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FBI descobre mansão dos Bolsonaro nos EUA comprada com dinheiro público desviado do esquema Vorcaro
Investigação aponta que mansão de Eduardo Bolsonaro no Texas foi comprada com recursos do esquema Vorcaro; Flávio Dino comanda apuração e PF aciona FBI
Politica
Foto: https://ichef.bbci.co.uk/news/1024/branded_portuguese/dbbd/live/901acd20-5074-11f1-8c42-ed39d04e1525.png
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■   Bernardo Cahue, 20/05/2026

A Polícia Federal, com autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, abriu investigação sobre um esquema de desvio de dinheiro público que envolve parlamentares bolsonaristas, a produção do filme Dark Horse e a compra de imóveis nos Estados Unidos. As apurações revelaram que o deputado Eduardo Bolsonaro e seu irmão Flávio Bolsonaro residem em mansões no exterior supostamente pagas com recursos desviados do Banco Master e do chamado “esquema Vorcaro” – apontado como um dos maiores roubos da história recente do Brasil, com desvio estimado em mais de R$ 50 bilhões.

Segundo informações obtidas pelo canal Plantão Brasil, a residência de Eduardo Bolsonaro em Arlington, Texas, foi adquirida por aproximadamente R$ 4 milhões por meio de fundos de investimento registrados nos Estados Unidos. As investigações mostram que esses fundos receberam dinheiro público roubado do Brasil e que têm ligações diretas com o deputado. A transação ocorreu da seguinte forma:

  • Um dos fundos, administrado pelo advogado pessoal de Eduardo Bolsonaro, recebeu recursos do esquema Vorcaro;
  • Este fundo e um segundo fundo operam no mesmo endereço e na mesma sala em Houston, Texas, com os mesmos administradores;
  • Dias após o recebimento do dinheiro, um dos fundos comprou a mansão em Arlington, cidade onde Eduardo Bolsonaro reside.

O deputado já apresentou três versões diferentes para o caso em menos de 48 horas: primeiro negou qualquer vínculo com o fundo; depois admitiu ter sido administrador do fundo, mas negou que a casa fosse sua; por fim, recuou novamente. “Se não é sua casa, você nega. Ele não nega”, destacou a apuração. A inconsistência das declarações levou a Polícia Federal a acionar o FBI para cooperação internacional, uma vez que a lavagem de dinheiro em solo americano pode render penas de até 20 anos de prisão – sem os benefícios recursais comuns no Brasil.

Além do caso das mansões, a investigação conduzida por Flávio Dino também abrange o financiamento do filme Dark Horse, uma produção sobre Jair Bolsonaro que está prevista para ser lançada a menos de três semanas das eleições. A apuração revelou que:

  1. Mais de R$ 107 milhões foram enviados pela Prefeitura de São Paulo (gestão Ricardo Nunes, aliado de Bolsonaro) à produtora do filme, sem licitação;
  2. Parlamentares bolsonaristas desviaram emendas parlamentares para a mesma produtora – entre eles Carla Zambelli (R$ 2 milhões), Mário Frias (R$ 3 milhões) e Bia Kicis (R$ 3 milhões);
  3. A produtora não tem outros projetos conhecidos e o dinheiro é majoritariamente enviado para os Estados Unidos, onde atores e direção são todos americanos – ou seja, recursos públicos brasileiros são exportados sem gerar empregos ou cultura no Brasil.

O ator e ex-secretário de Cultura Mário Frias está sendo procurado pela Justiça há mais de dez dias para depor, mas não é encontrado em seu gabinete nem em seus endereços cadastrados. A Justiça considera que há “fuga” deliberada.

Outro braço da investigação envolve o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que destinou R$ 107 milhões à produtora sem licitação. O Tribunal de Contas da União já havia alertado que investimentos em fundos podres (como os do Banco Master) gerariam prejuízo certo, mas políticos de diversos estados, como o governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, insistiram em aplicar recursos – no caso de Castro, foram mais de R$ 2,4 bilhões no sistema do Banco Master.

Eduardo Bolsonaro, em sua defesa, afirmou que vive nos Estados Unidos com rendimentos de um Pix de R$ 2 milhões enviado pelo pai, Jair Bolsonaro. A alegação foi contestada pelos investigadores: com essa quantia, aplicada a uma taxa irreal de 1% ao mês (inexistente no mercado americano), o rendimento mensal seria de cerca de R$ 20 mil – insuficiente para arcar com uma mansão de R$ 4 milhões, jantares de luxo e o padrão de vida exibido pelo deputado. Além disso, Eduardo tem contas bloqueadas no Brasil, o que impede que ele movimente recursos legalmente no país.

A expectativa dos investigadores é que Flávio Dino, relator do caso no STF, promova o compartilhamento de provas com a Justiça americana. O crime de lavagem de dinheiro internacional nos EUA prevê penas severas e cumprimento integral, sem os atenuantes frequentemente aplicados no Brasil para crimes de colarinho branco. “Vai dar bem ruim”, resumiu a apuração. A família Bolsonaro e os parlamentares envolvidos podem responder por peculato, lavagem de dinheiro, associação criminosa e corrupção ativa.

Com informações de Plantão Brasil (YouTube) ■

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