Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
China cerca Taiwan com mais de 100 navios
Autoridades de Taiwan denunciam mobilização naval chinesa recorde, em meio a tensões crescentes sobre a ilha
China
Foto: https://s2-g1.glbimg.com/PCAo6y--zPO4nb82DUp99KOoLN0=/0x0:640x360/600x0/smart/filters:gifv():strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/5/B/5q7NAFRMOqpZKkxj4ysg/14621105-360p-300k-h264-2ch-128k-44100-aac-1779182395-frame-at-3m44s.jpg
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 24/05/2026

Dados de segurança taiwaneses indicam que a China posicionou mais de 100 embarcações – entre navios de guerra, guardas costeiras e navios de pesquisa – nas águas ao redor de Taiwan, cobrindo do Mar Amarelo ao Pacífico Ocidental. O aumento ocorreu logo após encontro em Pequim entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, no qual Trump sugeriu usar vendas de armas a Taiwan como barganha diplomática.

Em resposta às alegações, a China afirmou que suas forças atuam dentro da lei internacional e pediu que não haja “reação exagerada ou especulação infundada”. As autoridades taiwanesas elevaram o nível de alerta militar e pediram maior apoio aliado para deter um eventual bloqueio, enquanto manifestantes exigem aumento de gastos em defesa.

Cronologia dos eventos recentes

  1. 4 de dezembro de 2025: Reportagem da Reuters revela que a China havia concentrado, em poucos dias, “mais de 100” navios de guerra e da guarda costeira em águas do Leste Asiático (Mar Amarelo, Mar do Sul da China e Pacífico). Fontes de inteligência indicam que esse pico ocorrera após 14 de novembro (protesto chinês a comentários japoneses) e superou as mobilizações conhecidas do ano anterior.
  2. 29-30 de dezembro de 2025: A China realiza os exercícios “Missão da Justiça 2025”, seus maiores até então, com bloqueio simulado de portos taiwaneses e zonas de aviso em ao menos oito setores marítimos ao redor da ilha. Taiwan cancela dezenas de voos e protesta contra a “intimidação militar”.
  3. 5 de dezembro de 2025: Governo de Taiwan e Japão manifestam preocupação com as manobras chinesas. Pequim afirma que exercícios seguiram “estritamente a lei”, e Lin Jian (MFA chinês) pede que ninguém “exagere ou especule”. Em Tóquio, o ministro Shinjiro Koizumi afirma estar “monitorando com grande atenção” os movimentos navais chineses.
  4. 10 de abril de 2026: Reuters reporta que Taiwan detectou cerca de 100 navios chineses (navais e guarda costeira) operando há semanas nos mares do Sul e Leste da China – o dobro do normal para a época do ano. Autoridades locais veem a manobra como aviso durante impasse político interno (rejeição de aumento de gastos militares).
  5. 20-22 de maio de 2026: Realiza-se encontro entre Trump e Xi em Pequim. Trump sugere usar venda de armas a Taiwan como barganha, preocupando Taipei. No dia 19, assessores norte-americanos anunciam “pausa” em envio de armas a Taiwan, citando estoques para guerra no Irã (após solicitação do Secretário da Marinha dos EUA). Autoridades taiwanesas dizem que não foram informadas dessa pausa.
  6. 23 de maio de 2026: O Secretário-Geral do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, Joseph Wu (ex-chanceler), posta no X (Twitter) uma imagem com 100+ pontos vermelhos ao redor da ilha. Ele alerta que “a China é o único problema que destrói o status quo e ameaça a paz regional”. O governo taiwanês amplia vigilância navais e aéreas, e o Conselho de Segurança confirma que as 100 embarcações incluem navios de guerra, guarda costeira e navios de pesquisa.

Principais pontos de comparação entre fontes

Contagem de navios: Taiwan afirma “mais de 100” unidades; fontes de inteligência ocidentais confirmam cerca de 90-100 no mesmo período. Reuters nota que o número (>100) foi atingido em picos e depois manteve-se próximo a 90 em 4 de dezembro.

Âmbito geográfico: China deslocou frotas do Mar Amarelo até o Pacífico ocidental, indicando cobertura ampla das rotas estratégicas ao largo de Taiwan. O gráfico divulgado por Wu cobre áreas do Mar Amarelo, Mar do Sul da China e ao leste de Taiwan.

Tipos de embarcações: Incluem navios de guerra da Marinha de Guerra do Exército de Libertação Popular, embarcações da Guarda Costeira chinesa e “navios de pesquisa” civis (possivelmente da Administração Marítima). Taiwan não revela números precisos de cada tipo; fontes dizem que há combates, patrulha e apoio logístico na mobilização.

Declarações oficiais: De Taipei vem denúncia explícita de “cerco” e pedido de união dos aliados. Pequim não comenta detalhadamente, mas afirma publicamente que atos navais “respeitam e obedecem ao direito internacional” e chama para não especular. Em outras oportunidades, porta-voz chinês Lin Jian referiu-se genericamente à legalidade das operações navais.

Reação internacional: Além de protestos de Taiwan e Japão (ver cronologia), os EUA tentam equilibrar: paralisaram temporariamente uma venda de armas (segundo imprensa) e têm supervisionado movimentos navais na região, mas evitaram falas ríspidas imediatas para não tensionar mais a visita de Trump.

Histórico: Situações semelhantes ocorreram em finais de 2022 (exercícios chineses após visita de Pelosi) e fim de 2025 (manobras gigantescas reportadas em dezembro). Na crise de 1996, testes de mísseis chineses rondaram Taiwan; agora, variedade de embarcações amplia a dissuasão naval chinesa. Um bloqueio formal seria considerado ato de guerra sob leis internacionais marítimas.

Taiwan vem afirmando que a escala recente das operações navais chinesas – superando 100 navios – é “algo muito raro para esta época do ano” e representa uma clara demonstração de força regional. A China, por sua vez, evita confirmar números e ressalta que suas atividades no mar seguem rotinas de exercícios. A discrepância nas contagens (faixa de 90 a 110 navios) reflete limitações de inteligência pública e diferentes métodos de levantamento (satélites, AIS, patrulhas). Analistas observam que, mesmo que os números exatos sejam imprecisos, o padrão indica intensificação sistemática das patrulhas chinesas próximas a Taiwan nos últimos anos.

Tecnicamente, segundo normas internacionais, um bloqueio naval seria um ato hostil grave; até agora, a China mantém terminologia de “exercícios militares” e liberdade de navegação, apesar do aparente cerco. Ainda assim, Taipei e seus aliados têm mostrado preocupação reforçada: surgem protestos internos a favor de mais gastos em defesa, e governantes reafirmam cooperação mútua para assegurar a estabilidade do Estreito. O episódio registra-se como mais um ponto de tensão no já conturbado relacionamento entre Pequim, Taipei e Washington, com implicações para as rotas comerciais e a segurança no Indo-Pacífico.

Com informações de Reuters, Fox News, The Straits Times, Times Brasil (CNBC), Click Petróleo e Gás, Asharq Al-Awsat, A Tarde ■

Mais Notícias