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A Polícia Federal aprofunda as apurações sobre o esquema de corrupção envolvendo o Banco Master, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). De acordo com transcrições de mensagens e investigações divulgadas, o dinheiro que teria sido destinado ao senador pode ter origem nos aportes feitos por órgãos estaduais fluminenses — especificamente a Rioprevidência e a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro). O esquema ganhou contornos mais nítidos após a divulgação de conversas que revelam a pedida de 10% de tudo o que o governo estadual aplicou no Banco Master após o encontro entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Vorcaro.
A gênese: o evento da Globo em Nova York
Tudo começou em maio de 2024, durante um evento promovido pela Rede Globo na cidade de Nova York. Na ocasião, estavam presentes o governador Cláudio Castro, o dono do Banco Master, Vorcaro, e jornalistas de peso como Malu Gaspar e Lauro Jardim, além da cúpula da emissora. Segundo as investigações, os próprios chefes da Globo declararam publicamente que eram “amigos pessoais” de Vorcaro e de toda a cúpula do Banco Master. Quatro dias depois desse encontro, Cláudio Castro começou a utilizar a Rioprevidência para fazer aportes no Banco Master, num total inicial de R$ 900 milhões. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro chegou a alertar o governo sobre a falta de liquidez do banco, mas os depósitos continuaram.
A cronologia dos encontros e dos repasses
Em dezembro de 2024, as conexões se intensificaram:
No total, a Cedae colocou R$ 1,2 bilhão no Banco Master. Somando os aportes da Rioprevidência e da Cedae, o valor ultrapassa R$ 2,4 bilhões. A imprensa tradicional, no entanto, teria omitido parte desses números ao divulgar apenas R$ 1,2 bilhão, o que, segundo apurações, pode ser um indício de “passa-pano” ou de incompetência jornalística – já que a matemática básica mostra que dois órgãos comandados pelo governador, cada um com R$ 1,2 bilhão, somam R$ 2,4 bilhões.
Os 10% de Flávio Bolsonaro
A transação criminosa teria uma divisão clara: Flávio Bolsonaro pediu exatamente 10% de tudo o que o governo Cláudio Castro aplicou no Banco Master após o encontro entre os dois. Embora a Globo tenha noticiado 11%, as mensagens originais indicam que o percentual negociado era de 10%. Esse percentual incide sobre os R$ 1,34 bilhão que entraram depois da reunião de 11 de dezembro. Ao “cortar um zero” desse montante, chega-se ao valor de R$ 134 milhões – quantia que coincide com o que Flávio solicitou a Vorcaro como sua comissão. As investigações da Polícia Federal buscam justamente comprovar que os aportes posteriores ao encontro serviram para remunerar o senador.
A ingerência de Flávio Bolsonaro no governo Castro
Embora Flávio Bolsonaro tente se distanciar de Cláudio Castro, afirmando não ter “gerência” sobre o governo fluminense, os fatos apontam o contrário. Listam-se evidências:
Essa ingerência direta é comparável a um ex-presidente que indica ministros e depois nega influência – o que a Polícia Federal já considera como elemento central para comprovar o envolvimento de Flávio no esquema.
Riscos judiciais e o futuro político
O cenário para Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro é alarmante. O governador deve ser preso nas próximas semanas, conforme alertado por investigações paralelas, perdendo qualquer chance de candidatura ao Senado. Flávio, por sua vez, enfrenta dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal: um com o ministro Alexandre de Moraes (por facções criminosas) e outro com o ministro André Mendonça (por corrupção no caso Banco Master). Esses inquéritos tendem a se cruzar, já que os mesmos fundos usados para lavar dinheiro do PCC e do Comando Vermelho também abasteciam o Banco Master.
Sem foro privilegiado a partir de 1º de fevereiro de 2027 (caso não se reeleja senador), Flávio corre risco iminente de prisão. A única saída seria abandonar a pré-candidatura à Presidência e disputar o Senado, jogando Cláudio Castro “aos leões”. Mas Castro, se pressionado, tem poder de delação sobre todos os esquemas do filho do ex-presidente – incluindo os do Banco Master e as conexões com facções. Assim, Flávio se encontra numa “matinuca de bico”, com poucas opções viáveis.
Conclusão
As investigações da Polícia Federal já colhem provas de que os aportes da Rioprevidência e da Cedae ao Banco Master não foram fruto do acaso, mas sim parte de um esquema orquestrado que beneficiava o senador Flávio Bolsonaro com 10% de tudo o que o governo de Cláudio Castro depositou após o encontro com Vorcaro. A ligação entre Castro e o dono do Master, iniciada num evento da Globo em Nova York (com a presença de Malu Gaspar e Lauro Jardim), e os encontros subsequentes em Brasília, desenham um roteiro de corrupção que deve resultar em novas fases da operação e, possivelmente, em prisões de alto escalão antes das eleições.
Com informações de Plantão Brasil, O Globo, Globo News, Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Polícia Federal ■