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Em meio a tensões políticas em ano eleitoral, o colegiado enterrou o parecer do relator Alfredo Gaspar que pedia a prisão preventiva do filho do presidente Lula, enquanto os advogados de Fábio Luís Lula da Silva intensificaram a retórica contra o que chamam de "uso eleitoral" da investigação.
Em uma reviravolta nos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o colegiado rejeitou nesta sexta-feira (27) o relatório final do deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), que recomendava o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi recebida com forte reação por parte da defesa de Lulinha, que não poupou críticas ao que considera uma manobra com fins políticos e eleitorais .
A defesa de Lulinha, representada pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, divulgou uma nota oficial à imprensa na qual classifica a tentativa de indiciamento como uma ação movida por interesses alheios à busca pela verdade. O tom do documento é duro e enfatiza o argumento de que o relatório seria uma ferramenta de campanha.
"A recomendação de indiciamento só revela o caráter eleitoral da atuação do relator, e vulgariza a nobre função de fiscalizar delegada de forma atípica pela Constituição Federal ao parlamento brasileiro", declarou o advogado, ecoando a retórica que tem guiado a estratégia da defesa nos últimos dias .
A argumentação jurídica apresentada pelos defensores de Fábio Luís sustenta que não há provas materiais que liguem o empresário às fraudes investigadas no INSS, que envolvem desvios milionários em aposentadorias e pensões. Segundo a nota de Marco Aurélio Carvalho:
O relatório rejeitado, elaborado por Alfredo Gaspar, era extenso e detalhava uma série de acusações contra Lulinha. O documento sugeria o indiciamento por crimes como tráfico de influência, lavagem de dinheiro, organização criminosa e participação em corrupção passiva . Gaspar também havia solicitado ao Senado que acionasse a Justiça para a decretação da prisão preventiva do empresário, alegando "indícios concretos" de risco de fuga, uma vez que Lulinha reside na Espanha e teria deixado o país durante a deflagração da Operação Sem Desconto da Polícia Federal .
A defesa rebateu veementemente a alegação de risco de fuga, classificando o argumento como "frágil". Em suas manifestações, os advogados lembraram que a mudança de Lulinha para a Espanha teve motivação profissional — para trabalhar presencialmente em uma empresa privada — e que ele já retornou ao Brasil em diversas ocasiões, inclusive durante o período apontado como fuga . O advogado Marco Aurélio Carvalho também chamou a narrativa de "desespero, pirotecnia, diversionismo e malabarismo", reforçando a tese de que o objetivo real do relator seria "manchar" a imagem do governo e do presidente Lula a seis meses das eleições .
A articulação política no Congresso foi determinante para a rejeição do parecer. Governistas articularam um relatório paralelo para derrotar o documento proposto por Gaspar. A avaliação nos bastidores do Palácio do Planalto era de que o pedido de prisão, indo além do simples indiciamento, evidenciava o que chamaram de "uso político" da CPMI. Integrantes do governo argumentaram que a medida visava diretamente ao presidente Lula em um momento eleitoral sensível, tentando associá-lo ao esquema criminoso investigado .
A rejeição do relatório marca o encerramento dos trabalhos da CPMI sem a aprovação do parecer que pedia o indiciamento de Lulinha. Embora a comissão não tenha poder de determinar prisões ou condenações — podendo apenas sugerir indiciamentos ao Ministério Público —, o desfecho foi visto pela defesa como uma validação de sua tese sobre a fragilidade das acusações e o suposto "caráter eleitoral" da investigação .
Com informações de G1, UOL Notícias, CNN Brasil, Valor Econômico, R7, JOTA, CartaCapital ■