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Emirados Árabes anunciam saída da OPEP
Medida é encarada como um duro golpe para o grupo, e um reforço para a política externa do governo Trump
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 28/04/2026

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram nesta terça-feira (28 de abril de 2026) sua decisão de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a aliança ampliada Opep+, em um movimento descrito pela imprensa internacional como um “duro golpe” para o grupo liderado de fato pela Arábia Saudita. A medida, que entra em vigor em 1º de maio, ocorre em meio à guerra entre EUA, Israel e Irã, que já provocou uma crise energética histórica.

O anúncio foi feito pela agência de notícias estatal WAM, que divulgou um comunicado do Ministério da Energia e Infraestrutura. A nota oficial afirma que a decisão “reflete a visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e a evolução do seu perfil energético, em particular a aceleração dos investimentos na produção de energia nacional”. O ministro de Energia do país, Suhail Mohamed al-Mazrouei, confirmou a saída à agência Reuters. Ele explicou que a medida foi tomada após uma “análise cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção” e é baseada no interesse nacional do país.

Fontes consultadas pela Reuters, sob condição de anonimato, afirmaram que as relações entre os Emirados e a Arábia Saudita se deterioraram nos últimos anos. A insatisfação de Abu Dhabi com as cotas de produção impostas pela Opep, que limitariam suas exportações “injustamente”, é apontada como um dos principais pontos de atrito. Ao mesmo tempo, a ação é interpretada como uma vitória política para o presidente dos EUA, Donald Trump, crítico ferrenho da Opep, a quem acusa de “explorar o resto do mundo” ao inflacionar os preços do petróleo. A decisão também foi criticada pelo Irã, que classificou a atitude como uma sabotagem à unidade do mundo árabe.

A saída dos Emirados Árabes Unidos, um dos três maiores produtores do grupo, é amplamente vista por analistas como um divisor de águas para o mercado de energia, com o potencial de desencadear uma reação em cadeia. A organização divulgou uma nota oficial expressando “profundo pesar”, mas o impacto imediato foi sentido nos preços do petróleo. O barril Brent, referência internacional, chegou a subir mais de 4% com a notícia, atingindo a maior cotação desde 23 de abril. No entanto, o movimento também gera incertezas, já que a capacidade dos Emirados de aumentar sua produção de forma significativa no curto prazo é limitada devido ao bloqueio de fato do Estreito de Ormuz pelo Irã.

Enquanto aguardam os próximos capítulos dessa história, a comunidade internacional monitora os desdobramentos. A expectativa é que, nos próximos dias, a Arábia Saudita e os demais membros da Opep se manifestem oficialmente sobre a decisão e suas consequências. O anúncio pode representar o início de uma nova era para o mercado de petróleo, com o potencial de remodelar alianças e estratégias energéticas globais.

Contexto e detalhes adicionais:

  • Membro de longa data: Os Emirados Árabes Unidos são membros da Opep desde 1967, sendo um dos países fundadores da aliança e um de seus membros mais influentes.
  • Capacidade de produção: Os EAU atualmente produzem cerca de 4 milhões de barris de petróleo por dia e planejam aumentar esse número para 5 milhões de barris até 2027. A saída da Opep permite que o país busque essa expansão sem estar sujeito às cotas de produção do cartel.
  • Crise no Estreito de Ormuz: A guerra com o Irã e o consequente bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global, têm prejudicado severamente as exportações de petróleo dos EAU, afetando os alicerces de sua economia.
  • Relações com a Arábia Saudita: As relações entre os EAU e a Arábia Saudita, a principal liderança da Opep, têm se mostrado tensas nos últimos anos, com divergências em várias frentes geopolíticas e de mercado.

Principais motivos apontados para a saída:

  1. Interesse nacional e soberania energética: A decisão é justificada pelo governo dos EAU como uma forma de priorizar seus próprios interesses econômicos e de segurança energética, sem as amarras das decisões do cartel.
  2. Fim das cotas de produção: A saída libera os EAU das cotas de produção impostas pela Opep, que limitavam sua produção a 3,2 milhões de barris por dia, apesar de sua capacidade instalada ser de cerca de 5 milhões. Isso permite ao país aumentar sua produção e receitas de forma independente.
  3. Insatisfação com a resposta do Golfo aos ataques iranianos: Os EAU criticaram abertamente seus aliados árabes por não fornecerem proteção militar suficiente contra os ataques do Irã durante o conflito. Essa insatisfação teria contribuído para a decisão de seguir um caminho mais autônomo.
  4. Reestruturação geopolítica e afastamento da Arábia Saudita: A medida reflete um distanciamento estratégico da Arábia Saudita. Os EAU têm trilhado seu próprio caminho na região, incluindo a aproximação com Israel e o apoio a grupos no Iêmen, divergindo da liderança saudita.
  5. Visão de longo prazo e transição energética: O comunicado oficial cita a visão de longo prazo e a evolução do perfil energético do país, que inclui investimentos acelerados em energia nacional, sugerindo que os EAU estão se preparando para um futuro com menos dependência do petróleo.

Reações e impactos imediatos:

  • Preços do petróleo: O barril Brent subiu mais de 4% com o anúncio, atingindo US$ 105,81, antes de recuar ligeiramente para cerca de US$ 103,98.
  • Arábia Saudita: Ainda não emitiu uma resposta oficial, mas a expectativa é de que o reino, como maior produtor e líder de fato da Opep, condene a decisão e busque consolidar a aliança remanescente.
  • Irã: O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Nasser Kanaani, declarou que a saída dos EAU é uma “manobra política” que visa abalar a unidade dos países produtores e que não surtirá efeito prático no cenário energético global, embora as alegações de Kanaani tenham sido contestadas por analistas internacionais.
  • Estados Unidos: O presidente Donald Trump, em sua plataforma Truth Social, classificou a saída como “um grande dia para a América e para a liberdade dos mercados”. A decisão é vista como uma vitória para a política externa de Trump, que vinha pressionando a Opep.
  • Analistas e consultorias: Jorge Leon, analista da Rystad Energy, afirmou que “a saída dos EAU marca uma mudança sísmica para a Opep e um duro golpe para a influência da Arábia Saudita no mercado global de petróleo”.

Impactos e perspectivas futuras:

  • Enfraquecimento da Opep: A saída de um membro tão influente como os EAU enfraquece significativamente a coesão e o poder de barganha do cartel, podendo levar a uma reconfiguração das alianças no Oriente Médio.
  • Guerra de preços: Existe o risco de uma guerra de preços entre os membros remanescentes da Opep, cada um tentando maximizar sua própria produção, o que poderia levar a uma queda generalizada nos preços do petróleo.
  • Independência energética dos EAU: Agora livre das amarras da Opep, os EAU podem acelerar seus planos de aumentar a produção de petróleo e investir em energia renovável, solidificando sua posição como uma potência econômica independente no cenário global.
  • Riscos geopolíticos e instabilidade: A decisão adiciona uma nova camada de complexidade a uma região já em guerra, aumentando a instabilidade geopolítica e as incertezas para o mercado global de energia.

Com informações de G1, O Globo, Veja, Exame, Folha de S.Paulo, Metrópoles, CNN, Reuters, Associated Press, Bloomberg, Financial Times, Xinhua, Middle East Eye, DW, France 24, El País, El Mundo, Infobae ■

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