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Uma ligação telefônica de 90 minutos entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou uma série de interpretações nas últimas horas sobre o real nível de alinhamento militar entre Moscou e Teerã.
De acordo com o conselheiro de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov, o teor da conversa foi "amigável, franco e profissional". Putin iniciou o contato, que foi o primeiro entre os dois líderes desde 9 de março, e a pauta principal foram os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia.
O ponto central da discussão sobre o Irã foi um alerta contundente do líder russo, citado pelo Kremlin: qualquer nova investida militar dos EUA ou de Israel, especialmente uma operação terrestre, teria "consequências inevitáveis e extremamente prejudiciais, não apenas para o Irã e seus vizinhos, mas para toda a comunidade internacional". Putin classificou a possibilidade de uma ação dessa natureza como "completamente inaceitável e perigosa".
Ushakov informou ainda que Putin aprovou a decisão de Trump de estender o frágil cessar-fogo com o Irã, considerando-a o caminho correto para dar uma chance às negociações e ajudar a estabilizar a situação na região.
Em suas declarações à imprensa, Trump descreveu o telefonema como "muito bom" e revelou que Putin se ofereceu para ajudar na questão do estoque de urânio enriquecido do Irã, uma oferta que foi recusada. "Eu disse a ele que preferia muito mais que ele se envolvesse no fim da guerra com a Ucrânia", afirmou Trump, sinalizando que a maior parte da conversa acabou concentrada no conflito europeu.
Putin também aproveitou a ocasião para propor uma trégua temporária na Ucrânia durante as comemorações do Dia da Vitória, em 9 de maio, uma ideia que foi apoiada por Trump. O presidente americano também afirmou acreditar que um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia está próximo.
A conversa evidencia o fortalecimento da relação russo-iraniana. Recentemente, Putin recebeu o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, em São Petersburgo, reafirmando o apoio a Teerã. Comandantes militares dos EUA também relataram que a Rússia estaria oferecendo algum tipo de assistência ao Irã no conflito contra os Estados Unidos, embora sem fornecer detalhes operacionais. Essa movimentação preocupa Washington, que vê suas ações no Oriente Médio sendo desafiadas.
Membros do governo Trump, como o senador republicano Roger Wicker, consideram que há "sérios passos" da Rússia para minar os esforços americanos de "alcançar o sucesso no Irã". Ainda assim, as evidências disponíveis até o momento apontam para uma escalada retórica e diplomática de Moscou.
Com informações de CBN Globo, UOL, Hindustan Times, Newsweek, Kyiv Post, WION, Anadolu Agency (AA), Daily Mail.
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