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Em agosto de 2025, o governo dos Estados Unidos revogou vistos de dois gestores brasileiros do programa Mais Médicos, acusando o projeto de ser "esquema de trabalho forçado do regime cubano". A medida, anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, justificou-se pela participação de profissionais cubanos entre 2013 e 2018, perÃodo em que Cuba recebia parte dos salários — prática interrompida após crÃticas e reformas. Entretanto, a retórica americana esconde uma contradição explosiva: enquanto ataca um programa de inclusão sanitária, ignora que gigantes corporativas norte-americanas são investigadas por exploração laboral real em suas cadeias produtivas no Brasil.
A acusação ao Mais Médicos baseia-se numa interpretação polÃtica, não em evidências de condições degradantes. A Federação Nacional dos Médicos (Fenam) já alertara em 2014 que portarias do programa feriam direitos trabalhistas, mas as crÃticas focavam burocracia excessiva — não analogia à escravidão. Médicos cubanos recebiam salários inferiores aos colegas brasileiros, mas tinham alojamentos, assistência e liberdade de movimento, diferentemente de trabalhadores rurais resgatados com:
Paralelamente, seis multinacionais dos EUA — Starbucks, Nestlé, JDE, Dunkin', Illy e McDonald's — enfrentam denúncias formais na alfândega americana (CBP) por importar café brasileiro "contaminado por trabalho escravo". A petição da ONG Coffee Watch, baseada na Lei Tarifária de 1930, cita quatro resgates em fazendas de Minas Gerais entre 2023-2024, todas ligadas à Cooxupé, cooperativa fornecedora dessas empresas. Entre os casos:
A Starbucks, alvo de ação judicial movida pela ONG International Rights Advocates em nome de oito trabalhadores resgatados, defende-se citando seu programa de certificação C.A.F.E. Practices. A multinacional afirma comprar café de "uma pequena fração" dos 19 mil cooperados da Cooxupé. Porém, auditorias independentes revelam falhas: o relatório Por trás do café da Starbucks, citado na denúncia, mostrava selos de "aquisição ética" em fazendas com flagrantes de escravidão contemporânea.
O cenário não se limita ao café. Empresas como Nike, H&M e Costco foram vinculadas a trabalho forçado de minorias uigures em Xinjiang (China), enquanto redes como McDonald's e Kraft Heinz enfrentam suspeitas similares. No Brasil, a "lista suja" do trabalho escravo atualizada em abril/2025 incluiu 155 novos nomes, com destaque para:
Dados oficiais comprovam a escala do problema: em 2024, o governo brasileiro resgatou 2.186 trabalhadores de condições análogas à escravidão — 30% em áreas urbanas. Minas Gerais liderou os resgates, estado onde ocorreram as violações nas fazendas de café. A contradição americana torna-se ainda mais evidente quando se observa que:
Enquanto Rubio chama médicos cubanos de "explorados", suas polÃticas ignoram que cadeias de suprimentos de empresas norte-americanas dependem de práticas brutais documentadas por Ministérios Públicos, ONGs e até pela alfândega dos EUA. Em 2025, o Brasil completa 30 anos de reconhecimento oficial do trabalho escravo contemporâneo — um combate que exige cooperação internacional, não sanções seletivas.
Com informações de: Repórter Brasil, Portal CFM, Escravo Nem Pensar, G1, Migalhas, BBC, Câmara dos Deputados
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