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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (23) que um acordo de paz com o Irã foi “amplamente negociado” e que o memorando de entendimento inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de petróleo. O anúncio foi feito por Trump em sua rede social Truth Social, após uma série de conversas telefônicas com líderes de países do Golfo, do Paquistão — que atua como mediador — e com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. As negociações, que se arrastam por semanas, ocorrem no contexto de uma guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos EUA e Israel contra o Irã, com a suspensão das hostilidades em um frágil cessar-fogo desde o início de abril.
De acordo com Trump, o acordo prevê “muitos outros elementos” além da reabertura do estreito, e os “aspectos finais e detalhes” estão “sendo discutidos atualmente e serão anunciados em breve”. Na publicação, Trump agradeceu a líderes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein, além do marechal paquistanês Asim Munir, que atua como mediador direto com Teerã. O presidente americano também afirmou que manteve uma conversa “muito boa” com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
Horas antes, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, já havia sinalizado progresso, afirmando a jornalistas na Índia que “houve algum progresso” e que “pode haver novidades ainda hoje”. O próprio Trump cancelou seus planos de passar o fim de semana em seu campo de golfe em Nova Jersey e retornou a Washington para monitorar as negociações, chegando a se reunir com sua equipe de segurança nacional, incluindo os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.
Porém, o otimismo de Trump foi rapidamente contestado pelo Irã. A agência de notícias Fars, ligada ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, reportou que, de acordo com o texto mais recente trocado entre as partes, o Estreito de Ormuz permaneceria sob gestão iraniana, rejeitando a versão de Trump como “incompleta e inconsistente com a realidade”. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, descreveu o rascunho como um “acordo?quadro” de 14 pontos, mas enfatizou que as diferenças, embora tenham diminuído na última semana, ainda não foram totalmente superadas. Ele também acusou os americanos de fazerem “declarações contraditórias”.
Além da questão do controle do estreito, uma das maiores fontes de atrito é o programa nuclear iraniano. Enquanto Trump repete sua posição de que Teerã jamais poderá ter uma arma nuclear e deve entregar seu estoque de urânio enriquecido — atualmente próximo ao grau para armamento —, o Irã insiste que o tema nuclear não faz parte das negociações atuais e deve ser tratado posteriormente, em uma janela de 30 a 60 dias. Esse distanciamento entre as posições gera ceticismo, principalmente por parte de Israel, que vê o acordo emergente como um “problema muito grande”. O Canal 12 israelense chegou a noticiar que as cláusulas preveem a reabertura do estreito em troca de benefícios financeiros para o Irã, enquanto o programa nuclear e o estoque de urânio enriquecido seriam discutidos apenas em uma fase seguinte — o que contrariaria promessas anteriores de Trump e Netanyahu. O primeiro-ministro israelense, por sua vez, convocou líderes de sua coalizão para discutir o assunto, e fontes israelenses disseram que o país não foi convidado para a teleconferência de sábado com os mediadores.
Os detalhes do que se sabe até agora sobre o acordo proposto incluem:
Fontes com conhecimento das negociações, que falaram à Reuters sob condição de anonimato, indicaram que o entendimento seria implementado em três estágios: encerramento formal da guerra, resolução da crise no Estreito de Ormuz e, em seguida, uma janela de 30 dias para negociações sobre um acordo mais amplo, que poderia ser estendida. Apesar das declarações de Trump, o porta-voz iraniano Baghaei foi cauteloso: “A tendência nesta semana tem sido a de redução das disputas, mas ainda há questões que precisam ser discutidas pelos mediadores. Teremos que esperar e ver onde a situação termina nos próximos três ou quatro dias”.
Em meio ao sobe e desce das informações, os mercados financeiros e de energia reagem com volatilidade. Apenas na quarta?feira anterior, os preços do petróleo haviam caído mais de 5% com as expectativas de um acordo, mas as declarações contraditórias mantêm os investidores em alerta. Ainda assim, a possibilidade de abertura do Estreito de Ormuz — por onde escoam cerca de 20% do petróleo mundial — é vista como um alívio para a economia global, que sofreu com a disparada dos preços de energia desde o início do conflito. Nos EUA, Trump tem sido pressionado internamente pelo impacto da guerra nos preços dos combustíveis para o consumidor.
O cenário atual, portanto, mescla expectativa e ceticismo. Enquanto o governo americano projeta um anúncio iminente — alguns veículos especulam que ainda neste domingo (24) —, o Irã insiste em suas próprias condições e no fato de que qualquer acordo definitivo dependerá de meses adicionais de negociação. A questão nuclear, considerada central para os EUA e Israel, foi adiada para uma segunda fase, o que pode ser um ponto de ruptura no futuro. Israel, por sua vez, mantém uma posição de desconfiança, e o próprio Trump já alertou que, se Teerã não concordar com os termos finais, a opção militar continua sobre a mesa. O próximo capítulo dessa complexa negociação deve se desenrolar nos próximos dias, em um equilíbrio delicado entre diplomacia e risco de retomada dos ataques.
Com informações de EFE, BBC News Brasil, BBC News, Associated Press (AP), Reuters, The Times of Israel, SANA, Channel News Asia, Hindustan Times, Arab News, Agência Brasil, RTP, WFLA, Agenzia Nova, Iran Front Page, Pakistan Today ■