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Presidente iraniano afirma que milhões estão "prontos para se sacrificar"
Ofensiva israelense contra infraestrutura industrial do Irã eleva tensão regional às vésperas do ultimato de Donald Trump; Teerã retalia com ataques a Israel e aliados no Golfo, enquanto situação humanitária se deteriora
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 07/04/2026

Em uma escalada significativa do conflito no Oriente Médio, as Forças de Defesa de Israel (IDF) realizaram, nos dias 6 e 7 de abril de 2026, uma série de ataques aéreos contra instalações petroquímicas no Irã. Os bombardeios miraram complexos industriais considerados estratégicos por Israel, que justificou as ações como parte de um esforço para degradar a capacidade militar e a "máquina de financiamento do terrorismo" do país persa.

De acordo com comunicado oficial das IDF, a força aérea israelense, baseada em informações de inteligência, atingiu no domingo (6) infraestruturas do maior complexo petroquímico do Irã, localizado no condado de Assaluyeh, na província sulista de Bushehr. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, confirmou o ataque, descrevendo-o como um "golpe poderoso" contra uma instalação responsável por cerca de 50% de toda a produção petroquímica do Irã. O Exército israelense afirmou que os ataques tornaram mais de 85% da capacidade de exportação petroquímica do Irã inoperante.

No dia seguinte (7), as forças israelenses atingiram outro complexo petroquímico na cidade de Shiraz, no sudoeste do Irã. O Exército descreveu o local como uma "instalação-chave para a produção de ácido nítrico, material crítico para a fabricação de explosivos e componentes para mísseis balísticos". A ação, segundo Israel, visava "degradar ainda mais" as capacidades militares do regime iraniano, especialmente aquelas ligadas à produção de armas.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou a destruição das plantas petroquímicas iranianas em um comunicado em vídeo. "Depois de destruirmos 70% de sua capacidade de produção de aço, que é a matéria-prima usada para construir armas contra nós, continuamos atacando suas usinas petroquímicas. Essas duas coisas são sua máquina de fazer dinheiro, usada para financiar sua guerra de terror contra nós e contra o mundo inteiro", declarou Netanyahu. O premiê acrescentou que as ações fazem parte de uma campanha sistemática para desmantelar a "máquina de dinheiro" do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).

Impactos e reação iraniana

Os ataques causaram danos materiais significativos. A imprensa iraniana, citando a agência semioficial Fars, reportou explosões e incêndios nos complexos petroquímicos. A Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA), citando a Companhia Nacional de Petroquímica, afirmou que a situação estava "sob controle", que os incêndios haviam sido contidos e que não havia feridos relatados, embora os danos ainda estivessem sendo avaliados.

Em resposta às ofensivas, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez uma declaração de tom altamente desafiador. Em publicação na rede social X, Pezeshkian afirmou que "mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam, até este momento, estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã". O presidente iraniano complementou: "Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã".

A declaração de Pezeshkian foi interpretada como um sinal claro de que o regime iraniano não pretende ceder ao ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O prazo final estabelecido por Trump para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz, sob ameaça de fortes retaliações, expira na noite de terça-feira (7), às 21h (horário de Brasília). Trump ameaçou bombardear todas as usinas de energia e pontes do Irã, afirmando que pode "tomar o país em uma noite".

Escalação regional e outras frentes de ataque

Os ataques israelenses não se limitaram às instalações petroquímicas. De acordo com fontes da imprensa internacional, uma ofensiva aérea combinada entre EUA e Israel na madrugada de segunda-feira (6) alvejou o distrito de Baharestan, em Teerã, destruindo quatro unidades residenciais e danificando outras 40, resultando na morte de pelo menos 15 cidadãos, segundo a mídia iraniana.

A Força Aérea Israelense também reivindicou a destruição de "dezenas de aeronaves, incluindo aviões e helicópteros", em ataques a três aeroportos nos arredores de Teerã: Baharain, Mehrabad e Azmayesh. Simultaneamente, as IDF atingiram um grande complexo de mísseis balísticos no noroeste do Irã, de onde, segundo Israel, operacionais haviam lançado dezenas de projéteis contra o território israelense.

Entre as baixas de alta patente, o Exército israelense confirmou ter eliminado Asghar Bagheri, comandante da unidade de operações especiais da Força Quds, em um ataque em Teerã. A mídia iraniana também noticiou a morte do chefe da inteligência do IRGC, Major-General Majid Khademi, durante os bombardeios de segunda-feira.

Retaliação iraniana e reações internacionais

Em resposta à onda de ataques, o Irã retaliou com disparos de mísseis e drones contra Israel e seus aliados na região. Uma série de foguetes atingiu a cidade israelense de Haifa, resultando na morte de pelo menos quatro pessoas que ficaram soterradas sob os escombros de um edifício residencial. A agência de notícias Tasnim, do Irã, reportou um "ataque conjunto tripartite" contra Israel, envolvendo Teerã, os Houthis do Iêmen e o Hezbollah libanês.

A Reuters reportou cerca de 20 lançamentos de mísseis a partir do Líbano e cinco a partir do Irã durante o dia. Explosões foram ouvidas em Jerusalém, na região metropolitana de Tel Aviv e em Eilat, no sul de Israel. A cidade de Eilat foi alvo de drones provenientes do Iêmen. Os Estados de Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos ativaram seus sistemas de defesa aérea para interceptar projéteis iranianos.

A França foi uma das primeiras nações a pedir contenção. O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que os ataques contra infraestruturas civis e energéticas "são proibidos pelas regras de guerra" e que levariam a "um novo ciclo de escalada e retaliações", arrastando a economia mundial para um "círculo vicioso".

Contexto do conflito e perspectivas

A atual escalada é parte de um conflito mais amplo que teve início em 28 de fevereiro de 2026, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irã. Desde então, mais de 1.340 pessoas morreram, incluindo o então Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei. O Irã respondeu com ataques aéreos e de mísseis contra Israel, Jordânia, Iraque e países do Golfo que abrigam ativos militares dos EUA, além de impor restrições à navegação no Estreito de Ormuz.

Enquanto o ultimato de Trump se aproxima, mediadores egípcios, paquistaneses e turcos circularam uma nova proposta de cessar-fogo de 45 dias, na esperança de que uma trégua temporária abra espaço para negociações de paz permanentes. A União Europeia também pediu que a diplomacia tenha uma chance, alertando que ataques a infraestruturas civis são "ilegais e inaceitáveis".

Medidas de segurança

Em um movimento que prenuncia possíveis novos ataques, as Forças de Defesa de Israel emitiram um alerta urgente em persa, orientando a população iraniana a evitar viagens de trem e a se manter afastada das linhas férreas em todo o país. O aviso, válido até as 21h (horário local), indica que a infraestrutura ferroviária pode ser o próximo alvo israelense.

A situação permanece volátil, com a comunidade internacional em alerta máximo para uma possível expansão do conflito para além das fronteiras regionais, o que poderia ter consequências catastróficas para a economia global e a segurança mundial.

Com informações de Xinhua, Anadolu Ajans? (AA), CNN Brasil, G1, Veja, Dawn, JNS, i24NEWS, The Tehran Times, The Daily Pioneer, The Post-Gazette, NDTV, Radio Canada International (RCI) e Yeni ?afak ■

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