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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está organizando brigadas internacionalistas de militantes para atuarem na Venezuela em solidariedade ao governo e ao povo do país, diante das ameaças de intervenção militar dos Estados Unidos. O anúncio foi feito pelo dirigente nacional João Pedro Stédile em entrevista à Rádio Brasil de Fato.
A decisão foi tomada durante o Congresso Mundial em Defesa da Mãe Terra, realizado em Caracas, que contou com delegações de 65 países. Stédile afirmou que movimentos populares de toda a América Latina estão se articulando para formar esses grupos de apoio.
O dirigente deixou claro que o objetivo não é o combate armado. "Não temos formação militar para isso e nem devemos. O povo venezuelano sabe se defender, mas nós, com os militantes, podemos fazer mil e uma coisas, desde plantar feijão e fazer comida para os soldados a estar ao lado do povo se houver uma invasão militar dos EUA", explicou Stédile.
Stédile também criticou a postura do governo Trump, que classificou como um "mistura de maluco com fascista", e cobrou uma posição mais firme do governo brasileiro frente à crise, sugerindo que o Brasil articule um comunicado conjunto com México e Colômbia contra as agressões dos Estados Unidos.
O anúncio do MST ocorre em um momento de elevada tensão entre Venezuela e Estados Unidos. Recentemente, o presidente Donald Trump confirmou que autorizou a CIA a conduzir "operações secretas" dentro do território venezuelano, representando uma significativa escalada no conflito.
Especialistas em relações internacionais avaliam que a ação dos EUA na Venezuela abre um precedente perigoso que pode justificar novas intervenções militares diretas de Washington em toda a América Latina. O professor Roberto Goulart Menezes, da Universidade de Brasília, descreveu o impacto como "catastrófico" para toda a região.
O Conselho de Segurança da ONU já debateu as ações dos EUA contra embarcações da Venezuela, com relatos de que pelo menos 21 pessoas morreram em operações norte-americanas no Caribe. Em resposta, o presidente Nicolás Maduro mobilizou 4,5 milhões de membros da Milícia Bolivariana.
É importante diferenciar o anúncio atual das brigadas internacionalistas de um convite feito por Maduro em 2024, quando o presidente venezuelano pediu uma brigada de agricultores do MST para produzir em terras venezuelanas. Na ocasião, o foco era exclusivamente na produção agrícola, sem qualquer menção a contexto de tensão geopolítica.
As brigadas agora anunciadas têm caráter explicitamente político e de solidariedade, inspiradas na Brigada Internacionalista da Guerra Civil Espanhola, nos anos 1930, e destinam-se especificamente a apoiar a Venezuela no contexto de ameaça de invasão norte-americana.
Enquanto isso, a Venezuela busca alternativas econômicas frente às sanções dos EUA, com a Rússia substituindo os Estados Unidos como principal fonte de nafta, um derivado de petróleo essencial para a indústria petrolífera venezuelana.
Com informações de: Agência Brasil, BBC, Bloomberg, Brasil de Fato, Estadão, Global Diaspora News, Orinoco Tribune. ■