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Os chilenos irão às urnas neste domingo, 16 de novembro de 2025, para uma eleição presidencial que representa um divisor de águas para o país. A disputa coloca frente a frente uma candidata comunista e representantes de uma direita radical em um pleito dominado pelo medo da criminalidade, pela reação à imigração em larga escala e pelo descontentamento com o governo de esquerda do presidente Gabriel Boric.
Oito candidatos buscam suceder Boric, que deixa o cargo em março de 2026. O cenário, no entanto, é dominado por três nomes que representam polos opostos do espectro político .
A segurança pública emergiu como a preocupação número um dos chilenos, superando temas tradicionalmente importantes como economia, saúde e educação . Uma pesquisa global da Ipsos de outubro de 2025 mostrou que 63% dos chilenos consideram a criminalidade sua maior apreensão, colocando o país em segundo lugar entre 30 nações pesquisadas .
As estatísticas refletem essa crise. A taxa de homicídios no Chile mais que duplicou, saltando de 2,32 para cada 100 mil habitantes em 2015 para 6,0 em 2024. Os sequestros também atingiram um recorde histórico de 868 casos no último ano . Esse aumento da violência está intimamente ligado, no debate público, a uma onda migratória sem precedentes. A população de venezuelanos no Chile, por exemplo, explodiu de cerca de 83 mil em 2017 para quase 670 mil em 2024 .
Esse duplo choque – de criminalidade violenta e imigração maciça – criou um terreno fértil para propostas de lei e ordem. No último debate presidencial, as promessas foram de "bala ou prisão" (Kast), "prisão ou cemitério" (Evelyn Matthei, candidata da direita tradicional) e "militares nas ruas" (Kaiser) .
A eleição ocorre sob a sombra da alta rejeição ao governo de Gabriel Boric. Em outubro, 62% da população desaprovava sua gestão, contra apenas 33% de aprovação . A frustração com a incapacidade de sua administração de implementar uma nova Constituição e a percepção de que não conseguiu conter a crise de segurança pesam heavily contra a candidata de seu campo, Jeannette Jara .
Estas são as primeiras eleições presidenciais com voto obrigatório após 13 anos de voto voluntário, o que adiciona uma camada de imprevisibilidade ao resultado, já que cerca de 20% do eleitorado permanecia indeciso dias antes da votação . A maioria das pesquisas, antes da vedeta eleitoral, apontava Jara na liderança com cerca de 30% das intenções de voto, seguida por Kast, com aproximadamente 20%. No entanto, a soma das intenções de voto para os candidatos de direita ultrapassava os 50%, indicando um favoritismo claro para o segundo turno .
Caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos, os dois mais votados se enfrentarão em um runoff em 14 de dezembro, decidindo não apenas a presidência, mas o rumo que o Chile tomará diante de seus desafios mais prementes .
Com informações de CNN Chile, CNN Brasil, El País, CNN Español, UOL e Firstpost. ■