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O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (21) que realizou, “sem incidentes”, uma operação de interdição e abordagem do petroleiro M/T Tifani, alvo de sanções, em uma área sob responsabilidade do Comando Indo-Pacífico (INDOPACOM). Em comunicado publicado na rede social X, o Pentágono afirmou que as forças americanas estão determinadas a “desarticular redes ilícitas e interceptar navios sancionados que ofereçam apoio material ao Irã, onde quer que operem”, acrescentando que “as águas internacionais não são um refúgio para navios sancionados”.
Detalhes da interceptação do Tifani
De acordo com o Pentágono, militares americanos realizaram um “direito de visita”, uma interdição marítima e a abordagem do navio M/T Tifani, que estava sem bandeira e é alvo de sanções. O petroleiro, que transportava óleo, foi interceptado no Oceano Índico, entre Sri Lanka e Indonésia, segundo dados de rastreamento de navios. Imagens divulgadas pelo Departamento de Defesa mostram fuzileiros navais descendo de rapel de helicópteros até o convés do Tifani. A empresa de dados marítimos Lloyd's List Intelligence, no entanto, destacou na segunda-feira (20) que “ao menos 26 navios da frota fantasma iraniana haviam burlado o bloqueio americano” desde sua instauração na semana passada.
Apreensão do Touska no Golfo de Omã e resposta militar iraniana
A interceptação do Tifani ocorre poucos dias após outra ação de maior repercussão. No domingo (19), o presidente Donald Trump anunciou que a Marinha dos EUA interceptou e disparou contra o navio cargueiro iraniano TOUSKA, que tentava furar o bloqueio naval no Golfo de Omã. “Hoje, um navio cargueiro de bandeira iraniana chamado TOUSKA, com quase 275 metros de comprimento e pesando quase o mesmo que um porta-aviões, tentou ultrapassar nosso bloqueio naval, e não deu certo para eles”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. O presidente afirmou que o navio foi atingido após ignorar avisos e que um “buraco foi aberto na casa de máquinas”. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) divulgou imagens do momento da abordagem, nas quais é possível ver um canhão disparando na direção do cargueiro. Imagens também mostram militares descendo de rapel diretamente nos contêineres do Touska.
Em resposta, o alto comando militar do Irã emitiu um comunicado classificando a ação como uma violação do cessar-fogo e um ato de “pirataria armada”. “As Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão prontamente e retaliarão contra este ato de pirataria armada da Marinha dos EUA”, afirmou a nota. A mídia estatal iraniana informou que o TOUSKA havia partido da China com destino a um porto iraniano. Ainda assim, em um episódio separado, a marinha iraniana declarou ter conseguido conduzir o petroleiro “Sili City” com segurança para águas territoriais iranianas, apesar de “múltiplos avisos e ameaças” da Marinha dos EUA.
Estratégia global de bloqueio e pressão máxima
As ações fazem parte de uma escalada significativa na estratégia americana. Após o fracasso das negociações de paz no Paquistão no último fim de semana, Trump ordenou o bloqueio naval aos portos iranianos, que entrou em vigor em 13 de abril. O Comando Central dos EUA já afirmou ter “interceptado 23 embarcações” que tentavam deixar portos iranianos. Agora, Washington planeja expandir a operação para além do Golfo Pérsico, visando interceptar e apreender navios ligados ao Irã em qualquer lugar do mundo, especialmente aqueles que transportam petróleo ou suprimentos para o regime. O presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, declarou que os Estados Unidos “irão atrás de qualquer navio que ostente bandeira iraniana ou que esteja tentando fornecer apoio material ao Irã”, incluindo as “frotas fantasmas” que desligam seus sistemas de identificação. Segundo o Wall Street Journal, cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano, que chegam a 1,6 milhão de barris por dia, têm como destino a China.
Reações internacionais e impasse diplomático
A escalada militar ocorre em meio a um impasse diplomático. O cessar-fogo temporário de duas semanas entre os EUA e o Irã, mediado pelo Paquistão, expira nesta quarta-feira (22), e Trump já afirmou que é “altamente improvável” que o estenda. O vice-presidente JD Vance se prepara para liderar uma nova delegação a Islamabad, mas Teerã ainda não confirmou sua participação, condicionando-a ao fim do bloqueio. O porta-voz do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, escreveu no X que o país “não aceita negociações sob a sombra de ameaças”.
A China, principal compradora do petróleo iraniano, expressou preocupação. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou em coletiva que Pequim está preocupada com a interceptação forçada de navios pelos EUA e pediu que todas as partes respeitem o cessar-fogo e evitem aumentar as tensões. A Rússia, por sua vez, acusou os EUA de violarem o direito internacional. A decisão americana de encerrar o alívio temporário das sanções, permitindo a venda de petróleo iraniano já em trânsito, também entrou em vigor, aumentando a pressão econômica sobre Teerã. O governo Trump já deixou claro que planeja confiscar o estoque restante de urânio enriquecido do Irã, uma demanda que os líderes em Teerã classificaram como “inaceitável”.
Com informações de G1, BBC News Brasil, Poder360, Stars and Stripes, NDTV, The Washington Times, The Tribune India, Anadolu Agency, TVA Nouvelles, Ctdsb, Chosun, Les Echos ■