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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas à política externa dos Estados Unidos durante o 1º Fórum Celac-África, realizado em Bogotá no último sábado (21). Em seu discurso, o mandatário brasileiro alertou que as recentes ações militares e diplomáticas de Washington representam uma estratégia deliberada para restaurar um ordem colonial no hemisfério ocidental. "Querem nos colonizar outra vez", sentenciou Lula, arrancando aplausos dos líderes presentes .
Sem citar nominalmente o presidente Donald Trump, Lula foi contundente ao condenar intervenções unilaterais. Ele classificou como "não democrática" a ação dos EUA na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro, e denunciou a persistência do bloqueio econômico a Cuba. Segundo o petista, tanto o cerco a Caracas quanto as ofensivas contra Teerã demonstram o uso da força para tutelar nações soberanas sob pretextos falsos. "Não podemos viver num mundo de mentiras, em que se constroem inimigos para justificar a destruição", afirmou, batendo na mesa .
Outro ponto central do discurso foi a denúncia sobre a cobiça por recursos naturais. Lula lembrou o histórico de saques ao continente e afirmou que as potências estrangeiras agora visam os minerais críticos e terras raras da América Latina, essenciais para a indústria tecnológica global. "Depois de levarem todo o ouro e a prata, agora querem ser donos dos minerais críticos", declarou, alertando para o risco de um "neoextrativismo". O Brasil possui as segundas maiores reservas mundiais do setor, atrás apenas da China, o que coloca o país no centro da disputa geopolítica .
Lula também dedicou parte de sua fala para criticar duramente a arquitetura multilateral atual. Ele disse estar "indignado com a passividade" dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que, segundo ele, foram criados para manter a paz, mas estão envolvidos em conflitos. O presidente questionou a eficácia do órgão diante das guerras na Ucrânia, em Gaza e no Irã, e defendeu uma reforma que amplie a representatividade do conselho. "Quem tem mais canhão, mais navio e mais dinheiro se acha dono do mundo", disparou .
Além das críticas geopolíticas, o mandatário destacou o custo humano da militarização no Caribe e no Pacífico. Citando dados que apontam mais de 150 mortes desde setembro em ataques a supostas narcolanchas, Lula condenou o uso da força letal como ferramenta de controle sob o pretexto de segurança. Para o presidente, a resposta dos países sul-americanos e africanos deve ser a integração e a defesa intransigente da soberania. "Não somos mais países colonizados. Conquistamos independência e não podemos permitir que se intrometam na integridade territorial de cada país", concluiu .
Com informações de Veja, UOL, AFP, Poder360, Opera Mundi, ICL Notícias, Correio do Povo e teleSUR ■