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Usina de Bushehr, a única usina nuclear operacional do Irã, tornou-se um dos epicentros das crescentes tensões militares no Oriente Médio. Após uma série de ataques atribuídos a forças dos EUA e de Israel, o representante iraniano na AIEA emitiu uma declaração contundente que ressoou em todo o mundo, alertando que qualquer novo ataque à instalação constitui uma grave violação do direito internacional.
O enviado do Irã à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Reza Najafi, afirmou que um eventual ataque dos Estados Unidos ou de Israel à usina nuclear de Bushehr seria classificado como "crime de guerra" sob a legislação internacional. A declaração, concedida à agência France-Presse (AFP), foi repercutida por diversos veículos de imprensa internacionais. "Qualquer ataque à central nuclear de Bushehr seria uma clara violação do direito internacional e do direito internacional humanitário", declarou Najafi, acrescentando que "mesmo durante a guerra, é proibido atacar instalações de uso civil, e tal ataque seria um crime muito grave, um crime contra a humanidade, um crime de guerra".
A advertência ocorre em meio a uma escalada militar na região, que inclui ataques diretos às proximidades da usina. De acordo com a própria AIEA, a instalação foi atingida pelo menos três vezes em um período de dez dias, com o último ataque registrado na noite de sexta-feira. Apesar da gravidade dos incidentes, a agência da ONU confirmou que, até o momento, não houve danos ao reator principal nem vazamentos de radiação. Contudo, os alertas sobre o perigo de uma catástrofe nuclear iminente são cada vez mais frequentes.
O Diretor-Geral da AIEA, Rafael Grossi, tem reiterado pedidos de "máxima contenção" a todas as partes envolvidas no conflito, enfatizando que Bushehr é uma usina em operação, repleta de material nuclear. "Diferente de outras instalações nucleares no país, a usina de Bushehr é o local onde as consequências de um ataque seriam mais graves", alertou Grossi. "Em caso de um ataque direto à usina, um impacto direto poderia resultar em uma liberação muito alta de radioatividade para o meio ambiente". O chefe da AIEA também classificou os recentes bombardeios nas proximidades como "extremamente perigosos", ressaltando que qualquer dano à estrutura representa uma ameaça radiológica que pode afetar uma vasta extensão de território.
Além do risco ambiental e humanitário, Najafi rechaçou as justificativas apresentadas pelos EUA e Israel para a continuação dos ataques. Os governos ocidentais acusam Teerã de buscar o enriquecimento de urânio para fins bélicos. O enviado iraniano, no entanto, classificou essas alegações como uma "mentira" e negou veementemente que o país tenha retomado o processo de enriquecimento com o objetivo de construir uma bomba atômica. "Não retomamos o enriquecimento; isso é uma mentira, uma grande mentira, como tantas outras", afirmou o diplomata, criticando a narrativa usada pelo presidente americano Donald Trump para justificar os conflitos de 2025 e de fevereiro de 2026.
A reação internacional à situação foi imediata, com duras críticas sendo direcionadas principalmente contra Washington e Tel Aviv. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia expressou "extrema indignação" com os ataques recorrentes nas proximidades de Bushehr. Moscou alertou que a continuidade dos bombardeios configura uma ameaça real de catástrofe ambiental e humanitária em escala regional, colocando em risco não apenas a população iraniana, mas também especialistas russos que trabalham na usina. O governo russo classificou as ações como uma "manifestação imprudente e irresponsável de um curso destrutivo" e exigiu uma posição firme da AIEA e da ONU para impedir novos ataques.
Teerã também utilizou canais diplomáticos para protestar formalmente. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, enviou cartas ao Secretário-Geral da ONU e aos membros do Conselho de Segurança, enfatizando que os ataques às instalações nucleares pacíficas em Natanz e em Bushehr constituem violações claras da Carta da ONU, do Estatuto da AIEA e são exemplos de "crimes de guerra". Araghchi também pediu a condenação imediata dos agressores, o fim das hostilidades e a responsabilização por danos materiais e humanos, além de ter convocado Israel a aderir ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
A escalada das tensões gerou impactos diretos na operação da usina. Em resposta ao aumento da instabilidade, a corporação nuclear estatal russa Rosatom, responsável pela construção e operação conjunta da usina de Bushehr, confirmou a evacuação de funcionários. O chefe da Rosatom, Alexei Likhachev, anunciou que um terceiro estágio de evacuação de pessoal está em andamento, reduzindo ao mínimo a presença de especialistas russos no local devido ao cenário de agravamento das condições de segurança. Likhachev havia informado anteriormente que cerca de 480 cidadãos russos ainda estavam no local, e a radiação na área seguia dentro dos padrões de normalidade.
Em meio ao impasse, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intensificar os bombardeios contra o Irã nas próximas semanas, prometendo "trazer o país de volta à Idade da Pedra". Em resposta, o comando militar iraniano emitiu alertas de retaliação "mais esmagadores, amplos e destrutivos" caso o país continue sendo alvo. O impasse diplomático persiste, com Teerã descartando negociações sob ameaça de bombardeios enquanto o mundo observa com apreensão o futuro de uma das instalações nucleares mais críticas da região.
Com informações de AFP, UOL, Al Jazeera, The New Arab, TASS, Turkiye Today, Al Mayadeen, Sky News Arabia, IZ.ru, LIGA.net, Washington Examiner, Qazinform, New Indian Express, Ahram Online, Justice Info, Iraqi News Agency (INA), Nangs.org, The Eastern Updates ■