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O governo do Irã recorreu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para exigir que Israel cumpra integralmente o cessar-fogo no Líbano e retire suas tropas do território libanês. A declaração foi feita pelo embaixador e representante permanente do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, durante um debate aberto do Conselho sobre a situação no Oriente Médio nesta terça-feira, 29 de abril de 2026.
"A ausência persistente de responsabilização alimenta uma perigosa cultura de impunidade", afirmou Iravani, conforme registros oficiais da reunião. O diplomata pediu que o Conselho de Segurança obrigue Israel a parar seus ataques no Líbano e a retirar suas forças militares imediatamente, sob pena de uma nova escalada regional.
Em seu discurso, Iravani também denunciou as chamadas violações israelenses em Gaza, na Cisjordânia e na Síria, mas concentrou suas críticas na situação libanesa. Ele afirmou que o "regime ocupante" continua a desrespeitar os acordos de cessar-fogo através de ataques militares e restrições severas ao acesso humanitário, aprofundando o sofrimento dos civis. O enviado pediu ainda uma solução que garanta um "cessar-fogo duradouro e permanente", a "retirada total das forças ocupantes" e a "proteção do direito inalienável do povo palestino à autodeterminação".
O pedido formal de Teerã ocorre em meio a um agravamento das tensões na fronteira sul do Líbano. Apesar da extensão de tréguas mediadas pelos Estados Unidos e por outros atores, Israel intensificou seus bombardeios e ataques com drones contra posições e áreas civis nas últimas semanas, o que tem sido condenado pela comunidade internacional. De acordo com relatórios da ONU, somente no dia 8 de abril, forças israelenses atingiram mais de 150 locais simultaneamente em todo o Líbano, matando pelo menos 303 pessoas e ferindo mais de 1.150.
"O Conselho de Segurança deve forçar Israel a cumprir totalmente o cessar-fogo no Líbano e a retirar suas forças de lá", enfatizou Iravani, ecoando a posição dura que o regime iraniano tem mantido desde o início dos confrontos. As palavras do embaixador foram rapidamente repercutidas pelos principais veículos de imprensa do Oriente Médio, em especial pela rede Al Jazeera, que destacou o tom contundente do diplomata iraniano.
O governo israelense, por sua vez, rebateu as acusações, afirmando que o cessar-fogo acertado entre EUA e Irã — mediado pelo Paquistão — não inclui o Líbano. Autoridades de Jerusalém insistiram que os ataques contra alvos do Hezbollah são legítimos e que suas tropas permanecerão no sul libanês enquanto julgarem necessário, o que Teerã considera uma violação flagrante dos acordos e das resoluções do Conselho de Segurança, como a Resolução 1701, que determina a retirada israelense de todo o território libanês e o desarmamento de milícias na região.
O contexto do apelo iraniano é de crescente desgaste diplomático e militar entre as partes. Desde o reinício das hostilidades, no final de fevereiro de 2026, o conflito já causou milhares de mortes e deslocou mais de 1,2 milhão de pessoas somente no Líbano. Para a comunidade internacional, a situação se tornou ainda mais volátil porque o cessar-fogo originalmente negociado entre Washington e Teerã era restrito, o que permitiu a Israel alegar que o acordo não abrangia o front libanês. O Irã, porém, afirma o contrário: segundo a versão iraniana, o entendimento incluía a cessação das hostilidades em todas as frentes, o que obrigaria Israel a interromper os ataques contra o Hezbollah e a se retirar.
Diante da recusa israelense e da aparente inação do Conselho de Segurança, o governo iraniano já ameaçou adotar medidas unilaterais, incluindo o fechamento do Estreito de Ormuz e o retorno à guerra aberta. Embora o discurso de Iravani tenha evitado ameaças explícitas nesse sentido, ele deixou claro que a continuidade dos ataques israelenses no Líbano inviabiliza qualquer esforço de paz duradoura e pode levar a uma nova conflagração regional. Analistas apontam que o posicionamento de Teerã visa também pressionar Washington a usar sua influência sobre Israel para frear a ofensiva no Líbano, já que os EUA são o principal aliado de Israel e mediador central dos acordos de cessar-fogo.
Reações na região são divergentes. Enquanto países como o Catar e o Paquistão expressaram apoio à posição iraniana de que a trégua deve ser ampliada a todas as frentes, os Emirados Árabes Unidos adotaram um tom mais cauteloso, manifestando-se favoráveis ao cumprimento das resoluções do Conselho de Segurança e pedindo "esclarecimentos adicionais sobre os termos do cessar-fogo". A União Europeia, por sua vez, recomendou moderação e a retomada imediata das negociações diretas entre todas as partes envolvidas.
O Conselho de Segurança da ONU ainda não se pronunciou oficialmente sobre o pedido iraniano. Nos bastidores, contudo, diplomatas ouvidos pela imprensa indicam que não há consenso entre os membros permanentes para uma resolução que obrigue Israel a recuar. Rússia e China já sinalizaram maior abertura à proposta iraniana, enquanto EUA, Reino Unido e França defendem que o cessar-fogo em vigor é suficiente e que as conversas políticas devem avançar paralelamente. A expectativa é que o tema volte a ser discutido em uma nova reunião do Conselho na próxima semana, já sob forte pressão da comunidade internacional pelo elevado número de vítimas civis.
Paralelamente ao plano diplomático, o Irã mantém suas forças armadas em estado de alerta máximo ao longo do estreito de Ormuz e das fronteiras com o Iraque. A possibilidade de um novo fechamento do estreito — estratégico para o fluxo global de petróleo — aqueceu o preço do barril nas últimas 48 horas e gerou apelos de vários países para que o Conselho de Segurança atue rapidamente. O mundo, portanto, assiste apreensivo aos desdobramentos, na esperança de que a diplomacia prevaleça sobre o confronto militar.
Com informações de Al Jazeera, Agência Anadolu (AA), Agência Brasil (EBC), Tasnim News Agency, Press TV, IRNA, Reuters, Associated Press, Folha de S.Paulo, O Globo, The New York Times, The Guardian, Le Monde, France 24, Sky News Arabia, Arab News, BBC News, CNN Brasil, Deutsche Welle, The Moscow Times, Xinhua News Agency e Al Arabiya ■