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Irã e EUA rejeitam proposta de cessar-fogo
Teerã exige fim definitivo da guerra e garantias de segurança; Washington não endossa plano mediado e mantém ameaças de bombardeios
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 06/04/2026

O Irã rejeitou formalmente a mais recente proposta de cessar-fogo apresentada pelos Estados Unidos e intermediada pelo Paquistão, ao mesmo tempo que o governo americano sinalizou que não endossou o plano. As posições opostas foram comunicadas nesta segunda-feira (6) por meio de agências de notícias e porta-vozes oficiais, aprofundando o impasse no conflito que completa mais de um mês.

De acordo com a agência estatal iraniana Irna, Teerã transmitiu ao Paquistão sua resposta à proposta americana, rejeitando um cessar-fogo temporário e enfatizando a necessidade de um fim permanente para a guerra. A resposta iraniana inclui dez cláusulas, com pontos como:

  • Fim definitivo das hostilidades – cessação imediata e irreversível de todas as ações militares por parte dos EUA e de Israel;
  • Garantias de segurança – compromissos internacionais vinculantes que impeçam futuros ataques contra o Irã;
  • Protocolo para o Estreito de Ormuz – acordo estruturado que assegure a passagem marítima, mas reconheça o controle estratégico do país sobre a via;
  • Suspensão de sanções e liberação de ativos – fim das sanções econômicas internacionais e devolução dos recursos iranianos congelados no exterior;
  • Reparações de guerra – compensação e apoio internacional para a reconstrução das infraestruturas danificadas durante o conflito.

Em pronunciamento à imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, classificou a proposta americana como “extremamente excessiva, incomum e ilógica”. Ele rejeitou as exigências de que o país abandone suas atividades nucleares pacíficas, limite seu programa de mísseis defensivos e reabra o Estreito de Ormuz. “Queremos o fim da guerra e medidas que impeçam sua repetição”, afirmou Baghaei, acrescentando que o Irã não aceitará pausas unilaterais que permitam aos adversários se reorganizarem para cometer novos crimes contra a nação iraniana.

O porta-voz também criticou a postura dos EUA, afirmando que “conversas diplomáticas são incompatíveis com ultimatos, crimes e ameaças de guerra”. Ele lembrou a “experiência amarga” do Irã em negociações com os americanos e alertou para possíveis ataques de bandeira falsa (false flag), que seriam orquestrados pelos EUA e por Israel para justificar uma escalada maior no conflito.

O Comando Naval do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã também emitiu um comunicado enfático, declarando que o Estreito de Ormuz “nunca voltará a ser como era antes, especialmente para os Estados Unidos e Israel”. A nota informou que a marinha da Guarda Revolucionária está concluindo os preparativos operacionais para “uma nova ordem no Golfo Pérsico”.

Do lado americano, a situação não é menos complexa. Nesta segunda-feira (6), a Casa Branca confirmou que recebeu a proposta elaborada pelo Paquistão — que prevê um cessar-fogo imediato de 45 dias, seguido por um acordo final em até 20 dias, além da reabertura do Estreito de Ormuz. No entanto, uma fonte do governo disse à ABC News que o presidente Donald Trump não assinou o documento e que ele é “apenas uma das ideias” sendo consideradas. “Esta é uma entre várias ideias, e o presidente não deu sua aprovação [à proposta]. A operação Epic Fury continua”, afirmou a fonte.

Enquanto os canais diplomáticos permanecem paralisados, Trump mantém a pressão militar e econômica sobre Teerã. O presidente estipulou um ultimato para a noite de segunda-feira (horário de Washington) — posteriormente estendido para a noite de terça-feira (7) — para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz. Caso a exigência não seja atendida, Trump ameaçou bombardear usinas de energia, pontes e outras infraestruturas estratégicas iranianas. Em publicações nas redes sociais, o presidente usou linguagem agressiva, prometendo transformar o país rival em um “inferno” caso não haja acordo.

O conflito, que teve início em 28 de fevereiro com ataques conjuntos de Israel e dos Estados Unidos a Teerã e outras cidades iranianas, já deixou centenas de mortos, incluindo o então líder supremo do Irã, Ali Khamenei, além de altos comandantes militares e civis. O Irã respondeu com ondas de ataques com mísseis e drones contra alvos israelenses e posições americanas no Oriente Médio. Nesta segunda-feira (6), Israel voltou a atacar o complexo petroquímico de South Pars, no Irã, matando mais de 25 pessoas e eliminando o chefe de inteligência da Guarda Revolucionária, segundo fontes oficiais.

Especialistas ouvidos pelas agências avaliam que, com ambas as partes endurecendo publicamente suas posições, as chances de um cessar-fogo imediato são remotas. O Irã insiste em um acordo definitivo que inclua garantias robustas de segurança, enquanto os EUA, por ora, não demonstram disposição para ceder às principais exigências iranianas, como o levantamento total das sanções e o pagamento de reparações de guerra. A operação militar americana, batizada de “Epic Fury”, continua em andamento, e o mercado de petróleo já reflete a tensão, com os preços do barril do Brent ultrapassando os US$ 111.

Paquistão, China e outras nações amigas seguem atuando como mediadores, tentando reduzir as tensões e evitar uma guerra de maiores proporções no Oriente Médio. No entanto, as últimas declarações de Teerã e Washington indicam que o caminho para uma solução negociada ainda é longo e incerto.

Com informações de Associated Press (AP), Reuters, Agência Xinhua, Agência TASS, CNN Brasil, G1, UOL, Exame, Press TV, Fars News, IRNA, Times Now News, Mid-Day, The Jerusalem Post, The Wall Street Journal e China Daily ■

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