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Irã convoca população e forma "cadeias humanas" para proteger usinas contra ameaças de Trump
Milhares de iranianos atenderam ao chamado do regime e cercaram usinas termoelétricas em um ato simbólico de resistência; ultimato norte-americano para reabertura do Estreito de Ormuz termina nesta terça-feira (7)
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 07/04/2026

Em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos, o governo do Irã organizou uma mobilização inédita nesta terça-feira (7). Atendendo a uma convocação feita pela televisão estatal, milhares de cidadãos formaram correntes humanas em torno de usinas de energia no país, em um ato de desafio às ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump. A medida é uma resposta direta ao ultimato de Trump, que exige a reabertura do Estreito de Ormuz e promete ataques devastadores caso a ordem não seja cumprida.

Convocatória e adesão em massa

A convocação partiu de Alireza Rahimi, vice-ministro dos Esportes e secretário do Conselho Supremo da Juventude, que, em pronunciamento na TV estatal, pediu a formação de um "círculo humano" ao redor das instalações estratégicas. Rahimi convocou todos os jovens, artistas, atletas, estudantes e professores a se reunirem às 14h (horário local) em frente às usinas, descrevendo a ação como um movimento simbólico em defesa do "capital nacional".

  • Justificativa oficial: "Ficaremos ombro a ombro para dizer: atacar a infraestrutura pública é um crime de guerra", declarou Rahimi, acrescentando que a ideia partiu dos próprios jovens e foi batizada de "Cadeia Humana da Juventude Iraniana por um Futuro Brilhante".
  • Adesão popular: Vídeos divulgados pela agência de notícias semi-oficial Fars mostram centenas de pessoas na porta da Usina Termoelétrica de Kazerun, na província de Fars (sudoeste), segurando bandeiras e cartazes. Registros semelhantes também foram feitos em Tabriz e na cidade de Ilam.
  • Reação do governo: O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou na rede social X estar "pronto para dar a vida pelo Irã", afirmando que mais de 14 milhões de iranianos já se voluntariaram para a defesa do país.

O ultimato de Trump e o contexto de guerra

A mobilização ocorre horas antes do prazo final estabelecido por Donald Trump para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde transitam cerca de 20% do petróleo global. O presidente norte-americano afirmou que, caso o acordo não seja selado, a Força Aérea dos EUA executará um plano de bombardeio maciço.

  • Ameaça explícita: "Toda ponte no Irã será devastada até amanhã à noite, e toda usina de energia ficará fora de operação, queimando, explodindo e nunca mais será usada", declarou Trump em coletiva de imprensa. Ele afirmou que o país pode "colapsar em uma única noite".
  • Contexto de conflito: Os EUA e Israel estão em guerra com o Irã desde 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado matou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã. Desde então, mais de 1.750 civis morreram no Irã, segundo organizações de direitos humanos.
  • Crimes de guerra: A convocação para usar civis como "escudos humanos" foi duramente criticada nas redes sociais. Um crítico rotulou o Irã de "animais nojentos" por colocar crianças em risco iminente de bombardeios. A ONU também manifestou preocupação: o secretário-geral da ONU afirmou que ataques a infraestruturas civis são proibidos pelo direito internacional.

Histórico e reações internacionais

Esta não é a primeira vez que o Irã recorre a correntes humanas como forma de protesto e defesa civil. Em momentos anteriores de tensão com o Ocidente, a população já havia formado cordões de isolamento em torno de instalações nucleares.

Enquanto o mundo aguarda o desenrolar do prazo, as negociações de cessar-fogo mediadas pelo Paquistão fracassaram, e o Irã cortou comunicações diretas com os EUA. As autoridades iranianas ameaçaram fechar também o Estreito de Bab el-Mandeb e "deixar todo o Oriente Médio no escuro" caso suas usinas sejam bombardeadas.

Com informações de G1, CNN Brasil, UOL, Sohu, The Chosun Ilbo, 7News, Lokmat Times, The Jerusalem Post, United24 Media, Daily Sabah, RBC-Ukraine ■

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