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Mercado chinês abre portas para café brasileiro em resposta a tarifas dos EUA
China aprova 183 empresas brasileiras após seis anos de negociações, enquanto Brasil busca alternativas ao "tarifaço" de Trump e reforça parcerias econômicas no bloco dos BRICS
China
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSeTRR7lyuSBaXqB1LrJWX4eBm8xng9C00dtll2082D3A&s
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■   Bernardo Cahue, 07/08/2025

Em uma manobra estratégica que reconfigura o comércio global de café, a China autorizou 183 empresas brasileiras a exportar café torrado e moído para seu território. A decisão ocorre semanas após os Estados Unidos imporem tarifas de 50% sobre o café brasileiro, marcando uma diversificação geopolítica do maior produtor mundial de café.

O Ministério da Agricultura brasileiro confirmou que a abertura foi resultado de seis anos de negociações técnicas com autoridades sanitárias chinesas. Com a medida, o Brasil passa a contar com 452 estabelecimentos habilitados para exportar à China, incluindo 32 novos armazéns e 151 renovações recentes.

Esta expansão ocorre em um momento crítico: desde 1º de agosto de 2025, o café solúvel brasileiro enfrenta tarifas de 25,54% nos EUA, enquanto o café verde sofre sobretaxa de 50% – decisão que a National Coffee Association norte-americana pressiona para rever.

O posicionamento brasileiro reflete uma dupla estratégia:

  • Diversificação comercial imediata: Redução da dependência do mercado norte-americano, que em 2024 importou 8 milhões de sacas brasileiras
  • Fortalecimento de alianças do Sul Global: Alinhamento com a declaração do BRICS que critica "medidas protecionistas" e defende sistema comercial inclusivo.

Embora o consumo chinês de café tenha saltado de 300 mil para 5,8 milhões de sacas anuais desde 2009, o país ocupa apenas a 14ª posição entre os compradores do café brasileiro. Em 2024, as exportações para a China caíram para 988 mil sacas – queda atribuída à desaceleração do mercado.

Especialistas destacam os desafios:

  • A China prioriza cafés especiais e de maior valor agregado, exigindo adaptação produtiva
  • O mercado norte-americano segue "insubstituível" pelo volume, conforme reconhece o Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé)

Paralelamente, o Brasil intensifica sua atuação no BRICS, bloco que em sua XVII Cúpula no Rio de Janeiro emitiu declarações críticas ao sistema financeiro internacional. Os ministros de finanças do grupo comprometeram-se a:

  1. Reformar instituições como FMI e Banco Mundial para maior representatividade dos emergentes
  2. Criar mecanismos financeiros alternativos (títulos verdes, moedas locais) para reduzir dependência do dólar
  3. Combater "fluxos financeiros ilícitos" e medidas unilaterais que distorcem o comércio

Para Guilherme Morya, diretor do Cecafé, "a China é um mercado gigantesco e que vem crescendo em consumo per capita", enquanto Marcos Matos, também do Cecafé, ressalta: "Assim como o Brasil é insubstituível para os EUA, os EUA são insubstituíveis para o Brasil".

Com informações de: Canal Rural, IBRACHINA, G1, Portal Gov.br MRE, Portal Gov.br Fazenda

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