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O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã anunciou, na madrugada desta quinta-feira (02) e sexta-feira (03), o início de uma nova e intensa fase de sua campanha militar contra os Estados Unidos e Israel. Chamada de “Onda 91” da Operação “Promessa Verdadeira 4” (True Promise 4), a ofensiva incluiu uma série de ataques com mísseis e drones contra alvos militares e de infraestrutura em Israel e em países do Golfo Pérsico, com destaque para a alegação de ter alvejado o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln no norte do Oceano Índico.
De acordo com comunicados divulgados pela mídia estatal iraniana e repercutidos por agências de notícias regionais, a “Onda 91” representa uma escalada significativa no conflito que se arrasta desde o final de fevereiro, em retaliação aos ataques coordenados de Washington e Tel Aviv contra o território iraniano.
Principais alvos declarados pelo IRGC na “Onda 91”:Ataque ao USS Abraham Lincoln: O anúncio de maior repercussão foi o ataque ao grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln. O IRGC declarou que suas forças navais lançaram uma operação em grande escala ao amanhecer, utilizando mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro Qadir e drones de ataque. Especificamente, a Guarda afirmou que quatro mísseis de cruzeiro de longo alcance do modelo Qadr-380 atingiram o porta-aviões e seu grupo de ataque no norte do Oceano Índico.
O míssil Qadr-380: Este modelo de míssil foi apresentado pelo Irã em 2025 e é descrito como um míssil de cruzeiro antinavio de longo alcance. Especialistas e fontes militares indicam que o Qadr-380 tem capacidade para atingir alvos marítimos a distâncias superiores a 1.000 km. Além disso, o míssil é equipado com tecnologia antirruído que dificulta seu desvio por contramedidas eletrônicas, e seu lançamento pode ser feito em menos de cinco minutos, representando uma ameaça significativa às operações navais na região.
Contexto da escalada: A “Onda 91” ocorre em meio a um conflito aberto que se intensificou em 28 de fevereiro, após ataques combinados de EUA e Israel contra instalações nucleares e líderes militares iranianos. As forças iranianas prometeram uma retaliação contínua e têm direcionado seus ataques não apenas a Israel, mas também a bases e ativos dos EUA espalhados por toda a região do Golfo, incluindo Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Kuwait.
Posicionamento oficial dos Estados Unidos: As alegações do Irã foram prontamente contestadas pelos Estados Unidos. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) negou veementemente que o porta-aviões USS Abraham Lincoln tenha sido atingido. Em comunicados anteriores a este episódio, o CENTCOM afirmou que os mísseis iranianos “não chegaram nem perto” da embarcação, que continuou suas operações normalmente. Os EUA classificaram as alegações iranianas como propaganda e desinformação.
Reação internacional e análise: Os países do Golfo, que abrigam bases militares dos EUA, encontram-se em uma posição delicada, sendo alvo de ataques iranianos e condenando publicamente a violência em seus territórios. A escalada levanta temores de um conflito regional mais amplo, com potenciais repercussões econômicas globais. Analistas militares apontam que a campanha do Irã, com o uso de mísseis como o Qadr-380, visa complicar as operações navais dos EUA na região, alvejando ativos de alto valor. No entanto, a falta de confirmação independente e as negações categóricas dos EUA lançam dúvidas sobre a eficácia real dos ataques divulgados pelo IRGC.
Enquanto o Irã afirma ter desferido golpes significativos contra as forças dos EUA e de Israel na “Onda 91” de sua operação de retaliação, os Estados Unidos rejeitam tais alegações como infundadas. A comunidade internacional permanece em alerta, monitorando de perto os desdobramentos de um dos confrontos mais sérios entre as partes nas últimas décadas, com o potencial de causar novas vítimas e instabilidade em toda a região do Oriente Médio.
Com informações de agências internacionais Al Jazeera, Agencia Brasil, ANI News, Associated Press, DW Brasil, G1, Iraqi News Agency, Masrawy, Mehr News Agency, National Herald India, New Arab, O Globo, Press TV, Reuters, Saba.ye, teleSUR, Veja, WANA News Agency, WION News ■