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Aiatolá Ali Khamenei pode estar vivo, aponta inteligência israelense
Avaliação divulgada em 28 de abril de 2026 afirma que o líder supremo do Irã, dado como morto por Israel e pelos EUA no final de fevereiro, pode ter sobrevivido ao ataque coordenado
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 29/04/2026

O serviço de inteligência israelense surpreendeu aliados e adversários nesta terça-feira (28) ao divulgar uma nova avaliação sobre o paradeiro do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã entre 1989 e 28 de fevereiro de 2026. Diferentemente do que foi amplamente noticiado por fontes do governo de Israel e dos Estados Unidos após o ataque coordenado que deu início à guerra, a inteligência israelense agora admite que Khamenei pode estar vivo. De acordo com o memorando, obtido pelo The Times e citado por agências internacionais, o aiatolá de 86 anos não teria morrido na primeira leva de bombardeios, como se supunha inicialmente, mas estaria escondido e possivelmente sob cuidados médicos intensivos em um local não revelado.

A nova avaliação, fruto de uma reanálise de dados de interceptação de comunicações e imagens de satélite coletadas nas últimas duas semanas, conclui que há "fortes indícios de que o corpo encontrado nos escombros de Teerã não era o de Ali Khamenei". O documento foi discutido em uma reunião secreta do gabinete de guerra israelense e teria provocado um acalorado debate entre o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e o chefe do Mossad, David Barnea. Fontes ouvidas pela CNN Brasil e pela Agência Reuters indicam que a inteligência americana (CIA) já foi informada da reavaliação e trabalha para verificar de forma independente o paradeiro do líder persa.

A reviravolta lança uma sombra de dúvida sobre os últimos dois meses de guerra e sobre a própria sucessão no Irã. Horas após os primeiros bombardeios, no dia 28 de fevereiro, o premiê israelense havia declarado à imprença que "todos os sinais indicam que o ditador iraniano não está mais entre nós". A afirmação foi ecoada pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e reproduzida por veículos como a BBC e o The Guardian. Na ocasião, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmara, em entrevista à NBC News, que Khamenei estava vivo "até onde eu sei". Agora, a nova análise da inteligência israelense admite que a declaração de Araghchi pode ter sido precisa.

O quadro se torna ainda mais complexo com as informações sobre o sucessor de Khamenei, seu filho Mojtaba Khamenei, de 56 anos. Escolhido pelo Conselho de Peritos para liderar o país em 8 de março, Mojtaba não apareceu em público desde então. Relatórios da inteligência israelense e americana, citados pelo The Times, indicam que ele foi gravemente ferido no mesmo ataque que supostamente matou seu pai e estaria "inconsciente" e recebendo "tratamento médico grave" na cidade sagrada de Qom, a 140 km ao sul de Teerã. "... Está sendo tratado em Qom em estado grave, incapaz de participar de qualquer tomada de decisão do regime."

  • Estado de saúde de Mojtaba Khamenei: A imprensa israelense, com base em fontes de segurança, descreve ferimentos extensos: uma perna teria passado por três cirurgias, com possibilidade de amputação, queimaduras graves e uma lesão facial que exigiria reconstrução. Ele estaria se comunicando apenas por bilhetes escritos, devido a uma possível lesão na laringe ou mandíbula. A última aparição pública foi uma gravação de áudio atribuída a ele em março, mas que analistas suspeitam ter sido manipulada por inteligência artificial.
  • Quem governa o Irã atualmente? As avaliações convergem: o país estaria sendo administrado por um "conselho de diretores" formado por generais de alto escalão da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Fontes do Jerusalem Post e do Washington Post indicam que o IRGC teria assumido o controle de facto do país, utilizando Mojtaba Khamenei como uma figura decorativa ou fantoche. O governo iraniano, por sua vez, continua a negar os relatos de fraqueza e insiste que o novo líder está "bem de saúde, em boas condições". No entanto, essa versão oficial tem sido recebida com ceticismo pelos serviços de inteligência ocidentais.

O cenário de indefinição sobre a liderança iraniana tem implicações diretas na busca por um acordo de paz. Ainda na terça-feira (28), o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que seu país está pronto para "fazer o Irã retornar à Idade das Trevas" e que as Forças Armadas aguardam um "sinal verde" dos Estados Unidos para retomar a guerra e "completar a eliminação da dinastia Khamenei". As negociações entre Washington e Teerã, que já ocorreram em Islamabad, Turquia e Egito, estão estagnadas. A Arábia Saudita pressiona os EUA para que suspendam o bloqueio do Estreito de Ormuz, enquanto o Irã continua a reabilitar seu programa de mísseis balísticos, conforme denunciado pela inteligência israelense em dias recentes.

  • Reações e desdobramentos: O presidente dos EUA Joe Biden se recusou a comentar as novas informações sobre o paradeiro de Khamenei, limitando-se a afirmar que seu governo "fará o que for necessário para garantir a segurança de Israel e a estabilidade da região". A União Europeia, por sua vez, pediu "moderação e transparência" a todas as partes. No plano interno, a incerteza na cúpula do poder iraniano tem gerado um vácuo de autoridade, com relatos de confrontos entre facções conservadoras e os comandantes da Guarda Revolucionária pelo controle das pastas de segurança e energia.
  • Impacto no tabuleiro geopolítico: A Rússia e a China, por meio de seus canais diplomáticos, já teriam sido notificadas das novas descobertas da inteligência israelense. Moscou, que mantém relações próximas com Teerã, demonstrou preocupação com uma possível escalada militar caso o sucessor ferido não consiga consolidar sua posição.

A reportagem buscou contato com a Casa Branca, o Ministério das Relações Exteriores do Irã e o porta-voz do Mossad, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O que se sabe, até o momento, é que as certezas iniciais sobre a morte de Ali Khamenei deram lugar a um complexo quebra-cabeças geopolítico, com implicações profundas para o futuro do Oriente Médio.

Com informações de G1 Globo, BBC, Times of Israel, Jerusalem Post, The Times, CNN Brasil, Reuters, UOL, Al Jazeera, Al Arabiya English, Washington Post, Israel Hayom, New Kerala, The Guardian, The Wall Street Journal ■

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