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Em uma reversão de sua postura anterior, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (16) que os republicanos na Câmara dos Representantes devem votar pela liberação dos arquivos do governo relacionados ao caso do financiador e criminoso sexual Jeffrey Epstein. A mudança ocorre às vésperas de uma votação marcada para esta semana e no rastro da divulgação de e-mails que citam o presidente.
Em uma publicação em sua rede social Truth Social, Trump afirmou: "Os republicanos da Câmara devem votar para liberar os arquivos de Epstein, porque não temos nada a esconder" . Ele repetiu acusações anteriores de que o escândalo é uma "Farsa Democrata" perpetrada por "Lunáticos da Esquerda Radical" para desviar a atenção do sucesso do Partido Republicano.
Esta nova posição representa uma significativa mudança de tom. Apenas na última sexta-feira (14), Trump havia criticado os membros de seu próprio partido que apoiavam a divulgação, classificando-os como "fracos e tolos". A pressão interna por transparência havia criado raras fissuras no Partido Republicano.
O voto na Câmara dos Representantes, que pode ocorrer já na terça-feira, foi forçado por uma petição bipartidária que conseguiu as assinaturas necessárias, inclusive com o apoio de alguns republicanos. O presidente da Câmara, Mike Johnson, disse que acredita que a votação deve ajudar a acalmar alegações de que Trump "tem algo a ver com isso".
A tensão dentro do partido ficou evidente com um episódio envolvendo a deputada Marjorie Taylor Greene, uma das mais fiéis apoiadoras de Trump. O presidente retirou publicamente seu endosso à congressista após suas críticas aos republicanos sobre o manejo dos arquivos de Epstein, entre outras questões.
A mudança de Trump ocorre poucos dias depois que parlamentares democratas divulgaram milhares de páginas de e-mails do espólio de Epstein. As mensagens, trocadas com sua antiga associada Ghislaine Maxwell e com o escritor Michael Wolff, mostram que o financista mencionava Trump com frequência.
Entre as alegações contidas nos e-mails estão:
A Casa Branca rejeitou veementemente as sugestões contidas nos e-mails. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que as mensagens "não provam absolutamente nada" e reiterou a versão de que Trump "expulsou Jeffrey Epstein de seu clube décadas atrás por agir de forma inapropriada com funcionárias".
É de conhecimento público que Trump e Epstein foram amigos e socializaram frequentemente nas décadas de 1990 e 2000, com fotos e registros de voos mostrando Trump no jato privado de Epstein. Trump afirma que a relação terminou por volta de 2004-2005, citando uma briga sobre a contratação de funcionárias do spa do Mar-a-Lago por Epstein, a quem ele acusou de "roubar" suas empregadas.
Em meio à crise política, Trump anunciou na sexta-feira (14) que pedirá ao Departamento de Justiça que investigue as ligações de Epstein com outras figuras proeminentes, incluindo o ex-presidente Bill Clinton e o ex-secretário do Tesouro Larry Summers.
Se aprovada pela Câmara, a legislação que determina a liberação dos arquivos ainda precisaria ser votada e aprovada pelo Senado antes de ser sancionada ou vetada pelo próprio presidente Trump. O desfecho promete manter o caso Epstein no centro do debate político em Washington.
Com informações de: The Guardian, NPR, CNN Politics, BBC, G1, CNN Brasil■