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Os senadores que barraram Messias e a esperança de um Senado legalista em 2027
Em votação histórica, a rejeição ao nome de Jorge Messias para o STF revelou a força da bancada bolsonarista e evangélica na Casa; a composição dos 42 votos contrários, agora conhecida, acende um alerta: as eleições de outubro, que renovarão dois terços do Senado
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■   Bernardo Cahue, 30/04/2026

O Senado Federal protagonizou um episódio inédito na noite de 29 de abril de 2026. Pela primeira vez em 132 anos, a Casa rejeitou o nome de um indicado do presidente da República para o Supremo Tribunal Federal (STF). Jorge Messias, advogado-geral da União e escolhido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), obteve apenas 34 votos favoráveis, bem aquém dos 41 necessários. Em votação secreta, 42 senadores foram contrários à sua indicação para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso . A última vez que o Senado barrou uma indicação presidencial para a mais alta Corte do país foi em 1894, quando cinco nomes do governo do marechal Floriano Peixoto foram rejeitados .

O revés, no entanto, não foi um mero acaso da política, mas o resultado de uma engrenagem conservadora e extremista que hoje comanda a dinâmica do plenário. A lista dos parlamentares que votaram contra a nomeação, a partir de declarações públicas dos próprios senadores, foi amplamente divulgada pela imprensa.

De acordo com levantamento do portal O Antagonista, as 42 manifestações contrárias uniram uma coligação informal que vai de integrantes do antigo bolsonarismo a setores do centrão e da bancada religiosa . As forças políticas que determinaram a rejeição do nome de Lula para o STF são, em sua maioria, as mesmas que defendem pautas como a anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro e o impeachment de ministros da Corte .

A seguir, a relação dos senadores que declararam voto contrário à indicação de Jorge Messias, segundo levantamento do portal O Antagonista e confirmado por veículos como UOL e Folha de S.Paulo :

  • Rogério Marinho (PL-RN)
  • Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
  • Mara Gabrilli (PSD-SP)
  • Magno Malta (PL-ES)
  • Eduardo Girão (Novo-CE)
  • Jorge Seif (PL-SC)
  • Sergio Moro (PL-PR)
  • Roberta Acioly (Republicanos-RR)
  • Marcio Bittar (PL-AC)
  • Izalci Lucas (PL-DF)
  • Alan Rick (Republicanos-AC)
  • Plínio Valério (PSDB-AM)
  • Jaime Bagatoli (PL-RO)
  • Marcos Pontes (PL-SP)
  • Damares Alves (Republicanos-DF)
  • Esperidião Amin (PP-SC)
  • Luis Carlos Heinze (PP-RS)
  • Marcos do Val (Avante-ES)
  • Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
  • Carlos Viana (PSD-MG)
  • Cleitinho (Republicanos-MG)
  • Carlos Portinho (PL-RJ)
  • Zequinha Marinho (Podemos-PA)
  • Efraim Filho (PL-PB)

A força da oposição para barrar a nomeação não se limitou aos 24 parlamentares acima. Outros 18 senadores, em sua maioria integrantes de siglas como PL, Republicanos e PP, e que não haviam declarado voto formalmente antes da votação, também compuseram o placar de 42 contrários. Os ausentes na sessão foram Wilder Morais (PL-GO), Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), Cid Gomes (PSB-CE) e Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) .

Os senadores contrários a Messias reforçam, majoritariamente, a ala que vê o Supremo Tribunal Federal como um adversário político. A atuação da AGU no processo do 8 de janeiro e as posições do indicado sobre o aborto pesaram negativamente entre os conservadores.

A derrota de Messias representa uma mudança tectônica na política nacional. A Casa, que por mais de um século não enfrentava um episódio de rejeição a um ministro do STF, mostrou que a legalidade e a técnica jurídica não são mais os critérios preponderantes para a outorga de um assento na Suprema Corte. A lógica que prevaleceu foi a do poder bruto e da agenda de costumes, guiada por uma parcela do parlamento que se vê mais como pastores e soldados de uma guerra cultural do que como legisladores.

A rejeição escancara a urgência das eleições de 2026 para o Senado. Em outubro, 54 das 81 cadeiras estarão em disputa, o que significa uma renovação de dois terços da Casa. Após a votação, ficou evidente que o quadro de forças que barrou Messias pode ser desmontado ou ampliado nas urnas. Este será, sem dúvida, o maior termômetro sobre o futuro do equilíbrio entre os Poderes no país.

Por que o pleito de 2026 é a grande chance para os legalistas? A eleição para o Senado em 2026 é, para analistas, a mais crucial das últimas décadas. A renovação de 54 dos 81 senadores promete mudar radicalmente a cara do plenário a partir de 2027 . O Brasil irá às urnas para escolher dois senadores por estado, que terão mandatos de oito anos . Esta será a primeira grande oportunidade para a sociedade civil e para os setores democráticos reagirem ao ativismo religioso e golpista que agora controla a Casa.

Os números da renovação são impressionantes:

  • Atualmente, a oposição conta com uma bancada robusta de senadores alinhados ao bolsonarismo. No entanto, 15 senadores do PL estão com mandato em jogo, o que representa uma enorme vulnerabilidade para o partido de Jair Bolsonaro .
  • O Centrão, decisivo na rejeição a Messias, também está acuado: o MDB disputará 9 das suas 10 cadeiras, enquanto o PSD enfrentará a renovação de 11 dos seus 14 senadores .
  • O PT terá que defender 6 das suas 9 cadeiras, em uma ofensiva para manter uma base mínima de governabilidade .

A eleição para o Senado, muitas vezes negligenciada pelo eleitor, agora se torna o palco principal da disputa pela hegemonia política no Brasil. O resultado das urnas em outubro decidirá se o Senado continuará refém de uma bancada que prioriza a fé militante e o revisionismo golpista, ou se inaugurará uma fase de maior equilíbrio, baseada no respeito à Constituição e na defesa do Estado laico.

Será nas mãos do eleitor, em outubro, a decisão sobre o modelo de Senado que o Brasil terá para a próxima década. A rejeição a um jurista qualificado por critérios político-religiosos serve como um sinal de alerta: ou a sociedade se mobiliza para eleger senadores comprometidos com a legalidade e a separação entre fé e política, ou o quadro de extremismo testemunhado na votação de Jorge Messias se tornará a regra permanente na mais alta Casa legislativa do país.

Com informações de G1, BBC News Brasil, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, O Globo, Estadão, Poder360, UOL, InfoMoney, Metrópoles, Joven Pan, O Antagonista, Agência Senado, Brasil 247, Correio Braziliense, Intercept Brasil, DW Brasil, Gazeta do Povo e Jornal de Brasília ■

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