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Conselho de Segurança da ONU vota uso de força em Ormuz; Irã fala em ação provocativa
Proposta autorizaria 'uso de todos os meios defensivos necessários' para garantir passagem de navios por pelo menos 6 meses. China, França e Rússia são contra
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 03/04/2026

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realiza nesta sexta-feira (3) uma votação crucial sobre uma proposta que autoriza o uso de força para garantir a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz. A resolução, patrocinada pelo Bahrein e apoiada pelos Estados Unidos e pelos países do Golfo, visa responder ao bloqueio quase total imposto pelo Irã à via marítima, por onde escoa cerca de um quinto do petróleo mundial. A votação, no entanto, enfrenta forte oposição de três membros permanentes do Conselho: China, França e Rússia, que se opõem a qualquer autorização explícita para o uso da força militar.

O documento final, obtido pela Associated Press, autoriza os países membros a "usar todos os meios defensivos necessários e proporcionais às circunstâncias" para garantir a passagem e impedir qualquer tentativa de fechamento ou interferência na navegação internacional pelo período mínimo de seis meses. A versão final é uma versão significativamente atenuada da proposta original, que previa o uso de "todos os meios necessários" — a linguagem padrão da ONU para autorizar ações militares —, mas que foi rejeitada por Rússia, China e França, membros do Conselho com poder de veto.

A votação, que estava prevista para esta sexta-feira, foi adiada para sábado (4), segundo diplomatas da ONU que falaram sob condição de anonimato. O adiamento, que ocorre em meio ao feriado da Sexta-Feira Santa na sede da ONU em Nova York, dará mais tempo para negociações de última hora, na tentativa de evitar um veto e angariar os nove votos mínimos necessários para aprovação.

Contexto do Conflito
O Estreito de Ormuz, uma artéria vital para a economia global, está praticamente fechado desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã. Em resposta, o Irã fechou o estreito e lançou milhares de ataques retaliatórios contra bases americanas e infraestruturas em países do Golfo, resultando em pelo menos 18 mortes de civis. O fechamento provocou uma disparada nos preços da energia, com o barril do petróleo Brent ultrapassando US$ 109 e o West Texas Intermediate (WTI) chegando a US$ 111,54. Além disso, países como Catar e outras nações do Golfo foram forçados a interromper a produção, com perdas anuais estimadas em US$ 20 bilhões.

Reações e Posicionamentos
A reação do Irã foi imediata e dura. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, classificou a medida como uma "ação provocativa" e alertou que qualquer passo nessa direção só servirá para "complicar a situação". "Qualquer ação provocativa dos agressores e seus apoiadores, inclusive no Conselho de Segurança da ONU em relação à situação no Estreito de Ormuz, só complicará a situação", declarou Araghchi. O governo iraniano também sinalizou sua intenção de continuar monitorando os navios que transitam pelo estreito, mesmo após o fim da guerra.

Do lado dos proponentes, o Bahrein, que atualmente ocupa a presidência rotativa do Conselho de Segurança, tem sido o principal porta-voz da iniciativa. O chanceler bahreinita, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, condenou as ações do Irã como "agressivas" e "premeditadas", pedindo uma "resposta decisiva" da comunidade internacional. A resolução também conta com o apoio explícito dos seis países do Golfo, da Jordânia e da Liga Árabe. Os Estados Unidos, embora não sejam signatários formais da proposta, apoiam abertamente a medida. O presidente americano, Donald Trump, intensificou a retórica, afirmando que as forças armadas americanas "nem sequer começaram a destruir o que resta no Irã" e que os próximos alvos serão "pontes e, em seguida, usinas de energia".

Divergências no Conselho
Apesar do apoio árabe-americano, a resolução enfrenta um obstáculo intransponível: a oposição de três membros permanentes do Conselho de Segurança. A China, a França e a Rússia manifestaram seu repúdio a qualquer texto que autorize explicitamente o uso da força, mesmo que defensiva. O embaixador chinês na ONU, Fu Cong, afirmou que "o uso da força não pode trazer a paz" e que "a solução política é o caminho fundamental". Ele alertou que autorizar o uso da força "equivaleria a legalizar o uso ilegal e indiscriminado da força, o que inevitavelmente levaria a uma maior escalada da situação". A Rússia, por sua vez, classificou a proposta inicial como algo que "não resolve o quebra-cabeça", enquanto a França defendeu "medidas defensivas que evitem o uso generalizado da força".

Próximos Passos
A expectativa agora se volta para a votação de sábado. Diplomatas indicam que, mesmo com a versão atenuada, a aprovação da resolução é incerta. Caso aprovada, a medida autorizaria os países membros a agir de forma individual ou por meio de parcerias navais multinacionais voluntárias, desde que notifiquem previamente o Conselho de Segurança. O texto final também não invoca explicitamente o Capítulo VII da Carta da ONU, que autoriza o uso da força para restaurar a paz e a segurança internacional, uma concessão feita para tentar angariar apoio. A votação promete ser um momento decisivo para o futuro do conflito no Oriente Médio e para a estabilidade do mercado global de energia.

Desdobramentos
Enquanto a ONU debate, os confrontos no terreno se intensificam. O Irã reivindicou ter abatido um segundo caça F-35 americano sobre seu território, informação não confirmada pelos Estados Unidos. Mísseis iranianos também atingiram alvos em Israel e no Bahrein, e um ataque com drones provocou um incêndio em uma refinaria de petroleiros no Kuwait. A guerra, que já dura seis semanas, não mostra sinais de arrefecimento, e a comunidade internacional permanece dividida sobre o melhor caminho a seguir.

Principais pontos da resolução:

  • Proponente: Bahrein (presidência rotativa do Conselho de Segurança).
  • Apoio: Estados Unidos, países do Golfo, Jordânia e Liga Árabe.
  • Oposição: China, França e Rússia (membros permanentes com poder de veto).
  • Conteúdo: Autoriza o "uso de todos os meios defensivos necessários e proporcionais" para garantir a navegação segura no Estreito de Ormuz e águas adjacentes.
  • Prazo: A autorização teria validade mínima de seis meses.
  • Mecanismo: Países podem agir sozinhos ou em parcerias navais multinacionais, com notificação prévia ao Conselho.
  • Alterações: O texto final eliminou referências a "todos os meios necessários" (que implicava ação militar ofensiva) e ao Capítulo VII da Carta da ONU.

Cronograma:

  1. 28 de fevereiro: EUA e Israel lançam ataques contra o Irã; Irã fecha o Estreito de Ormuz.
  2. Março: Irã lança ataques retaliatórios contra alvos no Golfo; crise energética global se aprofunda.
  3. 2 de abril: Bahrein apresenta resolução ao Conselho de Segurança; Rússia, China e França manifestam oposição.
  4. 3 de abril (sexta-feira): Votação é adiada para sábado, em meio a negociações de última hora.
  5. 4 de abril (sábado): Nova data prevista para a votação no Conselho de Segurança.

Com informações de WION, ABP Live, Saudi Gazette, The Hindu, NewsTalk ZB, Malaysia Yahoo News, ETV Bharat, New Zealand Herald, IFENG, Sputnik News, National Herald India, TVBS News, ABC News, Sina News, The Canadian Press, Sin Chew Daily, Kyodo News, KVUE, News18, UNN, WION, The Guardian, CNA, Rti, Now News, Deutsche Welle, News Mail, News.ru, 24tv.ua, Zn.ua, Iz.ru, Osnmedia.ru, Politico, Associated Press, Reuters, AFP, The New York Times, The Wall Street Journal, CNN, Bloomberg ■

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