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EUA e Israel atacam usinas nucleares iranianas
Operações combinadas atingem reator de água pesada e usina de urânio; Teerã promete resposta “além da reciprocidade” enquanto tensão global se intensifica
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 27/03/2026

Nos últimos dias, forças militares dos Estados Unidos e de Israel realizaram uma série de ataques coordenados contra instalações estratégicas do programa nuclear iraniano. A ofensiva, que atingiu ao menos três grandes complexos industriais e de pesquisa, ocorre após semanas de hostilidades crescentes na região do Golfo e marca uma ampliação significativa do confronto aberto entre as potências ocidentais e a República Islâmica do Irã.

De acordo com relatos da imprensa estatal iraniana e comunicados oficiais das Forças de Defesa de Israel (IDF), os ataques mais recentes aconteceram na sexta-feira, 27 de março de 2026, e atingiram o reator de água pesada de Khondab (Arak) e a usina de produção de yellowcake em Ardakan (Yazd). Fontes israelenses confirmaram que os alvos foram selecionados por seu papel essencial no ciclo de produção de plutônio e na etapa inicial de beneficiamento do urânio.

O Complexo de Água Pesada Shahid Khondab, localizado a noroeste de Arak, é considerado peça-chave na via do plutônio para armas nucleares, enquanto a fábrica de Ardakan processa o concentrado de urânio conhecido como yellowcake – etapa indispensável para o enriquecimento posterior. As operações foram executadas pela Força Aérea Israelense com apoio logístico e de inteligência dos Estados Unidos, segundo fontes de defesa ouvidas pelas agências internacionais.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, o porta-voz militar israelense declarou que “não permitiremos que o regime iraniano prossiga com seu programa de armas nucleares”, acrescentando que os ataques visam “infraestrutura crítica diretamente vinculada à produção de material fissionável”. Horas antes das investidas, o Exército de Israel havia emitido alertas de evacuação para civis nas proximidades de Arak, indicando que a operação era iminente.

Do lado iraniano, a Organização de Energia Atômica do Irã confirmou os ataques, mas ressaltou que “não houve vazamento de material radioativo” e que as instalações afetadas já haviam sido alvo de bombardeios anteriores, em junho de 2025. A agência estatal Tasnim afirmou que os ataques violam o direito internacional e o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), além de representarem uma ameaça à segurança regional.

Uma semana antes, no dia 20 de março, EUA e Israel já haviam atingido a usina de enriquecimento de urânio de Natanz, uma das mais protegidas do país. Na ocasião, foram empregadas bombas “bunker buster” (destruidoras de bunkers) em uma ação que reacendeu os temores de uma guerra prolongada. O governo iraniano classificou a agressão como “ato de guerra” e iniciou uma série de represálias contra alvos associados a Israel e aos Estados Unidos em toda a região do Oriente Médio.

Em resposta à escalada, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) emitiu um ultimato contundente. Por meio de seu comandante da Força Aeroespacial, Seyed Majid Moosavi, o IRGC declarou que “a equação não será mais ‘olho por olho’” e que trabalhadores de indústrias ligadas a empresas norte-americanas ou israelenses devem abandonar imediatamente seus locais de trabalho na região, citando “operações retaliatórias em andamento”.

Além das ameaças diretas, o Irã reforçou sua estratégia de controle sobre o Estreito de Ormuz, ponto crítico para o escoamento do petróleo mundial. A marinha iraniana declarou que a via está “fechada” para embarcações com destino a portos de nações inimigas, enquanto o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a comunidade internacional precisa ter um plano unificado para garantir a liberdade de navegação, descrevendo as ações de Teerã como “ilegais e inaceitáveis”.

As movimentações diplomáticas ocorrem em meio a declarações contraditórias. Após reuniões do G7 em Paris, Rubio declarou que os objetivos militares dos EUA no Irã estão “adiantados” e que a operação pode ser concluída em semanas, sem a necessidade de uma invasão terrestre em larga escala. No entanto, milhares de soldados norte-americanos, incluindo um contingente da 82ª Divisão Aerotransportada, foram deslocados para o Oriente Médio, o que aumentou a tensão entre os analistas.

Do outro lado, o Irã mantém uma postura de desafio. Autoridades de Teerã enviaram “mensagens” aos mediadores, mas ainda não aderiram formalmente ao plano de 15 pontos proposto pela Casa Branca. O vice-presidente iraniano, Esmael Saghab Esfahani, alertou que qualquer tentativa de invasão terrestre faria o preço do petróleo disparar para mais de 150 dólares o barril, sinalizando que a crise energética global pode se agravar.

As consequências humanitárias já são sentidas em toda a região. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, causou mais de 1.900 mortes no Irã e 1.100 no Líbano, além de deslocar mais de um milhão de pessoas. A ONU criou uma força-tarefa para tentar mitigar os efeitos da guerra no abastecimento de alimentos e ajuda humanitária, enquanto ataques a infraestruturas civis, incluindo um ataque que atingiu uma escola em Minab, geraram condenações internacionais.

Abaixo, os principais alvos confirmados nos ataques combinados:

  • Usina de enriquecimento de Natanz: atingida em 20 de março com bombas bunker buster. Considerada o coração do programa de enriquecimento iraniano.
  • Complexo de Água Pesada de Khondab (Arak): alvo do ataque de 27 de março. Essencial para a produção de plutônio.
  • Usina de yellowcake de Ardakan (Yazd): também atacada no dia 27. Responsável pela conversão de minério de urânio em concentrado.

Além da infraestrutura nuclear, as forças israelenses afirmam ter atingido centros de pesquisa de armas químicas e infraestrutura militar da Guarda Revolucionária, embora esses ataques não tenham sido detalhados oficialmente. O Irã, por sua vez, segue realizando disparos de mísseis e drones contra alvos em países do Golfo e contra instalações israelenses, ampliando o escopo geográfico do conflito.

A posição da comunidade internacional permanece fragmentada. Enquanto o G7 emitiu uma declaração conjunta pedindo a cessação dos ataques contra civis e a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, países como Rússia e China criticaram a ofensiva ocidental, acusando Washington e Tel Aviv de violarem a soberania iraniana. O governo turco intensificou os esforços diplomáticos para tentar mediar um cessar-fogo.

À medida que a guerra completa quase um mês, analistas temem que os ataques coordenados às usinas nucleares representem uma tentativa de eliminar permanentemente a capacidade de enriquecimento do Irã, empurrando Teerã para uma resposta militar de grande escala. A população civil em cidades como Teerã e Beirute convive com apagões, interrupções de serviços e a constante ameaça de novos bombardeios. “Estamos presos entre três potências loucas, e a guerra é aterrorizante”, desabafou uma moradora da capital iraniana em relato à imprensa.

A cobertura dos eventos baseia-se nas informações atualizadas fornecidas por agências de notícias globais, serviços públicos de radiodifusão e fontes oficiais dos envolvidos, todas devidamente consolidadas nas principais plataformas de imprensa mundial.

BERNAMA (Malaysian National News Agency), The Jerusalem Post, Associated Press (AP News), Channel News Asia (CNA), Arab Times Kuwait, CGTN, ANI News, NewsNation, Reuters, e AFP ■

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