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Irã ameaça instalações energéticas do Golfo e nega qualquer acordo ou conversa com Trump
Teerã rejeita relatos sobre negociações diretas com os EUA e eleva tom contra infraestrutura petrolífera na região do Golfo Pérsico
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 23/03/2026

O governo do Irã voltou a elevar o tom nesta semana ao ameaçar instalações energéticas estratégicas no Golfo Pérsico, ao mesmo tempo em que negou categoricamente a existência de qualquer acordo ou mesmo conversas com a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração, feita por autoridades da Guarda Revolucionária e do Ministério das Relações Exteriores, busca desmentir informações que circularam em veículos internacionais sobre um possível canal de negociação entre Teerã e Washington.

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Nasser Kanaani, “não há negociações em andamento com o governo americano, nem diretas nem indiretas, e qualquer relato sobre um acordo é pura especulação sem fundamento”. As declarações ocorrem em meio a crescentes tensões na região, após uma série de trocas de ataques entre forças aliadas de Israel e grupos apoiados pelo Irã, além de incursões navais norte-americanas no Golfo de Omã.

Simultaneamente, o comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, Amir Ali Hajizadeh, enfatizou que as infraestruturas energéticas dos países do Golfo estão “ao alcance das forças iranianas” e que qualquer erro de cálculo por parte de adversários resultará em uma resposta que atingirá “as fontes de energia das quais dependem os inimigos”. Analistas apontam que a ameaça direta a oleodutos, terminais de exportação e campos de petróleo no Golfo Pérsico representa uma escalada retórica que busca dissuadir eventuais ataques preventivos contra instalações nucleares ou militares iranianas.

Os principais pontos da crise atual incluem:

  • Recusa iraniana a negociações: Teerã nega qualquer canal de diálogo com a Casa Branca, contrariando relatos não confirmados de que Trump teria enviado mensagens por meio de intermediários.
  • Ameaça a instalações energéticas: Autoridades militares iranianas afirmaram que plataformas de petróleo e gás, tanto em águas do Golfo quanto em territórios vizinhos, seriam alvos imediatos em caso de agressão.
  • Contexto militar: Forças dos EUA reforçaram sua presença na região nas últimas semanas, enquanto Israel mantém alerta máximo contra possíveis ataques de drones e mísseis de longo alcance.
  • Impacto global: As ameaças geraram volatilidade nos preços do petróleo, com temores de interrupção no fluxo do Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% do petróleo mundial.

Especialistas em segurança energética ouvidos pela imprensa internacional avaliam que a estratégia iraniana combina retórica de dissuasão com a demonstração de capacidade de saturação de defesas antiaéreas na região. Nos últimos dias, Teerã exibiu novos mísseis balísticos e uma frota de drones de ataque, reforçando a mensagem de que pode retaliar contra alvos críticos de maneira assimétrica.

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, em resposta, afirmou que Washington continuará a proteger seus interesses e os de seus aliados na região, sem entrar em detalhes sobre possíveis contatos diplomáticos. “A administração está focada na dissuasão e na segurança energética global”, declarou, sem confirmar nem negar a existência de conversas reservadas.

  1. Irã ameaça terminais petrolíferos no Golfo como resposta a qualquer ataque militar.
  2. Autoridades em Teerã descartam negociações com Trump, classificando-as como “boatos infundados”.
  3. Países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) intensificam contatos com Washington para garantir proteção de suas infraestruturas.

Até o momento, não houve interrupção significativa na produção ou exportação de petróleo na região, mas companhias de seguros elevaram os prêmios de risco para embarcações que navegam nas proximidades do Estreito de Ormuz. O impasse diplomático permanece, enquanto a comunidade internacional observa se a retórica bélica se converterá em ação militar ou se um entendimento ainda poderá ser costurado nos bastidores.

Com informações de Reuters, Associated Press (AP), Al Jazeera, Tasnim News Agency, The Wall Street Journal, CNN Internacional, Bloomberg ■

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