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Em meio a críticas de Trump, Reino Unido reforça presença militar no Oriente Médio
Apesar das tensões diplomáticas com a administração Trump e do discurso de não participação direta no conflito, Londres anuncia envio de aproximadamente 1.000 militares e baterias de mísseis para proteger aliados do Golfo contra ataques iranianos
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 01/04/2026

O governo do Reino Unido anunciou neste início de semana o envio de tropas adicionais e novos sistemas de defesa aérea para o Oriente Médio, em uma tentativa de reforçar a proteção de seus aliados na região do Golfo em meio à escalada de ataques atribuídos ao Irã. O movimento ocorre em um contexto de crescente tensão diplomática entre Londres e Washington, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticar duramente a postura britânica de se manter fora das ações ofensivas contra o território iraniano.

Em visita aos países do Golfo, o secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, confirmou que o contingente militar britânico na região será ampliado, elevando o número total de pessoal envolvido na defesa do Golfo e do Chipre para cerca de 1.000 soldados. As novas medidas incluem o envio de equipes e sistemas de defesa aérea para Arábia Saudita, Bahrein e Kuwait, além da extensão da operação dos caças Typhoon no Catar.

"Minha mensagem para os parceiros do Golfo é: o melhor da Grã-Bretanha ajudará a defender seus céus", declarou Healey. O secretário detalhou que o sistema de mísseis terra-ar Sky Sabre será implantado na Arábia Saudita ainda esta semana. O sistema, composto por radares, nós de controle e lançadores, é capaz de interceptar munições e aeronaves e será integrado às defesas aéreas mais amplas da região. Enquanto isso, o sistema de defesa aérea de curto alcance Lightweight Multirole Missile (LMM) já chegou ao Bahrein, e o sistema Rapid Sentry está operacional no Kuwait.

O primeiro-ministro britânico, Sir Keir Starmer, tem repetido enfaticamente que o Reino Unido não será arrastado para o conflito em larga escala. "Esta não é a nossa guerra e não seremos arrastados para ela", afirmou Starmer nesta segunda-feira, reforçando que as tropas britânicas não serão destacadas em solo iraniano. A estratégia de Londres tem sido focada em ações "defensivas", como a proteção de bases aliadas e a garantia da segurança marítima no Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo.

No entanto, a postura britânica tem irritado a administração Trump. Em uma série de publicações na rede social Truth Social, o presidente dos EUA criticou diretamente o Reino Unido, sugerindo que o país deveria "aprender a lutar por si mesmo". Em uma das mensagens, Trump afirmou: "Todos aqueles países que não conseguem obter combustível para jatos por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irã, tenho uma sugestão: número 1, comprem dos EUA, nós temos bastante, e número 2, criem coragem, vão ao Estreito e simplesmente TOMEM. Vocês terão que começar a aprender a lutar por si mesmos".

As críticas não se limitaram ao presidente. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, também questionou a presença naval britânica na região, sugerindo que a Marinha Real deveria desempenhar um papel mais ativo na segurança das vias navegáveis críticas. Em resposta, John Healey defendeu a aliança entre os dois países, classificando os Estados Unidos como um "aliado excepcionalmente próximo", mas rebateu as críticas ao afirmar que o Reino Unido está agindo de acordo com seus interesses nacionais e o que foi acordado com os parceiros do Golfo.

O anúncio do envio de tropas ocorre em um momento de alta volatilidade na região. Nos últimos meses, bases que abrigam tropas britânicas têm sido alvos diretos de ataques. Em meados de março, uma base em Erbil, no Iraque, que sedia forças britânicas, foi atingida por drones iranianos. De acordo com relatos, enquanto as defesas britânicas conseguiram abater dois dos veículos aéreos não tripulados (UAVs), outros dispositivos evadiram os sistemas de defesa e impactaram a base, ferindo levemente soldados americanos.

Além disso, o Reino Unido tem reforçado sua presença naval. No final de março, foi confirmado que um submarino nuclear da Marinha Real chegou ao Mar da Arábica. Fontes militares indicaram que a embarcação possui capacidade para lançar mísseis de cruzeiro Tomahawk, com alcance de até 1.600 quilômetros, servindo como um elemento de dissuasão contra o Irã, embora sua ativação dependa de autorização direta do primeiro-ministro.

As tensões entre os aliados ocidentais também se manifestaram anteriormente em relação ao envio de meios navais de maior porte. Em março, quando o Reino Unido considerou enviar o porta-aviões "Príncipe de Gales" para a região, o presidente Trump respondeu publicamente que os EUA "não precisavam mais" da ajuda britânica. Especialistas interpretaram a fala de Trump como uma tentativa de pressionar os aliados a se envolverem mais diretamente nos combates, em vez de apenas em ações defensivas, embora a presença de navios britânicos e franceses (como o "Charles de Gaulle") representasse um importante gesto de apoio político e dissuasão estratégica contra o Irã.

Apesar das divergências públicas com Washington, o secretário de Defesa John Healey minimizou o atrito, destacando a cooperação em andamento. Ele mencionou que planejadores militares britânicos foram destacados para o quartel-general das forças armadas dos EUA e que um navio da Marinha Real será utilizado para facilitar o uso de drones autônomos destinados à remoção de minas no Estreito de Ormuz, se necessário. A expectativa do governo britânico é que o conflito na região continue se estendendo "por mais algumas semanas", exigindo um esforço internacional coordenado para garantir a estabilidade.

Com informações de BBC News, Arab Times Kuwait, Middle East Eye, The Independent, ??? (Huanqiu.com) e HKcna.hk ■

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