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EUA impõem primeiras sanções a petróleo russo no Governo Trump
Medida histórica atinge gigantes Rosneft e Lukoil e coincide com cancelamento de cúpula com Putin; Moscou promete resposta e mercados reagem
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 23/10/2025

Em uma mudança significativa de sua política externa, o governo do presidente Donald Trump impôs nesta quarta-feira (22) as primeiras sanções econômicas diretas à Rússia desde o início de seu segundo mandato. O alvo são as duas maiores empresas petrolíferas do país, a Rosneft e a Lukoil, em uma ação destinada a pressionar o Kremlin a aceitar um cessar-fogo imediato na Ucrânia. O anúncio, feito pelo Departamento do Tesouro dos EUA, foi seguido pelo cancelamento de uma reunião planejada entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, marcando uma escalada nas tensões diplomáticas.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, justificou a medida como uma resposta à recusa do presidente Putin em acabar com a "guerra sem sentido". Em comunicado, Bessent afirmou que as empresas sancionadas "financiam a máquina de guerra do Kremlin" e que o Tesouro está preparado para tomar ações adicionais, se necessário. Trump, ao comentar as sanções, descreveu-as como "enormes" e expressou a esperança de que não precisem durar muito tempo, acrescentando que "esperamos que a guerra seja resolvida" .

O Alcance das Sanções e a Reação Imediata

As sanções determinam o congelamento de todos os bens da Rosneft e da Lukoil que estejam sob jurisdição norte-americana e proíbem pessoas e empresas dos EUA de realizar negócios com elas. O Tesouro também alertou para o risco de "sanções secundárias" contra entidades de outros países que mantenham laços económicos com as petrolíferas russas. A decisão provocou uma reação imediata nos mercados globais, com os preços do petróleo registrando um salto de mais de US$ 2 por barril.

O anúncio norte-americano coincidiu com a aprovação pela União Europeia do seu 19º pacote de sanções contra a Rússia. O novo pacote europeu introduz a primeira proibição de importações de gás natural liquefeito (GNL) russo, com efeito a partir de 1º de janeiro de 2027. Além disso, o bloco proíbe todas as transações com a Rosneft e a Gazprom Neft, e restringe o acesso aos portos da UE a 117 navios da chamada "frota fantasma" russa, utilizada para contornar sanções.

A Fúria de Moscou e a Retórica Belicosa

A resposta do Kremlin às sanções foi rápida e contundente. Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e aliado de Putin, classificou as decisões dos EUA como "atos de guerra". Em uma publicação na rede social Telegram, Medvedev afirmou que Trump, antes visto como um "pacificador", agora "embarcou totalmente na guerra contra a Rússia" e declarou que os Estados Unidos são "nossos adversários".

Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, havia já tido uma reação anterior, descrevendo as sanções como "um passo de caráter exclusivamente contraproducente" que não causará "problemas significativos" à Rússia. Zakharova reiterou que o país "desenvolveu uma imunidade firme às restrições ocidentais". O clima de confronto foi acentuado pela realização, também nesta quarta-feira, de exercícios nucleares estratégicos pela Rússia, incluindo o lançamento de mísseis balísticos intercontinentais.

Tensão Geopolítica e o Fantasma das Sanções Secundárias

As sanções norte-americanas reacenderam os temores de nações como Índia, China e Brasil, que já haviam sido alvo de alertas prévios sobre possíveis retaliações por manterem relações comerciais com a Rússia. Em julho, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, advertiu publicamente que esses países poderiam ser alvo de "sanções secundárias" caso continuassem a fazer negócios com Moscou.

A posição dos EUA, no entanto, foi criticada por apresentar contradições. Embora ameace punir outros países, os próprios Estados Unidos mantiveram um fluxo comercial com a Rússia, que somou US$ 3,5 bilhões em 2024. Esta aparente dualidade levou a acusações de seletividade, uma vez que o comércio bilateral da União Europeia com a Rússia no ano passado foi seis vezes maior do que o do Brasil. Analistas apontam que a medida pode acelerar a formação de uma ordem global bipolar de energia, com o Ocidente apertando o cerco e as nações do Leste buscando alternativas para sustentar seu crescimento.

Um Caminho Incerto para a Paz

As sanções representam um ponto de viragem na abordagem de Trump ao conflito, que até agora evitava impor restrições económicas diretas à Rússia, preferindo medidas comerciais como as tarifas aplicadas à Índia. A ação coincide com um momento de impasse nas negociações. Horas antes do anúncio, a Rússia lançou um massivo ataque com mísseis e drones contra a Ucrânia, que matou sete pessoas, incluindo duas crianças.

Enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, manifestou abertura para negociar com base nas linhas de frente atuais, a postura russa permanece intransigente. A frustração norte-americana com a lentidão do processo ficou clara no cancelamento da cúpula de Budapeste. Sobre o encontro, Trump resumiu: "Não me parecia certo. Não parecia que chegaríamos onde precisávamos". O futuro das relações entre as duas maiores potências nucleares do mundo agora depende de saber se esta pressão económica inédita conseguirá ou não forçar uma mudança no campo de batalha e na mesa de negociações.

Com informações de O Globo, Euronews, VEJA, G1, Opera Mundi e CBN Global. ■

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