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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou formalmente a mais recente proposta diplomática apresentada pelo Irã para encerrar os combates e reabrir o Estreito de Ormuz, informaram fontes da imprensa internacional nesta quarta-feira (29). A recusa aprofundou o impasse no conflito que já dura dois meses e provocou uma forte disparada nos preços do petróleo, que ultrapassaram a marca dos US$ 117 por barril.
Segundo reportagem da AFP reproduzida pelo G1, Trump comunicou sua intenção de estender o bloqueio naval aos portos iranianos "por meses, se necessário" durante uma reunião com líderes da indústria de petróleo. Ao encontro, ocorrido na Casa Branca, também compareceram o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o vice-presidente JD Vance e a chefe de gabinete Susie Wiles. Um funcionário da Casa Branca, sob condição de anonimato, afirmou à AFP que os executivos foram informados sobre medidas para aliviar os mercados globais mantendo a pressão sobre o Irã.
A proposta iraniana, encaminhada por meio de mediadores paquistaneses, previa a reabertura imediata do Estreito de Ormuz — por onde transitam cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo — em troca do fim do bloqueio naval dos EUA. O plano iraniano, contudo, postergava a discussão sobre seu programa nuclear para uma fase posterior, o que contrariou frontalmente a posição do governo Trump. De acordo com fontes da CNN, o presidente norte-americano deixou claro em reunião com seus conselheiros de segurança na segunda-feira (27) que não aceitará negociar o tema nuclear após o fim das hostilidades.
Em sua rede Truth Social, Trump publicou uma montagem com sua imagem segurando um fuzil, ao fundo de explosões, e uma mensagem direcionada a Teerã: "O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo que não seja nuclear. É melhor ficarem espertos logo!". Em entrevista ao canal norte-americano Axios, o presidente comparou a eficácia do cerco: "O bloqueio é um tanto mais efetivo do que os bombardeios. Eles estão sufocando. Vai piorar para eles. Eles não podem ter uma arma nuclear".
A decisão de estender o bloqueio por um período prolongado foi endossada por uma reportagem do The Wall Street Journal, que revelou que o presidente já orientou seus assessores a se prepararem para um cerco duradouro. A Marinha dos EUA impôs o bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz em 13 de abril, como resposta ao fechamento da passagem ordenado pelo Irã desde o início do conflito com os EUA e Israel, em 28 de fevereiro. As forças americanas já interceptaram e desviaram ao menos seis navios-tanque carregados com petróleo iraniano nos últimos dias.
Diante do anúncio do bloqueio prolongado e da rejeição de Trump à última oferta diplomática, os preços do petróleo dispararam. O barril do tipo Brent, referência internacional, subiu mais de 5% na sessão desta quarta-feira, chegando a ser cotado a US$ 119,68 nas primeiras horas, seu valor mais alto desde junho de 2022, segundo dados da Bloomberg compilados pelo G1. No início da tarde, o Brent era negociado a US$ 118,94, uma alta de 6,90% no dia. O West Texas Intermediate (WTI), por sua vez, avançava 6,86%, cotado a US$ 106,79. O InfoMoney reportou que o Brent já havia atingido US$ 117,76 por barril no período da manhã, com alta de 5,84%.
A forte valorização da commodity — que acumula ganhos superiores a 55% desde o início da guerra — reflete o temor dos investidores de que o fornecimento de energia do Golfo Pérsico permaneça comprometido por um período prolongado, elevando os custos globais e pressionando a inflação mundial. Analistas do banco ING afirmaram que o foco imediato do mercado segue sendo a retomada do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, em meio a uma crise que ameaça mergulhar mais de 30 milhões de pessoas na pobreza, segundo a ONU.
No front diplomático, as esperanças de revitalização das negociações recuaram drasticamente desde o último sábado (25), quando Trump cancelou uma viagem de seu enviado especial Steve Witkoff e do genro Jared Kushner ao Paquistão, país mediador. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, deslocou-se a Islamabad duas vezes durante o fim de semana, confirmando que a via diplomática segue aberta, mas sem avanços concretos. Ainda assim, fontes da CNN indicaram que os mediadores paquistaneses esperam receber uma contraproposta revisada do Irã ainda nesta semana.
Em Teerã, a reação ao anúncio de Trump foi dura. Um alto funcionário da segurança iraniana, citado pela rede estatal Press TV, afirmou que o bloqueio naval dos EUA "será logo respondido com uma ação prática e sem precedentes", acrescentando que a "paciência tem limites". O porta-voz militar iraniano, general de brigada Amir Akrami Nia, declarou que o país está preparado para responder às ameaças dos EUA com "novos métodos" e que não considera a guerra "inevitável". Paralelamente, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, classificou o bloqueio americano como uma tentativa de fomentar "divisão interna" e forçar o colapso do país por dentro.
O anúncio também pressionou ainda mais a economia iraniana. O Rial atingiu seu menor valor histórico frente ao dólar desde a fundação da República Islâmica, em 1979, segundo relatos de moradores de Teerã entrevistados pela AFP. Um arquiteto de 52 anos afirmou: "A ideia de voltar a viver a guerra é assustadora, mas tampouco temos esperanças quanto ao resultado das negociações. Vão negociar e voltam com ainda mais sanções".
Enquanto isso, no front militar, o comando central dos EUA (CENTCOM) elaborou planos para uma possível onda de ataques aéreos "curta e poderosa" contra alvos da infraestrutura iraniana, caso o impasse diplomático persista. Trump ainda não autorizou nenhuma ação cinética, de acordo com fontes ouvidas pelo Axios. O presidente, que enfrenta uma aprovação popular em queda (apenas 34% de aprovação, segundo pesquisa Reuters/Ipsys), também lida com a insatisfação de parte de sua base de apoio com os custos crescentes da guerra.
A crise em Ormuz desencadeou ainda consequências geopolíticas no Golfo. Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que se retirarão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e da aliança OPEP+ a partir de 1º de maio, uma decisão que, embora limitada em seu impacto imediato devido ao fechamento do estreito, representa um duro golpe para o bloco liderado pela Arábia Saudita e Rússia. A saída emiratense ocorre após uma cúpula de líderes do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) em Jeddah, onde as monarquias da região pressionaram por uma solução rápida para reabrir a passagem.
Com a pausa nos combates desde 8 de abril, o tráfego no Estreito de Ormuz segue incerto. Embora um navio metaneiro tenha atravessado a passagem pela primeira vez desde o início do conflito no domingo (26), especialistas apontam que o fluxo comercial ainda é muito limitado para fazer frente à escassez de oferta de energia. A empresa de inteligência marítima Windward registrou alguns sinais de recuperação no fim de semana, mas alertou que o aumento de movimentação ainda não representava uma retomada dos fluxos de petróleo e gás. A incerteza sobre o imediato reabastecimento dos mercados mantém a perspectiva de preços elevados no curto prazo, com o barril de Brent sendo negociado a US$ 111,44 às 12h20 desta quarta-feira em Lisboa, segundo a RTP.
Com informações de AFP, G1, Reuters, Bloomberg, The Wall Street Journal, CNN, Axios, InfoMoney, UOL, RTP, Times of Israel, Ynetnews, Anadolu Ajans?, Al Jazeera, Fars News, Press TV, Arabian Business, Yahoo Finance, The New Arab, Daily Sabah, Pakistan Today, Gulf News, EWN, Ahram Online, NDTV, South China Morning Post ■