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Venezuela expressa solidaridade a Petro após acusações de Trump
Declarações de alto funcionário venezuelano ocorrem em meio a tensões diplomáticas entre Colômbia e Estados Unidos, com ameaças de ação judicial e suspensão de ajuda militar
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 23/10/2025

O ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, expressou solidariedade ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro, após as recentes acusações e ameaças proferidas contra ele pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A manifestação de apoio ocorreu durante o programa semanal de Cabello, "Com o martelo dando", e marca um posicionamento claro diante da crise diplomática.

"Elevamos nossas palavras de solidaridade com o presidente Petro da Colômbia, ameaçado, apontado, acusado de práticas que só eles (EUA) manifestam", declarou o funcionário venezuelano, que também é secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Cabello foi além e fez uma defesa inédita da gestão do colega colombiano no combate ao narcotráfico, afirmando que Petro "é o primeiro presidente, que eu me lembre, que na Colômbia combate o narcotráfico", e completou: "Não conheci nenhum outro".

O contexto das declarações de Cabello é uma troca de farpas acirrada entre os mandatários de Estados Unidos e Colômbia. Na quarta-feira (23), Trump disse a repórteres que estava suspendendo toda a ajuda militar à Colômbia devido ao alegado papel do país no comércio internacional de narcóticos e advertiu Petro para "tomar cuidado". O presidente americano se referiu ao colombiano como "um matão e um cara muito mau", afirmando ainda que ele "feriu seu país muito gravemente". Em outra ocasião, Trump chamou Petro de "líder do narcotráfico" e chegou a anunciar o fim da ajuda financeira e a imposição de tarifas sobre exportações colombianas.

Do lado colombiano, a resposta de Petro foi contundente. O presidente anunciou por meio de suas redes sociais que iniciará uma defesa judicial nos Estados Unidos para responder às calúnias lançadas contra ele. "Das calunias que foram lançadas contra mim no território dos Estados Unidos por altos funcionários, me defenderei judicialmente com advogados americanos no sistema de justiça americano", escreveu no X (antigo Twitter). Petro também acusou os EUA de matar um pescador inocente em um ataque a uma embarcação que, segundo as autoridades estadounidenses, transportava drogas.

A crise diplomática tem desdobramentos práticos significativos. A Colômbia, um aliado histórico dos EUA na região, recambiou seu embaixador em Washington, Daniel Garcia Pena, para Bogotá para consultas. O embaixador classificou as últimas declarações de Trump como "inaceitáveis" e alertou que a aliança bicentenária entre os dois países estava sendo colocada em risco. Paralelamente, Petro foi além no confronto e declarou publicamente que o Exército da Colômbia não participará de uma eventual "invasão da Venezuela" por parte dos Estados Unidos, uma possibilidade que ronda o cenário geopolítico.

O presidente colombiano vinculou explicitamente a pressão que sobe a uma postura independente em relação ao país vizinho. "Dá raiva que eu não apoie os norte-americanos com o exército colombiano para invadir a Venezuela. Não, senhor, que colombiano estúpido pode pensar em ajudar a invadir onde estão seus primos e sobrinhos, para vê-los mortos como em Gaza?", questionou Petro. Ele também afirmou que o "primeiro responsável" pela crise na Venezuela é o "senhor Trump".

O apoio da Venezuela a Petro surge em um momento de extrema tensão entre Caracas e Washington. O governo Trump autorizou operações da CIA no território venezuelano e considera ataques terrestres contra o que classifica como cartéis de drogas do país. Em resposta, o presidente Nicolás Maduro ordenou exercícios militares e denunciou o que ele chamou de "golpes de Estado orquestrados pela CIA". Analistas interpretam a postura agressiva dos EUA como uma estratégia de pressionar as elites venezuelanas próximas a Maduro para forçar uma mudança no governo.

Com informações de: Al Jazeera, CNN Español, Politico, teleSUR, Times of Central America. ■

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