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Pelo menos oito crianças estavam entre as 11 pessoas mortas por um ataque com drones em 20 de setembro, no bairro de Cité Soleil, em Porto PrÃncipe, capital do Haiti. O ataque, amplamente atribuÃdo à polÃcia haitiana, ocorreu durante uma festa de aniversário em que um suposto lÃder de gangue distribuÃa presentes, e o alvo escapou ileso.
Os drones do tipo "kamikaze" foram lançados na comunidade de Simon Pelé, uma área controlada pela coalizão de gangues Viv Ansanm, enquanto Albert Steevenson, conhecido como "Djouma", celebrava seu aniversário.
O governo haitiano começou a usar drones com explosivos em março, contratando empresas militares privadas para combater gangues que controlam cerca de 90% da capital. A empresa envolvida é a Vectus Global, do fundador da Blackwater, Erik Prince.
Especialistas alertam que os ataques violam o direito internacional, já que não há um conflito armado oficialmente declarado no paÃs, e são propensos a causar danos colaterais em áreas urbanas densamente povoadas. O Canadá, que forneceu os drones, já declarou que o uso de explosivos pela polÃcia haitiana contraria suas leis domésticas e viola os acordos estabelecidos.
Este incidente ocorre em um contexto de violência extrema. De janeiro a maio de 2025, mais de 4.000 pessoas foram assassinadas no paÃs, e quase 1,3 milhão foram deslocadas de suas casas, metade delas crianças.
A ONU documentou que meio milhão de crianças vivem em áreas controladas por gangues, e 30% delas podem ter sido recrutadas à força. Nos últimos dez dias, dez crianças foram mortas em Porto PrÃncipe, segundo o UNICEF, que emitiu um comunicado chocado com a situação.
Até 48 horas após o ataque, as autoridades haitianas não haviam se manifestado publicamente. Romain Le Cour, analista da Global Initiative Against Transnational Organized Crime, questiona: "Quem, afinal, responde por este ataque: o primeiro-ministro? O conselho presidencial de transição? As empresas privadas de segurança?".
O lÃder da gangue Viv Ansanm, Jimmy Chérizier, conhecido como "Barbecue", negou que membros armados tenham morrido no ataque e culpou publicamente o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé pelo massacre, prometendo vingança.
Analistas acreditam que a falta de transparência e a morte de civis aprofundam a desconfiança da população nas instituições estatais e aceleram a erosão da legitimidade do governo, fortalecendo a narrativa anti-governo das gangues. Enquanto isso, as famÃlias das vÃtimas, como a de St-Jean Limonthard, um motorista de mototáxi de 33 anos, choram suas perdas e enfrentam um futuro incerto.
Com informações de: Al Jazeera, The New York Times, The Guardian, Reuters, Observador, ABC News, Vatican News e UNICEF. ■