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EUA realizam ataques no sul do Irã durante frágil cessar-fogo
Pentágono fala em “autodefesa” enquanto negociadores iranianos estavam no Catar; Teerã ainda não confirma reação oficial e mantém forças em alerta máximo
Oriente-Medio
Foto: https://conteudo.imguol.com.br/c/noticias/b9/2026/02/28/apos-ataque-dos-eua-e-de-israel-fumaca-e-vista-apos-explosao-em-teera-capital-do-ira-1772275965951_v2_4x3.jpg
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■   Bernardo Cahue, 26/05/2026

As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram ataques contra o sul do Irã nesta segunda-feira (25), no momento em que o país persa participava de uma nova rodada de negociações mediadas pelo Catar para tentar pôr fim à guerra entre Washington e Teerã. O Comando Central dos EUA (Centcom) classificou a ação como “ataques de autodefesa” e afirmou que os alvos eram locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que supostamente tentavam instalar minas no Estreito de Hormuz.

Os bombardeios aconteceram horas depois da chegada da delegação iraniana de alto nível a Doha, onde se reuniria com mediadores qataris e autoridades americanas em uma tentativa de avançar no acordo de paz. Segundo a imprensa internacional, a ação militar ameaça jogar por terra um cessar-fogo já visto como “extremamente frágil” por analistas e que vinha se mantendo desde o dia 8 de abril, quando foi acertada uma trégua de duas semanas unilateralmente estendida pelos EUA.

Em comunicado, o porta-voz do Centcom, capitão Tim Hawkins, declarou:

  • “As forças dos EUA realizaram ataques de autodefesa no sul do Irã hoje para proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas.”
  • “Os alvos incluíram locais de lançamento de mísseis e barcos iranianos que tentavam instalar minas. O Centcom continua a defender nossas forças, mantendo a cautela durante o cessar-fogo em curso.”

De acordo com informações da Fox News e de fontes militares americanas, dois barcos de alta velocidade ligados à Guarda Revolucionária do Irã foram detectados enquanto colocavam minas navais no Estreito de Hormuz, ao mesmo tempo que uma bateria de mísseis superfície-ar na região de Bandar Abbas teria apontado radares contra aeronaves dos EUA. As embarcações foram destruídas e o sistema de defesa aérea também foi atacado.

No terreno, a agência de notícias iraniana Fars News, ligada à Guarda Revolucionária, noticiou que múltiplas explosões foram ouvidas em Bandar Abbas, o principal porto do sul do Irã, e em cidades costeiras como Sirik e Jask, no litoral do Golfo de Omã. A agência Mehr, porém, afirmou que a situação foi rapidamente controlada e que a vida na região transcorria com normalidade. Autoridades locais iniciaram investigações para determinar a origem exata dos estrondos, mas não houve declaração oficial imediata do governo iraniano.

De forma paralela, fontes da imprensa iraniana repercutiram uma versão mais ampla dos acontecimentos: segundo relatos não oficiais, dois barcos da Guarda Revolucionária teriam sido alvejados por caças norte-americanos, provocando um número indeterminado de mortes entre as tripulações. Em resposta, forças iranianas teriam disparado contra navios de guerra dos EUA posicionados no Golfo de Omã, o que teria sido seguido por uma segunda leva de ataques aéreos norte-americanos contra posições militares a leste de Bandar Abbas. Defesas antiaéreas iranianas foram ativadas, mas a calma acabou sendo restaurada horas depois.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou ainda no início do dia a jornalistas que o governo acreditava ter “algo bastante sólido em cima da mesa” para chegar a um acordo com o Irã. “Achei que talvez tivéssemos alguma notícia ontem à noite, talvez hoje”, disse Rubio, indicando otimismo em relação ao desfecho das conversas. Entretanto, horas depois, os ataques aéreos foram confirmados, elevando a temperatura da crise. Em Delhi, Rubio acrescentou que “não se deve ler muito além disso” e que “leva um tempo para obter resposta do Irã”.

Em Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqaei, tentou calibrar as expectativas: “É verdade que chegamos a uma conclusão sobre grande parte dos temas em discussão, mas dizer que a assinatura de um acordo é iminente é algo que ninguém pode afirmar.” Horas depois do ataque dos EUA, o presidente do Parlamento iraniano e o chanceler Ali Bagheri seguiam em Doha, enquanto o presidente americano, Donald Trump, usou sua rede Truth Social para afirmar que o acordo com o Irã “será excelente e significativo ou não haverá acordo algum”.

Diante da escalada, o chefe da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, foi taxativo: “Sem dúvida, se os inimigos da nação iraniana cometerem um erro, nossas forças armadas, em estado de prontidão máxima, responderão.” Já o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã acrescentou que o país “nunca recuará” e que a unidade nacional é uma arma tão importante quanto o poderio militar.

Embora Trump tenha dito mais cedo que qualquer acordo deveria exigir que Arábia Saudita, Catar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia, Barein e Emirados Árabes Unidos assinem os Acordos de Abraão como condição para encerrar a guerra, a proposta foi recebida com frieza por Riad e Doha, que condicionam a normalização com Israel à criação de um Estado palestino. Analistas do Arab Gulf States Institute classificaram a exigência como mais um elemento de instabilidade para os países do Golfo, cuja segurança nacional foi ameaçada de forma inédita pela guerra.

Impacto nos mercados de energia e perspectivas de paz
Os bombardeios ocorreram no mesmo dia em que o mercado internacional de petróleo já registrava forte volatilidade. Na véspera, a expectativa de um acordo entre EUA e Irã fez os preços do Brent e do WTI caírem mais de 5%, com perdas acumuladas de até 7% em alguns momentos. Contudo, com a confirmação dos ataques, o petróleo inverteu a trajetória e voltou a subir entre 1,6% e 1,8% nos contratos futuros, refletindo a preocupação com o risco de fechamento do Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do GNL mundial. O estreito continua sob controle iraniano e o bloqueio naval dos EUA segue em vigor, emperrando as tratativas para retomada plena do fluxo energético.

Reações regionais e tensão adicional no Líbano
Em paralelo aos ataques contra o Irã, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou um aumento dos ataques contra o Hezbollah no sul do Líbano, matando mais de 600 combatentes nas últimas semanas e ampliando o raio de ação militar. Israel e EUA vêm discutindo uma possível operação mais ampla, enquanto o Irã insiste que qualquer cessar-fogo regional deveria incluir o Líbano. A possibilidade de uma guerra em duas frentes acendeu alertas em diplomatas europeus e árabes, que tentam evitar um contágio regional.

No plano diplomático, enquanto as bombas caíam, uma fonte do Catar indicou que EUA e Irã chegaram a um entendimento preliminar sobre os ativos iranianos congelados no exterior, o que poderia ser anunciado já na terça-feira (26). Ainda assim, o ponto mais crítico — o programa nuclear iraniano — continua longe de uma solução: os dois lados não assumiram compromissos escritos sobre as reservas de urânio enriquecido, e Trump voltou a dizer nas redes sociais que “o urânio enriquecido deve ser imediatamente entregue aos Estados Unidos para ser destruído ou eliminado no local com testemunha internacional”.

A comunidade internacional acompanha os desdobramentos com apreensão. Para o estrategista do centro de estudos Vespucci Maritime, Lars Jensen, “mesmo que um acordo seja anunciado nos próximos dias, a indústria naval continuará cautelosa e hesitante para retomar grandes mudanças operacionais até que haja segurança sobre o estreito”. A guerra — que começou em 28 de fevereiro com ataques conjuntos EUA-Israel contra instalações nucleares iranianas — já deixou milhares de mortos e provocou uma das maiores crises energéticas globais das últimas décadas.

Por ora, o governo iraniano não emitiu um pronunciamento definitivo sobre os últimos bombardeios, mas todos os indicadores sugerem que a resposta pode ser tão rápida quanto a das últimas semanas. Autoridades iranianas insistem que “o dedo continua no gatilho” enquanto as conversações acontecem, e a Guarda Revolucionária já sinalizou que qualquer novo “erro do inimigo” será recebido com “vingança infernal”. O mundo espera, agora, para ver se a trégua — tão cara e instável — será capaz de resistir à mais nova rodada de violência ou se o Oriente Médio se encaminha para uma guerra ainda mais profunda.

Com informações de American Press, UOL, Folha de S.Paulo, Mediaite, News4JAX, Gulf News, DW, News18, Press TV, BBC News, Al Jazeera, Reuters, AP News, Fox News, CBS News, NBC News, CNN, The New York Times, AFP, dpa, Mehr News Agency, Fars News Agency, Tasnim News Agency, IRNA, Islamic Republic News Agency, Hong Kong China News Agency, Central News Agency (Taiwan), China News Service, CCTV News, Xinhua News Agency, Tencent News, Sohu, Eastmoney, HK01, Phoenix Media, ifeng.com, Sina News, Investing.com, New Straits Times, ABS-CBN News, Bernama, Dunya News, Spectrum Local News, Newsmax, The New Arab, Vietnam News Agency, Rasanah Institute, The Conversation, Middle East Monitor, WION, Evrensel Daily, World Socialist Web Site, PKONWEB, InvestingLive, Marketscreener, Bangladesh Pratidin, Pakistan Today, ABC7 Chicago, 112.ua, e mais outras agências de imprensa globais ■

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