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O serviço de inteligência israelense surpreendeu aliados e adversários nesta terça-feira (28) ao divulgar uma nova avaliação sobre o paradeiro do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã entre 1989 e 28 de fevereiro de 2026. Diferentemente do que foi amplamente noticiado por fontes do governo de Israel e dos Estados Unidos após o ataque coordenado que deu início à guerra, a inteligência israelense agora admite que Khamenei pode estar vivo. De acordo com o memorando, obtido pelo The Times e citado por agências internacionais, o aiatolá de 86 anos não teria morrido na primeira leva de bombardeios, como se supunha inicialmente, mas estaria escondido e possivelmente sob cuidados médicos intensivos em um local não revelado.
A nova avaliação, fruto de uma reanálise de dados de interceptação de comunicações e imagens de satélite coletadas nas últimas duas semanas, conclui que há "fortes indícios de que o corpo encontrado nos escombros de Teerã não era o de Ali Khamenei". O documento foi discutido em uma reunião secreta do gabinete de guerra israelense e teria provocado um acalorado debate entre o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e o chefe do Mossad, David Barnea. Fontes ouvidas pela CNN Brasil e pela Agência Reuters indicam que a inteligência americana (CIA) já foi informada da reavaliação e trabalha para verificar de forma independente o paradeiro do líder persa.
A reviravolta lança uma sombra de dúvida sobre os últimos dois meses de guerra e sobre a própria sucessão no Irã. Horas após os primeiros bombardeios, no dia 28 de fevereiro, o premiê israelense havia declarado à imprença que "todos os sinais indicam que o ditador iraniano não está mais entre nós". A afirmação foi ecoada pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e reproduzida por veículos como a BBC e o The Guardian. Na ocasião, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmara, em entrevista à NBC News, que Khamenei estava vivo "até onde eu sei". Agora, a nova análise da inteligência israelense admite que a declaração de Araghchi pode ter sido precisa.
O quadro se torna ainda mais complexo com as informações sobre o sucessor de Khamenei, seu filho Mojtaba Khamenei, de 56 anos. Escolhido pelo Conselho de Peritos para liderar o país em 8 de março, Mojtaba não apareceu em público desde então. Relatórios da inteligência israelense e americana, citados pelo The Times, indicam que ele foi gravemente ferido no mesmo ataque que supostamente matou seu pai e estaria "inconsciente" e recebendo "tratamento médico grave" na cidade sagrada de Qom, a 140 km ao sul de Teerã. "... Está sendo tratado em Qom em estado grave, incapaz de participar de qualquer tomada de decisão do regime."
O cenário de indefinição sobre a liderança iraniana tem implicações diretas na busca por um acordo de paz. Ainda na terça-feira (28), o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que seu país está pronto para "fazer o Irã retornar à Idade das Trevas" e que as Forças Armadas aguardam um "sinal verde" dos Estados Unidos para retomar a guerra e "completar a eliminação da dinastia Khamenei". As negociações entre Washington e Teerã, que já ocorreram em Islamabad, Turquia e Egito, estão estagnadas. A Arábia Saudita pressiona os EUA para que suspendam o bloqueio do Estreito de Ormuz, enquanto o Irã continua a reabilitar seu programa de mísseis balísticos, conforme denunciado pela inteligência israelense em dias recentes.
A reportagem buscou contato com a Casa Branca, o Ministério das Relações Exteriores do Irã e o porta-voz do Mossad, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O que se sabe, até o momento, é que as certezas iniciais sobre a morte de Ali Khamenei deram lugar a um complexo quebra-cabeças geopolítico, com implicações profundas para o futuro do Oriente Médio.
Com informações de G1 Globo, BBC, Times of Israel, Jerusalem Post, The Times, CNN Brasil, Reuters, UOL, Al Jazeera, Al Arabiya English, Washington Post, Israel Hayom, New Kerala, The Guardian, The Wall Street Journal ■