Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Drone de combate mata oito crianças em festa de aniversário no Haiti
Governo permanece em silêncio sobre ataque que falhou em atingir líder de gangue e vitimou civis, levantando questões sobre a estratégia de segurança
Central e Caribe
Foto: https://i.cbc.ca/1.7640895.1758622608!/fileImage/httpImage/image.jpg_gen/derivatives/16x9_1180/haiti-violence.jpg?im=
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 28/09/2025

Pelo menos oito crianças estavam entre as 11 pessoas mortas por um ataque com drones em 20 de setembro, no bairro de Cité Soleil, em Porto Príncipe, capital do Haiti. O ataque, amplamente atribuído à polícia haitiana, ocorreu durante uma festa de aniversário em que um suposto líder de gangue distribuía presentes, e o alvo escapou ileso.

Os drones do tipo "kamikaze" foram lançados na comunidade de Simon Pelé, uma área controlada pela coalizão de gangues Viv Ansanm, enquanto Albert Steevenson, conhecido como "Djouma", celebrava seu aniversário.

  • Vítimas Civis: O primeiro drone matou oito crianças (com idades entre 2 e 10 anos) e três adultos civis. Seis outras crianças ficaram feridas. Uma das crianças mortas era uma menina de quatro anos que brincava do lado de fora de casa.
  • Segundo Alvo: Um segundo drone caiu perto da sede do gangue, matando quatro supostos membros do grupo e ferindo outros sete.
  • Relatos das Famílias: Claudia Bobrun mostrou um vídeo de sua filha de oito anos morta, em uma piscina de sangue. Michelin Florville, de 60 anos, perdeu dois netos (de 3 e 7 anos) e seu filho de 32 anos.

Estratégia de Drones Sob Escrutínio

O governo haitiano começou a usar drones com explosivos em março, contratando empresas militares privadas para combater gangues que controlam cerca de 90% da capital. A empresa envolvida é a Vectus Global, do fundador da Blackwater, Erik Prince.

Especialistas alertam que os ataques violam o direito internacional, já que não há um conflito armado oficialmente declarado no país, e são propensos a causar danos colaterais em áreas urbanas densamente povoadas. O Canadá, que forneceu os drones, já declarou que o uso de explosivos pela polícia haitiana contraria suas leis domésticas e viola os acordos estabelecidos.

Crise Humanitária e Falta de Responsabilidade

Este incidente ocorre em um contexto de violência extrema. De janeiro a maio de 2025, mais de 4.000 pessoas foram assassinadas no país, e quase 1,3 milhão foram deslocadas de suas casas, metade delas crianças.

A ONU documentou que meio milhão de crianças vivem em áreas controladas por gangues, e 30% delas podem ter sido recrutadas à força. Nos últimos dez dias, dez crianças foram mortas em Porto Príncipe, segundo o UNICEF, que emitiu um comunicado chocado com a situação.

Até 48 horas após o ataque, as autoridades haitianas não haviam se manifestado publicamente. Romain Le Cour, analista da Global Initiative Against Transnational Organized Crime, questiona: "Quem, afinal, responde por este ataque: o primeiro-ministro? O conselho presidencial de transição? As empresas privadas de segurança?".

Consequências Políticas e o Futuro

O líder da gangue Viv Ansanm, Jimmy Chérizier, conhecido como "Barbecue", negou que membros armados tenham morrido no ataque e culpou publicamente o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé pelo massacre, prometendo vingança.

Analistas acreditam que a falta de transparência e a morte de civis aprofundam a desconfiança da população nas instituições estatais e aceleram a erosão da legitimidade do governo, fortalecendo a narrativa anti-governo das gangues. Enquanto isso, as famílias das vítimas, como a de St-Jean Limonthard, um motorista de mototáxi de 33 anos, choram suas perdas e enfrentam um futuro incerto.

Com informações de: Al Jazeera, The New York Times, The Guardian, Reuters, Observador, ABC News, Vatican News e UNICEF. ■

Mais Notícias