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Irã não reabrirá Estreito de Ormuz enquanto EUA mantiverem bloqueio naval
Teerã condiciona a reabertura da rota de 20% do petróleo mundial ao fim imediato do bloqueio; Guarda Revolucionária promete romper cerco “pela força” se necessário
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 22/04/2026

O Irã afirmou nesta terça-feira (21) que não reabrirá o Estreito de Ormuz enquanto os Estados Unidos mantiverem o bloqueio naval a navios com origem ou destino em portos iranianos. A declaração foi divulgada pela agência estatal Tasnim News, ligada ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC), e representa um duro revés às negociações mediadas pelo Paquistão para um cessar-fogo definitivo no conflito que já dura quase dois meses.

A declaração foi uma resposta direta à decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de prorrogar o cessar-fogo com o Irã até que Teerã apresente uma “proposta unificada” para a paz, mantendo, porém, o bloqueio marítimo na região. Segundo a agência iraniana, a continuidade do bloqueio “equivale à continuidade das hostilidades”. A nota acrescenta que, enquanto a restrição persistir, o Irã não apenas deixará o Estreito fechado, como também “quebrará o bloqueio pela força”, se necessário.

O Estreito de Ormuz é um dos pontos mais estratégicos do comércio global, por onde escoam cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e 20% do gás natural liquefeito (GNL). Qualquer interrupção na via eleva instantaneamente o preço da energia e afeta cadeias produtivas em todo o planeta.

Histórico do Fechamento

As restrições no Estreito começaram em 28 de fevereiro, quando o Irã passou a controlar a passagem, liberando apenas navios de países aliados e mediante pagamento. Em meados de abril, após intensas negociações, Teerã chegou a anunciar a reabertura total da rota, o que provocou um alívio imediato nos preços do petróleo. No entanto, a euforia durou poucas horas: Trump declarou que o bloqueio naval continuaria “até que as negociações estejam 100% concluídas”, e o Irã reverteu a decisão no mesmo dia, no último sábado (18).

Escalada Militar e Tensões na Região

Além do bloqueio, os confrontos diretos no mar têm se intensificado. No último domingo (19), a Marinha dos EUA interceptou e apreendeu o navio cargueiro iraniano Touska no Golfo de Omã, após a embarcação ignorar avisos para parar. Um navio de guerra norte-americano disparou contra o sistema de propulsão do cargueiro, imobilizando-o. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou ter barrado a movimentação de 27 embarcações que tentavam entrar ou sair de portos iranianos desde o início do bloqueio.

Em resposta, as forças iranianas já realizaram disparos de advertência contra petroleiros e ameaçaram retaliar o que chamam de “atos de pirataria”. A Guarda Revolucionária também alertou que qualquer navio que tente passar pelo Estreito sem permissão “será considerado cooperando com o inimigo e será alvejado”.

Impacto Econômico e Reações Internacionais

A paralisação do Estreito de Ormuz já provocou uma forte alta nos preços do petróleo, agravando a crise energética global. Analistas estimam que a redução na oferta pode pressionar ainda mais a inflação mundial, em um momento de recuperação econômica frágil.

As principais potências mundiais têm adotado posturas cautelosas, buscando equilibrar o apoio à liberdade de navegação com o temor de uma escalada militar generalizada:

  • China – O governo chinês afirmou que a solução para o impasse é um cessar-fogo imediato e se ofereceu para continuar desempenhando um “papel construtivo”. Pequim, que importa cerca de 45% de seu petróleo via Ormuz, teme os efeitos do bloqueio sobre sua economia.
  • Japão – Tóquio, que depende do Oriente Médio para 95% de seu petróleo, com 70% transitando por Ormuz, afirmou que o envio de navios de guerra para a região é uma possibilidade legal, mas “deve ser considerada com extrema cautela”, mantendo-se afastada do confronto direto.
  • Paquistão – Islamabad, que atua como principal mediador do cessar-fogo, tem pressionado ambas as partes para que estendam a trégua e retomem o diálogo. O premiê paquistanês afirmou ter “determinação renovada” para buscar a paz.
  • União Europeia – A França manifestou oposição a qualquer ação militar para romper o bloqueio, defendendo uma solução diplomática. O continente europeu, altamente dependente da energia do Golfo, observa a crise com grande apreensão.
Posição Irreconciliável e Perspectivas

A posição atual de Teerã não deixa margem para negociações imediatas. O porta-voz do Quartel-General Central iraniano afirmou que o controle sobre o Estreito “voltou ao seu estado anterior” e que a via marítima permanecerá “sob gestão e controle rigorosos” até que o bloqueio dos EUA seja completamente suspenso.

Com o fim do cessar-fogo temporário previsto para esta quarta-feira (22), a comunidade internacional observa com apreensão os próximos passos. A continuidade do impasse pode levar a uma nova escalada militar, com consequências imprevisíveis para a segurança global e para a economia mundial.

Com informações de G1, BBC Brasil, CNN Brasil, Metrópoles, Al Jazeera, Khaleej Times, Channels TV, The Peninsula, Euractiv, DW, Euronews, Poder360, Agência Brasil, Defapress, WION News, Ming Pao, Central News Agency (CNA) ■

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