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Hezbollah ameaça ativar grupos suicidas no Líbano para impedir avanço israelense
Grupo xiita libanês anuncia retorno a táticas dos anos 1980 em meio à escalada de violações do cessar-fogo mediado pelos EUA
Oriente-Medio
Foto: https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/c346/live/df003f60-6d0a-11ee-8246-a7f7233b21b5.jpg.webp
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■   Bernardo Cahue, 27/04/2026

O Hezbollah, movimento político e paramilitar xiita libanês apoiado pelo Irã, anunciou nesta segunda-feira (27) ao canal de notícias Al Jazeera que irá adotar uma nova estratégia ofensiva contra as forças israelenses posicionadas no sul do Líbano. A informação foi passada por um alto comandante militar da organização, que afirmou que o grupo vai usar “táticas da década de 1980” e ativar “grupos suicidas” (mártires) para impedir que Israel estabeleça uma base permanente no território libanês.

Em declaração divulgada pela rede de televisão Al Jazeera, o comandante do Hezbollah, que não quis se identificar, disse que “grandes grupos de combatentes suicidas estão mobilizados no território ocupado, de acordo com planos previamente preparados”. Ele acrescentou que a missão dessas unidades é “entrar em confronto direto com oficiais e soldados inimigos nas vilas libanesas ocupadas”. O anúncio representa um recrudescimento retórico e operacional em um contexto de crescentes tensões fronteiriças, após semanas de ataques transfronteiriços que ameaçam colocar por terra o frágil cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos.

As declarações ocorrem menos de uma semana depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a prorrogação do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah até a segunda quinzena de maio. No entanto, na prática, a trégua – que vigoraria entre 16 de abril e meados de maio – tem sido repetidamente violada por ambos os lados. Somente no domingo (26), forças israelenses realizaram ataques aéreos no sul do Líbano que resultaram na morte de 14 pessoas, além de 37 feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês. As vítimas incluem mulheres e crianças, o que elevou a pressão internacional sobre o conflito.

  • Tática ancestral: O recurso a esquadrões suicidas remonta aos primórdios do Hezbollah, fundado em 1982, durante a invasão israelense do Líbano. A organização já foi responsabilizada pelos ataques suicidas contra o quartel-general dos fuzileiros navais dos EUA em Beirute, em 1983, que matou 241 militares americanos. O grupo também usou essa tática na década de 1990 para expulsar as forças israelenses da Faixa de Segurança.
  • Ocupação e contraofensiva: O Exército israelense atualmente ocupa dezenas de vilarejos no sul do Líbano, visando estabelecer uma “zona de segurança” que se estende por cerca de 600 km², demolindo casas e infraestrutura com explosivos e escavadeiras. O Hezbollah alega que sua resposta é uma tentativa de impedir o que chama de “entrincheiramento” israelense.
  • Justificativa israelense: O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou o Hezbollah de estar “desmontando o cessar-fogo” e afirmou que Israel age em autodefesa, respeitando as regras acordadas com os EUA. “As violações do Hezbollah estão desmontando o cessar-fogo”, afirmou o premier.

Fontes militares israelenses confirmaram que as Forças de Defesa de Israel (IDF) realizaram uma série de ataques contra infraestruturas do Hezbollah no Vale do Bekaa, a leste do Líbano – uma área que não era atingida havia mais de três semanas – bem como no sul do país. Os bombardeios visaram combatentes, lançadores de foguetes e depósitos de armamentos. De acordo com testemunhas, ao menos três pessoas ficaram feridas nos ataques no sul. Paralelamente, o Hezbollah lançou drones explosivos contra as tropas israelenses, matando um soldado israelense e ferindo outros seis em uma das ações.

Enquanto as hostilidades se intensificam, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, criticou duramente o Hezbollah em discurso a uma delegação de vilarejos do sul. “Traição é aquela praticada por aqueles que levam seu país à guerra para servir a interesses estrangeiros”, disse Aoun, em referência ao Irã, principal patrocinador do Hezbollah. O presidente libanês também defendeu as negociações diretas com Israel, classificando-as como “não sendo traição”.

A trégua instaurada em meados de abril foi prorrogada por três semanas após uma segunda rodada de conversas entre Israel e Líbano em Washington, mediada pelos EUA. Contudo, analistas e diplomatas alertam que o acordo de cessar-fogo está se mostrando ineficaz, já que ambos os lados continuam a trocar acusações de violação e ataques pontuais prosseguem. O primeiro-ministro israelense afirmou que qualquer resposta militar é uma tentativa de eliminar ameaças iminentes.

Do lado iraniano, a aliança com o Hezbollah permanece sólida, com Teerã tendo reconstruído e reforçado a estrutura militar do grupo após as pesadas perdas sofridas em 2024. Analistas destacam que o anúncio de ativação de células suicidas visa pressionar Israel nos campos de batalha e desgastar sua posição na região, ainda que o custo humano e político para o Líbano seja elevado.

Organizações internacionais, como a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), já condenaram ataques de “atores não estatais” na região, em referência indireta ao Hezbollah, e pedem moderação. Enquanto isso, a população civil no sul libanês vive sob constante ameaça, com a deflagração de uma possível guerra urbana letal que pode envolver bairros inteiros se os combatentes suicidas do Hezbollah entrarem em confronto direto com as forças terrestres de Israel.

Especialistas militares consideram o movimento como um retorno às origens mais extremas do grupo, que havia reduzido drasticamente o uso de atentados suicidas nos últimos anos. A medida, segundo analistas, pode significar uma alteração profunda na dinâmica do conflito, aumentando o risco de uma escalada regional de consequências imprevisíveis. O medo agora é de que a situação se transforme em um conflito de longa duração, com profundas implicações para a soberania libanesa e a estabilidade do Oriente Médio.

Com informações de G1, O TEMPO, L’Orient Today, The Times of Israel, Haaretz, Daily Mirror, Al Jazeera, The Express Tribune, AP News, France 24, The Print, i24NEWS, Memri, An-Nahar, Reuters, AFP, AP, PBS, DW, Kyiv Post, CBC, Dawn, The Canberra Times, NHK World, Jordan Times, Emra News, Newsmax, Iran International, Alhurra, The News International, The Express (UK), Zoom News, JFeed, The Yeshiva World, Al-Manar TV, Al-Mayadeen, Agência Nacional de Notícias (NNA) do Líbano, British Broadcasting Corporation (BBC), CNN Brasil, Folha de S.Paulo, UOL, Estadão, Estado de Minas, Agência Brasil, France 24 (em árabe e espanhol), Telemundo, La Nación (Argentina), O Globo, Correio Braziliense, Jovem Pan, BandNews FM, Rádio Gaúcha, Metrópoles, R7, SBT News, Record News, Gazeta do Povo, Terra, Yahoo Finanças, Infobae, El País (internacional), The Washington Post, The New York Times, The Guardian, Le Monde, Der Spiegel, Corriere della Sera, El Mundo, ABC (Espanha), Asharq Al-Awsat, Al Arabiya, Mashregh News, Tasnim News Agency, Fars News Agency, Islamic Republic News Agency (IRNA), Pakistan Today, The Express Tribune (Paquistão), Daily Pakistan, Dawn (Paquistão), The Nation (Paquistão), NDTV (Índia), The Hindu, Al Jazeera (árabe e inglês), Al Mayadeen (árabe e inglês), RT (Rússia), Sputnik Brasil, Xinhua (China), CGTN, Kyodo News (Japão), Yonhap News (Coreia do Sul), NHK World, ANSA (Itália), EFE (Espanha), Lusa (Portugal), Deutsche Welle, BBC Mundo e France Presse ■

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