítimas e gerando condenações internacionais por violações do direito humanitário
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 28/03/2026

A escalada do conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano atingiu um novo patamar de gravidade neste sábado (28), com uma série de ataques aéreos que resultaram na morte de profissionais da saúde e jornalistas que atuavam na região sul do país. De acordo com autoridades libanesas e organismos internacionais, as ofensivas configuram uma escalada preocupante contra civis protegidos por convenções internacionais.

O ponto mais crítico do dia ocorreu na cidade de Jezzine, no sul do Líbano, onde um ataque aéreo israelense atingiu um carro no qual transitavam quatro profissionais de imprensa. Três deles não resistiram. As vítimas foram identificadas como Ali Shoaib, correspondente da emissora Al-Manar (afiliada ao Hezbollah), Fatima Ftouni, repórter do canal Al Mayadeen, e Mohammad Ftouni, cameraman também do Al Mayadeen e irmão de Fatima. Um quarto ocupante do veículo também morreu no ataque.

A resposta das Forças de Defesa de Israel (IDF) sobre o episódio foi direcionada especificamente a Ali Shoaib. Em comunicado, os militares afirmaram que o jornalista era membro da unidade de inteligência da força de elite Radwan do Hezbollah, atuando “sob o disfarce de jornalista” para expor posições de soldados israelenses e divulgar propaganda do grupo. A IDF não comentou sobre as mortes de Fatima e Mohammad Ftouni.

A reação do governo libanês foi imediata e dura. O presidente Joseph Aoun classificou o ataque como um "crime flagrante" que viola as regras mais básicas do direito internacional. Em nota oficial, Aoun destacou que os jornalistas são civis desempenhando um dever profissional e que gozam de proteção especial em tempos de guerra, conforme as Convenções de Genebra e a Resolução 1738 do Conselho de Segurança da ONU. O primeiro-ministro Nawaf Salam também condenou o ocorrido, chamando-o de "violação flagrante do direito humanitário internacional".

Além das mortes entre a imprensa, este sábado foi um dos dias mais letais para os profissionais de saúde no Líbano desde o início das hostilidades em 2 de março. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que nove paramédicos foram mortos e outros sete ficaram feridos em cinco ataques distintos contra equipes de emergência que estavam em serviço. Os ataques atingiram equipes nas localidades de Zoutar al-Sharqiya, Kfar Tibnit, Ghandouriyeh e Jezzine.

O Ministério da Saúde libanês atualizou os números gerais do conflito, revelando um cenário devastador:

  • 51 profissionais do setor de saúde mortos desde o início da guerra, sendo 46 paramédicos e 5 funcionários da área da saúde.
  • Registro de 70 ataques a equipes de ambulâncias e emergência, resultando em danos a 9 hospitais, 18 centros de ambulâncias e 44 veículos.
  • Mais de 1.189 mortes no total no Líbano desde 2 de março, incluindo pelo menos 124 crianças.
  • Quatro hospitais e 51 centros de atenção primária à saúde foram forçados a fechar, enquanto outras unidades operam com capacidade reduzida devido aos danos.

Em resposta aos ataques, o Ministro da Informação do Líbano, Paul Morcos, formalizou uma lista de violações contra jornalistas e equipes médicas ao Ministério das Relações Exteriores. O objetivo é documentar o que o governo libanês classifica como "violações graves das disposições das Convenções de Genebra de 1949 e seus Protocolos Adicionais", buscando responsabilização nos fóruns internacionais. Morcos ressaltou que o ataque aos jornalistas constitui uma violação clara do princípio da distinção entre civis e combatentes, fundamental para o direito internacional humanitário.

O contexto do ataque ocorre em meio ao colapso do cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Desde que o Hezbollah lançou foguetes contra o norte de Israel em 2 de março, em retaliação pela morte do líder do Irã e por ataques israelenses anteriores, as forças israelenses intensificaram suas operações no Líbano. O objetivo declarado por Israel é proteger suas comunidades no norte contra as investidas do Hezbollah. Organizações de defesa dos direitos humanos e agências da ONU têm demonstrado crescente preocupação com a repetição de táticas observadas em outros conflitos na região, que incluem o ataque deliberado a ambulâncias e a profissionais da imprensa, acusações que Israel nega veementemente.

A comunidade internacional ainda reage aos episódios. A OMS reiterou que os repetidos ataques à saúde estão interrompendo severamente o acesso aos cuidados essenciais no sul do Líbano, em um momento em que a necessidade é mais crítica. As mortes de sábado contribuem para tornar março de 2026 o segundo mês mais mortal para trabalhadores de saúde no Líbano desde que a OMS começou a monitorar esses ataques em outubro de 2023.

Com informações de Agence France-Presse (AFP), Xinhua News, CNN, BBC News, MTV Lebanon, Haaretz, Dawn e Channel 4 ■

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