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O governo do Irã classificou como "delirantes" e "ilusórias" as mais recentes ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que pode "destruir todo o Irã em uma noite" e destruir toda a infraestrutura energética e pontes do país caso o regime islâmico não reabra o Estreito de Ormuz. Em uma escalada retórica que elevou ainda mais as tensões no Oriente Médio, o comando militar iraniano declarou que os EUA sofreram uma "humilhação" na região e que as bravatas de Trump não serão capazes de apagar essa "vergonha".
Em pronunciamento na TV estatal nesta segunda-feira (6), o porta-voz do Comando Militar do Irã, Ebrahim Zolfaqari, afirmou em tom provocativo: "As declarações grosseiras e insolentes, e as ameaças infundadas do presidente americano, tomado por delírios, não conseguirão reparar a vergonha e a humilhação sofridas pelos Estados Unidos na região da Ásia Ocidental". O militar acrescentou que a retórica de Trump demonstra que os EUA estão em um "beco sem saída", tentando justificar suas sucessivas derrotas militares no Oriente Médio.
A declaração iraniana veio poucas horas depois de Trump usar sua rede social Truth Social para fazer ameaças explícitas. "Na terça-feira será o dia da usina de energia e o dia das pontes, tudo em um só, no Irã. Não haverá nada igual!!!", escreveu o presidente americano, que também afirmou que todo o país poderia ser "eliminado em uma noite", com a destruição completa das pontes e usinas iranianas em até quatro horas. Trump ainda exigiu que o Irã aceite um acordo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, dando um ultimato que expira às 21h (horário de Brasília) de terça-feira (7).
Horas antes do pronunciamento de Trump, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, publicou uma mensagem no Telegram na qual afirmou que "assassinatos e crimes não irão parar as Forças Armadas iranianas", e acusou o inimigo "americano-sionista" de recorrer ao "terrorismo" para tentar conter o avanço iraniano. A declaração foi feita em luto pela morte do general Majid Khademi, chefe de Inteligência da Guarda Revolucionária, cuja morte foi atribuída a Israel e aos EUA.
Além da retórica, houve também ações militares. Israel e os Estados Unidos realizaram uma nova onda de ataques contra o Irã nesta segunda-feira, matando mais de 25 pessoas. Um dos ataques atingiu um edifício de tecnologia da informação e comunicação na Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã. O Irã respondeu lançando foguetes contra Israel, onde quatro pessoas foram mortas em um ataque na cidade de Haifa, e ameaçou uma retaliação "muito mais devastadora" se seus adversários atingirem alvos civis.
A crise já teve impactos econômicos imediatos. O preço do barril de petróleo tipo Brent ultrapassou os US$ 110 nesta segunda-feira, com alta de 1,6%, após a ameaça de Trump, refletindo o temor do mercado com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás mundial.
O Kremlin, aliado de Teerã, emitiu uma resposta contundente. O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que o Oriente Médio está "em chamas" e que a situação está se expandindo perigosamente. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, pediu que os EUA abandonem "a linguagem dos ultimatos" e retornem à mesa de negociações, alertando ainda contra ataques a usinas nucleares como a de Bushehr.
A China também se posicionou, condenando os ataques a infraestrutura civil iraniana. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que as operações militares "não têm autorização do Conselho de Segurança da ONU e violam o direito internacional", pedindo um cessar-fogo imediato.
Enquanto isso, o porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou-se "alarmado" com as ameaças de Trump de atacar infraestrutura, classificando a situação como de alto risco para a estabilidade global. A União Europeia também pediu moderação, condenando as ameaças de ambos os lados e reiterando a necessidade de um cessar-fogo imediato.
O cenário se agravou ainda mais com a rejeição iraniana a uma proposta de cessar-fogo de 45 dias mediada pelo Paquistão. Teerã exigiu um fim permanente da guerra e a retirada das sanções, enquanto Trump rejeitou a proposta e manteve seu ultimato. A escalada na retórica e nas ações militares sinaliza um momento perigoso no conflito, com a comunidade internacional temendo uma guerra em larga escala na região.
Impactos e Reações:
Com informações de G1, O Estado de S. Paulo, BBC News Brasil, Associated Press (AP), Reuters, Al Jazeera, Press TV, WION News, People's Daily (China), Times of India, Hindustan Times, AFP, BSS News, Minutemirror, Lokmat Times, Al Arabiya, TVB News, The Hindu, Vanguard, News ABP Live, e Shepp News ■