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Oficiais militares dos EUA assistem obrigados a discurso "anti-woke"
Encontro de custo elevado e motivo inicialmente secreto em uma base da Virgínia serviu para o Secretário da Defesa atacar políticas de diversidade e impor padrões físicos mais rígidos, sob o olhar de um presidente Trump descontraído
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 30/09/2025

Em um evento altamente incomum, o Secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, convocou centenas de generais e almirantes de todas as partes do mundo para uma reunião surpresa na Base do Corpo de Fuzileiros Navais de Quantico, na Virgínia, nesta terça-feira. O motivo do encontro, inicialmente mantido em sigilo, foi revelado apenas no local: um discurso frontalmente contrário a políticas de diversidade e a anúncios que remodelam os padrões das Forças Armadas americanas, agora rebatizadas por ele como "Departamento de Guerra".

Perante uma plateia de altos comandantes visivelmente séria e contida, Hegseth declarou o fim daquilo que chamou de "liderança politicamente correta" e atacou o que classificou como "lixo ideológico" nas Forças Armadas.

  • Fim de Cotas e Escritórios de DEI: Hegseth afirmou que acabaram as "cotas raciais" e os escritórios de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), que foram extintos.
  • Padrão Físico "de Nível Masculino": Foi anunciado que todos os cargos de combate terão um padrão físico único e "de nível masculino", independente do gênero. "Se isso significa que nenhuma mulher se qualifica para alguns empregos de combate, que assim seja", disse o secretário.
  • Críticas a "Generais Gordos": Hegseth foi direto ao dizer que é "completamente inaceitável ver generais e almirantes gordos" nos corredores do Pentágono, enfatizando a nova obsessão com a aptidão física.
  • Relaxamento de Regras Disciplinares: O secretário determinou uma revisão das definições de "liderança tóxica" e "assédio moral", com o objetivo declarado de "empoderar os líderes" a impor padrões sem medo de represálias ou queixas anônimas.

O presidente Donald Trump também discursou no evento, e seu tom foi bastante diferente, misturando assuntos militares com ataques políticos. Ele sugeriu que cidades americanas "perigosas" deveriam ser usadas como "áreas de treinamento" para a Guarda Nacional e para o próprio Exército. "Estamos sob invasão vinda de dentro", afirmou Trump, ecoando seu discurso de campanha sobre a segurança interna do país.

A convocatória repentina e misteriosa dos oficiais, que precisaram viajar de estações de serviço no mundo todo com apenas alguns dias de antecedência, gerou especulações e críticas antes mesmo do evento acontecer. Um oficial chegou a brincar, referindo-se ao encontro, como "os jogos de general". Havia preocupações logísticas e de segurança ao reunir tantos comandantes de alto escalão em um só lugar, além do custo elevado envolvido em voos de última hora, que deve chegar a centenas de milhares de dólares.

O evento ocorre em um momento de tensão, com o governo federal à beira de um shutdown (paralisação de serviços) que pode deixar cerca de 2 milhões de militares trabalhando sem receber. A reunião também reflete uma administração que já demitiu diversos oficiais-generais de alto escalão, muitos deles mulheres ou pessoas de cor, sob a alegação de combater a "doutrinação woke" nos quartéis.

Com informações de: ABC News, Associated Press, Breaking Defense, CNN, CNN Brasil, DefenseScoop, The Guardian, The New York Times, The Washington Post. ■

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