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Em meio a um xadrez diplomático que emperra e à iminência de novos ataques, a televisão Channel 12 de Israel divulgou informações segundo as quais o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e altos funcionários da defesa de seu país estariam intensificando um profundo lobby junto à administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O pedido central seria a autorização definitiva para que as Forças de Defesa de Israel possam destruir alvos estratégicos da infraestrutura energética do Irã. A avaliação em Jerusalém, conforme a reportagem, é que um ataque de grandes proporções colapsaria a já frágil economia da República Islâmica e forçaria o regime dos aiatolás a retornar à mesa de negociações em termos mais favoráveis ao Ocidente, pondo fim ao conflito que se arrasta na região.
A estratégia, segundo informe do Channel 12, integra um plano mais amplo que prevê o que militares israelenses chamam de “pacote de alvos” (target bank), já inteiramente preparado e sob análise do governo Trump. A decisão final, capital para o futuro da guerra de quase três meses, está nas mãos do presidente norte-americano, que avalia prós e contras de autorizar um ataque que poderia impulsionar Teerã ao exaurimento ou, alternativamente, detonar uma crise energética global e uma conflagração generalizada no Golfo Pérsico.
A reportagem da Channel 12, que tem sido citada posteriormente por veículos internacionais, enfatiza que Israel já teria preparado uma lista robusta de alvos nas indústrias de óleo e gás, nas refinarias, nas usinas de geração elétrica e nas plantas de dessalinização iranianas. A autorização para desfechar este ataque, contudo, ainda não foi concedida. Nas palavras da fonte israelense, o governo de Tel Aviv estaria “aguardando a autorização final da Casa Branca antes que qualquer uma dessas operações seja desencadeada”. Nas últimas semanas, o Channel 12 noticiou que as conversas militares de alto nível entre o chefe do Estado-Maior israelense, Eyal Zamir, e o comandante do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), Brad Cooper, foram intensificadas justamente para sincronizar uma resposta conjunta em caso de um eventual colapso diplomático.
A motivação central do lobby israelense é bastante clara e foi exposta com todas as letras ao governo Trump. Conforme fontes citadas pelo jornal israelense Yedioth Ahronoth, e replicadas pelo Channel 12, a aposta em Jerusalém é que um bombardeio devastador contra o sistema energético do Irã provocaria o “colapso total da economia” e consequente “enfraquecimento significativo do controle do regime terrorista sobre o poder”. A avaliação é compartilhada pelo próprio primeiro-ministro israelense, que em reuniões de gabinete chegou a declarar que “danos adicionais às capacidades energéticas do regime abalam-no profundamente”, e por seu ministro da Defesa, Israel Katz, que afirmou publicamente estar pronto para “destruir a rede energética nacional e a infraestrutura econômica” do país rival.
Embora o argumento de Israel seja o de que uma ação militar massiva seria a via mais rápida para forçar uma negociação vantajosa, analistas consultados pela imprensa apontam que a tática pode ter o efeito oposto ao desejado. Um relatório da inteligência norte-americana, citado pelo site The New Arab, concluiu que, apesar da devastadora campanha de bombardeios, “o Estado iraniano não corre perigo de colapso” no curto prazo. Ao contrário, ataques contínuos a infraestruturas que servem a população civil podem unificar a sociedade iraniana em torno do regime e fortalecer sua posição de resistência.
O apetite pela destruição sistemática também encontra resistência dentro da própria Casa Branca. Em meados de março, a administração Trump teria solicitado formalmente a Israel que suspendesse os ataques a instalações petrolíferas e energéticas no Irã. Fontes da época relataram que os EUA avaliam que os ataques podem “prejudicar civis iranianos que apoiam as operações EUA-Israel” e “complicar a futura cooperação energética” com um novo governo em Teerã, caso haja uma transição de poder. A preocupação norte-americana também se estende ao risco de uma escalada descontrolada, um temor que fica evidente na análise de que ataques israelenses poderiam desencadear “ataques retaliatórios maciços do Irã contra a infraestrutura energética dos estados do Golfo”.
As negociações mediadas pelo Paquistão fracassaram em abril, e um frágil cessar-fogo foi estendido unilateralmente por Trump sem um novo cronograma, a pedido de Islamabad. Nesse ínterim, o Channel 12 noticiou ainda no começo de maio que, apesar da trégua, “os contatos entre os chefes militares israelenses e norte-americanos se intensificaram em relação a uma possível ação contra o Irã”, com as Forças de Defesa de Israel se preparando para um novo ataque que pode mirar “redes de energia, bem como infraestrutura-chave, incluindo estradas”. A expectativa em Israel é que a pausa nas hostilidades pode desmoronar "já no início da próxima semana", nas palavras do canal.
Um ataque deliberado às refinarias e terminais de óleo e gás do Irã não apenas devastaria a economia doméstica daquele país, como teria repercussões imediatas no cenário global. Mais da metade do petróleo mundial escoa diariamente pelo Estreito de Ormuz, controlado de perto por Teerã e por Guardas Revolucionários cada vez mais beligerantes. O próprio presidente Trump já havia sinalizado publicamente a possibilidade de destruir usinas de energia e pontes iranianas se a via navegável não fosse reaberta imediatamente.
Em retaliação à campanha conjunta EUA-Israel iniciada em 28 de fevereiro, o Irã já promoveu uma série de ataques a infraestruturas vitais no Golfo, incluindo instalações críticas de processamento de gás no Qatar e comboios de petróleo sauditas. A promessa iraniana, reiterada por sua cúpula militar, é de que responderá a qualquer novo ataque contra sua rede energética com a destruição "completa" e "irreversível" da infraestrutura de seus adversários e aliados na região.
O noticiário do Channel 12 e as consultas a fontes abertas sugerem um imbróglio de alta complexidade: de um lado, um primeiro-ministro israelense empenhado em obter a anuência final para desferir golpes que considera decisivos; de outro, uma administração norte-americana hesitante em arcar com as consequências geopolíticas e econômicas de uma guerra irrestrita no setor energético. A “luz verde” para o ataque solicitado por Israel ainda não foi dada, mas o próprio fato de a demanda ter sido ventilada publicamente na impren indica o quanto a pressão sobre a Casa Branca é real e tem se acirrado nas últimas semanas.
Nesse cenário, a inferência de que um ataque à infraestrutura energética serviria para “forçar Teerã a negociar” permanece uma aposta israelense, ainda não validada pela experiência ou pela inteligência ocidental. O que se sabe até o momento é que, enquanto diplomatas buscam brechas para um acordo de cessar-fogo de longo prazo e a comunidade internacional apela pela contenção, o Canal 12 de Israel mantém seu foco na narrativa de que a via militar ainda é a mais curta — ainda que a mais perigosa — para o fim da guerra contra o regime dos aiatolás.
Em resumo, a denúncia levada a público pelo Channel 12 não é um fato isolado, mas parte de uma complexa engrenagem de pressão diplomática e militar que opõe, nas últimas semanas, os governos de Israel e dos Estados Unidos em torno da melhor maneira de encerrar o conflito com a República Islâmica do Irã. A destruição sistemática do setor energético iraniano, tal como defendida pelo governo Netanyahu, é apontada pelo canal israelense como a forma mais eficaz de levar Teerã à mesa de negociações, ainda que a própria administração Trump tenha demonstrado, em momentos distintos, abertas reservas quanto à eficácia e às consequências de tal empreitada.
Com informações de TASS, The Jerusalem Post, The New Arab, Ynetnews, The Times of Israel, Anadolu Ajans?, Oneindia, Chosun, Capital News Point, WIONews, The Mediaite, Middle East Eye, Iran International, BBC Brasil, UOL Notícias ■