Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou na terça-feira (21) sua missão oficial de cinco dias à Europa, após cumprir uma extensa agenda na Espanha, Alemanha e Portugal. Com o objetivo de consolidar parcerias estratégicas, promover a reindustrialização do país e discutir temas globais urgentes, a comitiva presidencial participou de cúpulas bilaterais, feiras industriais e fóruns multilaterais, em uma viagem que ocorreu às vésperas da entrada em vigor provisória do acordo Mercosul-União Europeia, prevista para 1º de maio.
— A missão reflete a retomada do protagonismo do Brasil no cenário internacional e ocorre em um momento relevante para as relações com a União Europeia.
Espanha: Cúpula e acordos históricosA primeira etapa da missão oficial aconteceu na Espanha, onde Lula desembarcou em Barcelona na noite de quinta-feira (16). No dia 17, no Palácio de Pedralbes, o presidente participou da 1ª Cúpula Brasil-Espanha, ao lado do presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez. Durante o encontro, os líderes reforçaram a parceria estratégica e assinaram 15 acordos de cooperação em áreas prioritárias, como:
Lula ainda se reuniu com empresários brasileiros e espanhóis dos setores de agronegócio, energia, infraestrutura, telecomunicações, seguros e finanças, e participou de um jantar oferecido pelo governo espanhol aos líderes do Fórum Democracia Sempre, no Museu Nacional de Arte da Catalunha.
No sábado (18), o presidente participou da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, iniciativa lançada em 2024 para fortalecer a coordenação internacional em defesa da democracia. O encontro reuniu chefes de Estado e de governo de mais de 100 partidos políticos de cinco continentes e debateu temas como multilateralismo, desigualdades, sucessão da Secretaria-Geral da ONU (com ênfase na participação feminina) e combate à desinformação.
Alemanha: Brasil homenageado na Hannover MesseNo domingo (19), Lula seguiu para a Alemanha, onde cumpriu agenda em Hannover. O ponto alto da passagem pelo país foi a participação na Hannover Messe 2026, a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, da qual o Brasil foi o país parceiro oficial.
O presidente foi recebido pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, com honras militares no Schloss Herrenhausen. Na sequência, os dois líderes abriram oficialmente a feira. Durante a cerimônia, Merz celebrou o acordo Mercosul-UE e afirmou que Brasil e Alemanha são chamados a ser "motores que aproximem a União Europeia e a América Latina e o Caribe".
Em seu discurso, Lula defendeu o potencial brasileiro para se tornar o "líder mundial em energias renováveis", destacando os biocombustíveis e o hidrogênio verde, e afirmou que o país pode ajudar a Europa a reduzir seus custos energéticos. O presidente também inaugurou o estande brasileiro, de 2.700 m², com a participação de 140 empresas, e participou do Encontro Econômico Brasil-Alemanha e da 3ª Reunião de Consultas Intergovernamentais.
Em um gesto que gerou repercussão, Merz e Lula realizaram o tradicional Rundgang (visita aos estandes) de forma separada, logo após o pronunciamento de abertura no pavilhão do Brasil. Segundo fontes oficiais, a decisão foi consensual para que ambos pudessem visitar um maior número de expositores.
Portugal: "Porta de entrada" para o Brasil na EuropaA missão oficial foi encerrada em Portugal, na terça-feira (21). Em Lisboa, Lula se reuniu com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, no Palácio de São Bento, e com o presidente da República, António José Seguro, no Palácio de Belém.
Em declaração conjunta, o presidente brasileiro afirmou que "Portugal pode ser a grande porta de entrada dos interesses empresariais brasileiros na Europa", especialmente após a entrada em vigor do acordo Mercosul-UE. "Agora sim nós conseguimos dizer que Portugal pode ser a grande porta da entrada dos interesses empresariais brasileiros aqui em Portugal", reiterou Lula.
Lula também defendeu uma parceria que vá além do comércio tradicional, com a incorporação de etapas produtivas em território português, citando a Embraer como exemplo bem-sucedido. "Não queremos que Portugal seja apenas a porta de entrada, nós queremos que Portugal seja a porta da construção de uma parceria robusta entre dois países que se conhecem desde abril de 1500", completou.
Os líderes discutiam ainda cooperação aeronáutica, ciência, tecnologia e inovação, imigração e combate à xenofobia. Montenegro destacou que a comunidade brasileira em Portugal é "expressiva", com mais de 500 mil cidadãos, e elogiou sua integração social e econômica. O presidente Lula também reafirmou seu compromisso com o multilateralismo e criticou o unilateralismo e o protecionismo.
Resultados e perspectivasA missão oficial do presidente Lula à Europa foi marcada por resultados concretos. Além dos 15 acordos firmados com a Espanha, a agenda contribuiu para consolidar o papel do Brasil como ator global relevante, em um momento de geopolítica complexa. A viagem ocorreu em um contexto de aproximação entre o Mercosul e a União Europeia, com a entrada em vigor provisória do acordo comercial prevista para 1º de maio, e reforçou os laços com três países que foram importantes apoiadores do tratado.
O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, destacou a importância da missão, afirmando que o acordo Mercosul-UE criará um mercado de US$ 22 trilhões e que "é um ganha-ganha. Ganha a sociedade quando você abre mercados, reduz tarifas e estimula a competitividade".
A comitiva presidencial contou com a presença de 14 ministros, incluindo os titulares das Relações Exteriores, Fazenda, Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e Meio Ambiente, além de presidentes de órgãos como o BNDES e a Apex-Brasil.
Com informações de Agência Brasil, CNN Brasil, Agência Gov, UOL, G1, Jornal de Brasília, SBT News, O Tempo, Rádio Itatiaia, Poder360, Gazeta do Povo, Valor Internacional, RFI, Estadão, Folha de S.Paulo, Veja, Mundo Paraná, France 24, La Moncloa, Deutsche Welle, Tagesschau, Deutschlandfunk, Welt, NDR, Frankenpost, Bundesregierung, Swissinfo, EFE, El Diario, Prensa Latina, Agenzia Nova, Central News Agency (Taiwan), Interaffairs.ru, PChome Online, BR-CN, El Periódico, El Imparcial, e La Sexta ■